A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) aprovou um projeto de lei (PLS 626/2011) que autoriza o plantio de cana-de-açúcar na Amazônia. A proposta seguiu para análise da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR).
Segundo o texto, o cultivo só poderá ocorrer, entretanto, em áreas já ocupadas pela agricultura ou pela pecuária.
O senador Flexa Ribeiro (PSDB–PA), autor do projeto de lei, diz que quando foi feito o zoneamento econômico-ecológico da cana-de-açúcar, a Amazônia ficou de fora. Mas pesquisas demonstram, segundo Flexa, que a produtividade e o teor de sacarose da cana plantada em algumas regiões do Pará são superiores aos de outras áreas do País.
Ele destacou ainda que a proposta não permite desmatamentos para o cultivo da cana na Amazônia. "Nessas áreas antropizadas, você pode plantar soja, milho e mandioca, mas não pode plantar cana-de-açúcar. Não sei o que tem na cana-de-açúcar que é diferente dessas outras culturas", afirma.
O relator da proposta na CAE, senador Valdir Raupp (PMDB-RO), disse que um estudo do Ministério da Agricultura indicou que o Brasil precisa de terras adicionais para atender à demanda por etanol e açúcar.
"O mesmo estudo apontou a existência de 64 milhões de hectares em todo o território nacional que precisam ser utilizados para o plantio de diversas culturas, incluindo a cana-de-açúcar, mas que são ocupados com pecuária de baixa produtividade. Ou seja, a produção agrícola pode ser aumentada sem que seja preciso desmatar novas áreas", garante.
Bruno Lourenço