Prêmio do IAC incentiva uso eficiente de variedades; Buriti fica em primeiro lugar
A usina Buriti, do grupo Pedra Agroindustrial, é considerada a companhia que melhor cuida do seu canavial nos quesitos que envolvem as variedades plantadas. A classificação foi dada pelo Programa Cana do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), que faz parte da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, e se refere à safra 2020/21.
Com a intenção de influenciar empresas a cuidarem melhor do campo e, como consequência, aumentarem sua produtividade, o IAC realiza anualmente o Censo Varietal e investiga as melhores práticas. Com os dados coletados, o instituto ainda premia as usinas que priorizam variedades mais novas e com menor concentração.
Em sua quinta edição, o Prêmio de Excelência no Uso de Variedades de Cana-de-açúcar elencou dez usinas, envolvendo cinco estados e seis regiões produtivas de São Paulo. Na safra 2020/21, foram pesquisadas 214 unidades, que correspondem a uma área de 5,9 milhões de hectares. No ano passado, devido à pandemia de coronavírus, ele foi feito de forma informatizada e preenchido por cada usina participante.
Durante a divulgação do prêmio, que aconteceu de forma on-line em 24 de novembro, o pesquisador Marcos Landell, do IAC, afirmou que a intenção do instituto é premiar as unidades produtoras que adotam as melhores práticas no uso de variedades.
A usina Buriti está participando da premiação do IAC pelo segundo ano consecutivo em 2020/21, ficando novamente em primeiro pódio. Já o estado de Mato Grosso do Sul aparece pela primeira vez no prêmio graças aos investimentos feitos pela unidade Monteverde, da BP Bunge.
Confira, na versão completa, restrita para assinantes, gráficos e informações sobre as dez usinas premiadas, a evolução dos estados e da região Centro-Sul.
A usina Buriti, do grupo Pedra Agroindustrial, é considerada a companhia que melhor cuida do seu canavial nos quesitos que envolvem as variedades plantadas. A classificação foi dada pelo Programa Cana do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), que faz parte da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, e se refere à safra 2020/21.
Com a intenção de influenciar empresas a cuidarem melhor do campo e, como consequência, aumentarem sua produtividade, o IAC realiza anualmente o Censo Varietal e investiga as melhores práticas. Com os dados coletados, o instituto ainda premia as usinas que priorizam variedades mais novas e com menor concentração.
Em sua quinta edição, o Prêmio de Excelência no Uso de Variedades de Cana-de-açúcar elencou dez usinas, envolvendo cinco estados e seis regiões produtivas de São Paulo. Na safra 2020/21, foram pesquisadas 214 unidades, que correspondem a uma área de 5,9 milhões de hectares. No ano passado, devido à pandemia de coronavírus, ele foi feito de forma informatizada e preenchido por cada usina participante.
A Buriti, localizada em Buritizal, na região de Ribeirão Preto (SP), novamente ficou com a primeira posição, assim como no prêmio referente a 2019/20. No comparativo com a média do Centro-Sul, a usina tem destaque ainda maior.
Durante a divulgação do prêmio, que aconteceu de forma on-line em 24 de novembro, o pesquisador Marcos Landell, do IAC, afirmou que a intenção do instituto é premiar as unidades produtoras que adotam as melhores práticas no uso de variedades.
Por isso, para poder ser considerada elegível, a usina precisa ter baixos Índices de Atualização Varietal (IAV) e de Concentração Varietal Ajustado (ICVA). O primeiro diz respeito à utilização de variedades novas e o segundo, ao acúmulo de cultivares no campo.
Além disso, devem ser respeitados critérios como possuir área cultivada superior a 5 mil hectares, ter IAV menor ou igual a 7 anos e ICVA menor ou igual a 75%. As usinas são premiadas regionalmente e, a nível nacional, o prêmio vai para aquela que tem um IAV menor ou igual a 5 anos e um ICVA menor ou igual a 45%.
O bicampeonato da Buriti
A usina Buriti está participando do prêmio do IAC pelo segundo ano consecutivo em 2020/21, ficando novamente no alto pódio. “A Buriti não é só primeira na questão das variedades. Ela é primeiro lugar em um monte de novas tecnologias, uso de resíduos, na parte de adubação. É um número de excelência”, afirmou a pesquisadora Raffaella Rossetto.
