Os produtores de cana nordestinos, que amargam perdas de até 35% nos canaviais em função da seca, decidiram que vão realizar protesto de repúdio à presidente Dilma, durante sua visita ao Recife, no dia 18 de fevereiro. O motivo da ação é a ausência de políticas públicas do governo federal para combater os efeitos da seca no campo. A decisão partiu dos dirigentes de todas as associações estaduais do segmento regional que estiveram reunidos nesta quarta-feira (23), na Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP).
Os fornecedores planejam trazer milhares de agricultores dos estados de Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Sergipe e de Pernambuco para a manifestação. O setor reúne 21 mil produtores e emprega cerca de 90 mil trabalhadores rurais. Para o presidente da União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida), Alexandre Andrade Lima, a medida é extrema porque a situação é extrema. "Perdemos 50% do faturamento por conta da seca e estamos sem condição de investir na nova safra", fala indignado diante da ociosidade do governo frente à situação.
O dirigente da entidade regional informa que na próxima semana se reunirá com os ministros da Agricultura e da Integração Nacional para expor a situação do segmento. Lima reivindicará a reedição emergencial do Programa de Subvenção da Atividade Canavieira do Nordeste. Ainda será pleiteado o reajuste do valor do subsídio para R$ 10 por tonelada de cana. O programa consiste em liberar uma quantia financeira ao produtor por quantidade de cana fornecida às usinas da região. A medida foi defendida pela própria presidente Dilma, em 2008, quando ela era ministra da Casa Civil do então presidente Lula, e esteve na Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco.
Esperamos que o nosso pleito seja atendido em tempo de possibilitar ao produtor o manejo adequado dos canaviais para a próxima safra", diz Lima. Os dirigentes nordestinos também condicionaram a possibilidade de não realizar mais o protesto de repúdio a presidente Dilma caso o governo atenda o pleito do setor.
Canavieiros do NE exigem subvenção para aliviar efeitos da seca
Os prejuízos variam entre 30% e 35% nos principais estados produtores da região. Dirigentes das associações regionais do setor, organizados pela União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida), discutirão e elaborarão Programa de Subvenção em caráter emergencial da Atividade Canavieira no Nordeste. O pleito será entregue posteriormente ao Ministério da Integração Nacional.
O programa reivindica a manutenção e a agilidade no repasse da verba do programa de subvenção financeira do governo federal. O reajuste no valor do benefício para R$ 10 por tonelada de cana fornecida na safra 2011-2012 às unidades industriais também será exigido. Para Alexandre Andrade Lima, presidente da Unida, a atividade canavieira precisa de atenção governamental urgente, sobretudo, porque é um importante pilar de sustentação socioeconômica para o povo nordestino. Ele lembra que o estado de São Paulo, mesmo sendo o maior produtor de cana do país, representa apenas 2% do PIB do estado, enquanto Alagoas e Pernambuco correspondem a 20% e 10% respectivamente.
Nordeste
O setor reúne 21 mil produtores de cana de açúcar e é responsável por 90 mil postos de trabalho direto, além de 270 mil indiretos. No entanto, os fornecedores estão descapitalizado devido aos efeitos da longa seca nos canaviais da região. A situação promoveu significativa dificuldade para os agricultores investir no trato cultural da nova safra. Sem o manejo adequado, principalmente em período atípico, a previsão é de novos déficits de produtividade da próxima safra.