
Gradin acredita que o Inflation Reduction Act (IRA) criou oportunidades para as produtoras de etanol do Brasil
“Quem ainda não leu sobre o Inflation Reduction Act deveria estudar o assunto porque o impacto para o setor sucroalcooleiro e para o setor energético brasileiro vai ser gigantesco”. A recomendação foi feita pelo CEO da GranBio, Bernardo Gradin, durante a sexta edição da Conferência NovaCana. O evento aconteceu em São Paulo, no começo de setembro.
De acordo com ele, quando se considera também o Infrastructure and Jobs Act, o resultado seria “a maior iniciativa de recurso público para a revitalização da economia já feita pelos Estados Unidos”.
Promulgado em agosto de 2022, o Inflation Reduction Act (IRA) é uma lei que visa uma redução da inflação e um menor déficit orçamentário federal. Para isso, os Estados Unidos baixaram os preços de uma série de medicamentos e apostaram na produção doméstica de energia, com foco para fontes limpas.
A previsão do governo norte-americano é que o IRA direcione cerca de US$ 783 bilhões para investimentos em energia e mudanças climáticas. Além disso, a projeção é que as emissões de gases de efeito estufa dos EUA caiam 40% em 2030 (ante os níveis de 2005).
“O Inflation Reduction Act é um divisor de águas. Vai ser grande para o resto do mundo, mas, para nós, vai ser muito mais no campo de oportunidade do que no de ameaça”, afirma Gradin, que completa: “É o maior projeto público de reindustrialização já feito por qualquer país, em qualquer tempo”.
Segundo o executivo, caso o plano seja implementado conforme o previsto, ele deve incentivar investimentos privados por meio de subsídios. “Não é só uma restruturação energética, mas uma agenda de soberania e defesa energética nacional. E é, sobretudo, geopolítica. Geopolítica para não ficar tão dependente da China e reintegrar empregos novos em cadeias produtivas industriais novas”, defende.
“Os Estados Unidos criaram uma super demanda para descarbonizar todo o SAF produzido ou endereçado lá nos Estados Unidos. Isso significa 170 bilhões de litros de SAF em 2050”, Bernardo Gradin (GranBio)
No caso do Brasil, Gradin relata que o IRA traz uma oportunidade para o país se posicionar estrategicamente na cadeia produtiva energética. Afinal, considerando os prazos colocados pelo programa, o executivo acredita que os EUA não teriam matéria-prima suficiente, especialmente quando se trata do combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês).
“Hoje, o setor aéreo é responsável por, mais ou menos, 4% das emissões de CO2 como um todo. Mas, se nada for feito, e a eletrificação do transporte terrestre acontecer como se prevê, em 2050, cerca de 22% a 25% das emissões de CO2 serão feitas pelo transporte aéreo, pelos aviões”, aponta Gradin.
No texto completo (exclusivo para assinantes NovaCana), saiba mais sobre as perspectivas do CEO para os mercados de SAF e de etanol celulósico.
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