O IAV da usina ficou em 4,44 anos – abaixo de 5, o valor é considerado satisfatório de acordo com os critérios do Instituto. Além disso, o resultado ficou menor do que o registrado na safra anterior, 4,53 anos, o que demonstra uma melhora no manejo. Um menor IAV significa que as variedades plantadas são mais novas, o que pode acarretar uma maior produtividade para o canavial.
Já o ICVA da unidade ficou em 39%, também uma melhora em relação aos 40% registrados em 2019/20, o que indica que as três principais variedades plantadas ocupam menos de 15% do canavial cada, garantindo segurança genética.
Conforme o consultor Rubens Braga, do IAC, é perigoso concentrar uma mesma variedade no campo, pois a suscetibilidade a doenças aumenta, ampliando os riscos para a empresa e, consequentemente, para seus rendimentos.
Índices mais altos
No ranking regional do Prêmio de Excelência, outras usinas também melhoraram seus números e, consequentemente, suas posições entre as duas safras mais recentes. A São José da Estiva, de Novo Horizonte, da região de São José do Rio Preto (SP), ficou em segundo lugar em 2020/21, sendo que estava em terceiro na temporada anterior.
A subida no ranking se deveu à melhora em ambos os índices. No caso do IAV, ele passou para satisfatório na safra mais recente, ficando em 4,75 anos. Já o ICVA teve uma boa melhora, conta Landell, especialmente graças ao uso de mais tecnologia. Conforme o pesquisador, a disputa pelas primeiras posições nos índices tem estado cada vez mais perto. “É um desempenho fantástico”, comemora.

O terceiro lugar do ranking regional de 2020/21 foi ocupado pela Jussara, localizada na cidade paranaense de mesmo nome e vencedora do estado. Em 2019/20, primeira vez em que o Paraná apareceu no Prêmio, a usina ficou em oitavo lugar no ranking, porém melhorou ambos seus índices, ficando com 4,32 anos no IAV e 43% no ICVA.
Na divulgação do resultado, Landell comentou que a companhia está com índices excelentes e mais próximos da primeira colocada. Para que isso ocorra, sua sugestão é que a companhia continue utilizando os critérios técnicos de variedades com excelência.
Braga ainda destaca que o Paraná, normalmente, possui índices muito ruins nos dois quesitos. “A Jussara é um ponto fora da curva no estado”, afirma. Landell completa, dizendo que em um lugar onde não há estímulos, é ainda mais difícil melhorar os indicadores, por isso a empresa merece ainda mais felicitações.
“A Jussara está com um trabalho muito bem feito. É um case importante para essa região de baixo déficit hídrico, mostrando que essas coisas podem fazer diferença”, Marcos Landell (IAC)
Em quarto lugar vem a usina Santa Maria, do grupo J. Pilon, localizada em Cerquilho, na região de Piracicaba (SP). A companhia aparece no prêmio desde o seu início, em 2016, tendo ocupado a primeira posição nos três primeiros anos, até ser desbancada pela Buriti na premiação referente a 2019/20.
Braga afirma que, historicamente, a Santa Maria tem um bom uso de variedades novas, sempre trocando e atualizando seu plantel. O principal problema, porém, é que a concentração destes cultivares tem aumentado, fazendo com que ela perca algumas posições.
“Mas o número de atualização varietal é fantástico. Fazem um trabalho excepcional, de tirar o chapéu. Ranking médio fantástico, estão entre os melhores, na ponta”, celebra Braga.
Em 2020/21, o IAV da Santa Maria registrou uma pequena piora em relação à temporada anterior – o que prejudicou sua posição no ranking geral –, porém ela se mantém como a usina que apresenta o menor índice dentre as premiadas nos últimos três anos.
Destaques do prêmio
Todas as outras unidades que foram premiadas em 2019/20 novamente atingiram bons índices em 2020/21. Ainda assim, a Branco Peres, de Adamantina, na região de Araçatuba (SP), a Destilaria Nova União, de Jandaia (GO), e a Santa Fé, de Nova Europa, na região de Jaú (SP), apresentaram pioras em seus indicadores.
Dentre elas, os pesquisadores do IAC destacaram a Nova União, usina mais antiga de Goiás, com 40 anos, que teve presença constante no prêmio nos últimos anos. Eles também comentaram que a região de Araçatuba normalmente tem alta concentração de variedades, o que faz com que os índices da Branco Peres sejam ainda mais meritórios.
A usina São Luiz, por sua vez, apresentou uma pequena melhora em relação ao registrado no prêmio anterior. