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Capitalizadas ou sem dinheiro: Como ficarão as usinas sucroenergéticas quando a próxima crise do setor chegar

Sao-Martinho Usina-Boa-Vista-Grupo 241114As usinas aumentaram suas dívidas na safra 2015/16 e isso alterou o quadrante financeiro do setor. Entenda o que vai acontecer com cada um dos grupos de usinas depois que o ciclo de alta do açúcar passar

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O bom momento para o setor pode ter chegado tarde para algumas empresas. Elas estão com situação financeira ruim, desestruturadas do ponto de vista operacional e com alta alavancagem. Essa é a opinião de Alexandre Figliolino, sócio da MB Agro.

Figliolino, durante sua apresentação no NovaCana Ethanol Conference, deu detalhes sobre a situação financeira de 65 empresas sucroenergéticas que respondem por 80% de toda a safra do setor. Para pelo menos 15 companhias, o cenário é alarmante. E, para as empresas que estão no fundo do poço, talvez a corda dos preços não seja suficiente para reverter a situação financeira. “Não dá tempo”, alerta.

O que pode acontecer com as outras 50 empresas ao final do ciclo de alta do açúcar e o nível de endividamento do setor você pode conferir abaixo.

Após um período longo de crise o setor se encontra em uma situação mais animadora em razão das perspectivas de bons preços para o açúcar nos próximos anos e o para o etanol ao longo da atual safra.

Mas o bom momento para o setor pode ter chegado tarde para algumas empresas. Elas estão com situação financeira ruim, desestruturadas do ponto de vista operacional e com alta alavancagem. Essa é a opinião de Alexandre Figliolino, sócio da MB Agro, apresentada ao fim da sua palestra no NovaCana Ethanol Conference, evento realizado em São Paulo.

Atualizando o quadrante que analisa desde os tempos em que trabalhava no Itaú BBA, Figliolino deu detalhes sobre a situação financeira de 65 grupos sucroenergéticos. Esses grupos respondem por 80% de toda a safra do setor, o equivalente a uma moagem total de 538 milhões de toneladas.

Classificadas em quatro patamares em relação à situação financeira, a análise mostra que em 2015/16 as empresas do grupo 1 era composto de 17 empresas que se caracterizavam por estarem bem estruturadas financeiramente e que moeram de 205 milhões de toneladas de cana-de açúcar. Outras 21 empresas, que moeram 121 milhões de toneladas de cana, estavam em processo de desalavancagem e fazem parte do grupo 2. Esses dois primeiros englobam as empresas que melhor vão aproveitar o bom momento do setor.

No grupo 3 estão 12 empresas que moeram 70 milhões de toneladas de cana na safra 2015/16 e apresentam alavancagem elevada. Já o grupo 4 apresenta as usinas com a pior situação financeira. Segundo o levantamento, são 15 empresas que moeram o equivalente de 142 milhões de toneladas de cana e se encontram em processo de recuperação judicial ou reestruturação forçada de dívida.

Na safra anterior, o grupo 4 representava 5% da capacidade produtiva da amostragem, reunindo cinco companhias do setor. Atualmente, as empresas nesse cenário somam 23% da moagem dos grupos do recorte.

Entre essas empresas, a moagem média por grupo passou de 6,2 milhões de tonelada/grupo para 9,4 milhões de toneladas na última safra. O aumento sugere a possibilidade, não só de um número de empresas em pior situação aumentando, como de que empresas de maior porte também caíram na classificação de uma safra para outra. Nos demais grupos, a moagem média de cada empresa se manteve relativamente semelhante com a do ano passado.

“As empresas pesadamente endividadas e ineficientes só poderão se segurar, tentar sobreviver e esperar pela próxima crise, que uma hora virá” (Alexandre Figliolino)

Correndo contra o tempo

A grande questão é que para as empresas que estão no fundo do poço, a corda dos preços altos não deve ser suficiente para reverter a crise financeira.

