Etanol: Mercado

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CBios voltam a ser negociados abaixo de R$ 40 ao final de setembro

De 16 a 30 de setembro, preço médio dos créditos foi de R$ 44,46, alta de 1,7% ante o período anterior


NovaCana - Publicado: 01 Out 2025 - 15:48 | Atualizado: 02 Out 2025 - 10:38

Após ensaiar uma recuperação na primeira quinzena de setembro, o mercado de créditos de descarbonização (CBios) voltou a contabilizar perdas na segunda metade do mês. Em 30 de setembro, os títulos chegaram a ser negociados a R$ 39,50.

A retração acontece após duas decisões judiciais favoráveis a distribuidoras inadimplentes com o RenovaBio. De acordo com apuração do Jota, em ambos os casos, os magistrados determinam que depósitos judiciais sejam usados para o cumprimento de metas em aberto. Com isso, as decisões fixaram os preços dos créditos abaixo do valor de mercado – em uma delas, o preço estabelecido foi de R$ 2,46 por CBio.

Ainda assim, o valor médio registrado de 16 a 30 de setembro teve uma ligeira alta ante o período anterior, de 1,7%, para R$ 44,46 por CBio. Entretanto, o valor está 29,8% abaixo da média de 2025, de R$ 63,33, e 46,7% aquém da média histórica do programa, de R$ 83,37.

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Os números são resultados de cálculos realizados pelo NovaCana com base em dados da bolsa de valores brasileira B3, única entidade registradora do programa.

Na quinzena, 2,91 milhões de papéis foram negociados (queda de 48,6% na comparação quinzenal), movimentando R$ 129,51 milhões (-47,7%). Por sua vez, o preço de negociação dos CBios variou entre R$ 39,50 e R$ 52. O maior valor foi visto no dia 17, enquanto o menor foi registrado no dia 30.

“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.

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Ainda conforme a bolsa de valores, de janeiro a setembro, o volume financeiro das negociações alcançou R$ 4 bilhões. O montante está 32,3% abaixo do visto no mesmo recorte de 2024, quando foram movimentados R$ 5,91 bilhões. O volume de CBios, por sua vez, teve queda de 3,1% na mesma comparação, de 65,21 milhões para 63,19 milhões.

A queda pode ser justificada pelo cenário de retração nos preços visto ao longo do ano, provocado por uma maior oferta em relação à demanda.

Posse e aposentadoria

Em 30 de setembro, a B3 encerrou a sessão com 30,02 milhões de créditos em circulação. O montante representa 60,8% do objetivo calculado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis para 2025, de 49,36 milhões de CBios.

O valor parte da meta de 40,39 milhões de créditos aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e inclui os 10,49 milhões de CBios que ficaram pendentes do ano passado. Além disso, foram descontados os 1,52 milhão de títulos abatidos das metas individuais das distribuidoras que cumpriram contratos de longo prazo com produtores de biocombustíveis.

Do total de CBios disponíveis no mercado ao final da quinzena, 51,3%, ou 15,39 milhões, estavam em posse das usinas certificadas no programa. Já as distribuidoras de combustíveis com metas a cumprir detinham 14,19 milhões, ou 47,3%. Desta forma, os 444,28 mil créditos restantes (1,5%) estavam com investidores sem metas.

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Além disso, na segunda quinzena de setembro, 5,5 milhões de créditos foram aposentados, incremento de 127,2% em relação aos 22,42 milhões de títulos que saíram de circulação no mesmo período de 2024.

Entretanto, no acumulado do ano, 18,16 milhões de CBios saíram do mercado, queda de 41,3% na comparação anual. Com isso, apenas 36,8% da meta de 2025 foi realmente alcançada até agora.

Somando os créditos disponíveis, os que foram retirados de circulação em 2025 e os 181 mil títulos que foram aposentados de forma antecipada no ano passado, o volume total chega a 48,37 milhões de CBios, ou 98% do objetivo para o ano.

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De acordo dados atualizados pela B3, não ocorreram aposentadorias por companhias sem metas a cumprir neste ano. Segundo as regras do RenovaBio, a retirada de títulos feita por partes não obrigadas pode ser deduzida dos objetivos finais do programa. Com isso, as aposentadorias feitas durante o ciclo 2025 devem ser contabilizadas no próximo ano.

Emissões

Na segunda quinzena de setembro, as usinas certificadas no RenovaBio emitiram 1,99 milhão de CBios, elevação de 15,4% na comparação anual.

Já no acumulado de 2025, as sucroenergéticas escrituraram 31,8 milhões de títulos. Em relação ao mesmo período do ano passado, houve um acréscimo de 2,5%.

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Segundo a ANP, 341 usinas estão atualmente certificadas para a emissão dos créditos do RenovaBio. Destas, cinco fabricam biometano e outras 43, biodiesel.

Dentre as 293 usinas de etanol certificadas, 276 utilizam apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima; oito processam cana e milho; oito, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.

Desde o início do programa RenovaBio até o momento, 190,53 milhões de CBios já foram emitidos por estas companhias.

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Renata Bossle – NovaCana


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