Se fosse possível resumir em poucas palavras a apresentação do gerente de crédito para o agronegócio do Itaú BBA, Guilherme Novaes Theodoro, a mensagem seria: “Quanto mais informações, melhor”. O executivo falou para produtores de cana-de-açúcar em Ribeirão Preto (SP), durante o evento Cana Summit, realizado pela Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana).
De acordo com ele, por mais que o banco enxergue “grandes oportunidades” no horizonte, o cenário de curto prazo para o setor de cana-de-açúcar está “desafiador” e “volátil”. Ele declara: “Ao olhar para esses primeiros meses do ano, a sensação é que já estamos lá na frente. Foram muitos eventos, que estão cada vez mais pautando as decisões dos produtores e das usinas”.
Além de questões geopolíticas e macroeconômicas, o gerente cita o crescimento da inadimplência e do número de empresas buscando recuperação judicial e extrajudicial. “É algo que estamos sofrendo desde o ano passado. O setor de cana-de-açúcar teve alguns eventos de grandes empresas que prejudicam a análise e, com isso, o cenário de crédito fica mais desafiador”, afirma.
Ele complementa que o agronegócio brasileiro está passando por um período de margens apertadas há algum tempo. Até a safra passada, a cana-de-açúcar era uma exceção – mas isso não é mais verdade. Os resultados das companhias, segundo o gerente, estão “mais apertados”, influenciados por preços mais baixos e custos mais altos.
“Qual é a melhor estratégia para a compra de insumos ou de diesel? Eu antecipo minhas compras para garantir o produto, mesmo que ele esteja mais caro, ou eu aguardo para ver qual vai ser o resultado da guerra, se ela vai se estender mais ou não?”, questiona e completa: “É uma decisão difícil e que impacta bastante o planejamento de todo mundo, inclusive o do banco”.
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