“Não dá tempo”, alerta Figliolino e acrescenta que “mesmo que elas se recuperem, ao fim do processo vão encontrar um ciclo de baixa do açúcar”. Segundo ele, a única saída para essas companhias seria um grande estímulo ao etanol por meio de políticas públicas.

Estas companhias também poderiam ser alvo de aquisições. No entanto, Figliolino enfatiza que os ciclos de preços são um ponto muito observado pelo mercado, inclusive para os compradores, e essa é uma questão que pesaria na hora da decisão da compra.

Além disso, os empresários saberiam a diferença de operar uma empresa moderna e uma antiga. “[Os compradores] estão olhando quem tenha ao mesmo tempo uma indústria nova, um canavial em ponto de bala e uma dívida desestressada para poder tirar proveito disso”, esclarece.

Figliolino conjectura que “as empresas pesadamente endividadas e ineficientes em custo de produção só poderão se segurar, tentando sobreviver e esperando pela próxima crise, que uma hora virá”.

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Núcleo duro

Por outro lado, há quem poderia atuar como protagonista em um movimento de consolidação e crescimento do setor, garante o sócio-diretor da MB Agro. “Tem um núcleo duro que atravessou bem a crise”, aponta.

“A decisão [de fazer investimentos] não será fácil, mesmo para as empresas em boa situação financeira” (Alexandre Figliolino)

E o papel de protagonismo está na mão das 17 sucroenergéticas do chamado grupo 1, formado pelas companhias com boa situação financeira, estrutura operacional adequada e capacidade de levantar capitais, além de terem condições de pensar em expansão imediatamente.

Com uma condição excepcional para aproveitar a conjuntura de preço, as usinas desse grupo devem gerar muito caixa e desalavancar financeiramente, prevê o sócio da MB Agro.

Analisando a capacidade de moagem por companhia, a média do grupo 1 é consideravelmente superior aos demais quadrantes financeiros, de mais de 12 milhões de tonelada por empresa. A superioridade em relação aos demais grupos financeiros indica que apenas as maiores companhias realmente estão em condições de investir.

“Eles vão passar por essa safra com um endividamento muito baixo e que será zerado no próximo ano se não houver empréstimos. E começa a surgir espaço para essas empresas fazerem bons investimentos”, sustenta e continua: “Mas essa decisão [de fazer investimentos] não será fácil, mesmo para as empresas em boa situação financeira”.

Para o analista, o movimento de crescimento do setor vai ser muito seletivo. “O Brasil está em crise, o crédito está caro e restrito e, principalmente, a incerteza é muito grande”, aponta.

Figliolino ainda acrescenta que as companhias do grupo 2 não possuem balanço para investir ainda, mas podem chegar no ciclo 2017/18 com capacidade razoável de investimento. “Aproximadamente 50% do Centro-Sul está em condições de voltar a retomar um movimento de crescimento”, pontua.

Já no grupo 3, Figliolino adverte que serão poucas as empresas que terão sucesso ou boas estratégias para sair desse patamar. Com elevada alavancagem ou desestruturadas operacionalmente, elas necessitam de várias safras favoráveis para desalavancar e também poderão ser alvo de aquisição.

A boa notícia seria a percepção de um movimento de entrada de novos players estratégicos, mesmo que em escala reduzida. “Internacionalmente, voltaram a olhar com certo nível de interesse para fazer investimento no Brasil”, encerra.

Cenário financeiro médio

Entre as projeções divulgadas por Figliolino sobre a situação financeira das usinas está o nível médio de alavancagem do setor sucroalcooleiro do Brasil. De acordo com suas previsões, o nível aumentou 9% na safra 2015/16, encerrada em março – passando de 4,3 vezes no ciclo anterior para 4,7 vezes.

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O mesmo movimento deve ocorrer com a relação entre a dívida líquida e a tonelada de cana-de-açúcar processada. Na temporada 2015/16, o endividamento líquido das indústrias por tonelada de matéria-prima moída atingiu R$ 148, superando em 11% os R$ 133 do ano anterior.

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Marina Gallucci – NovaCana

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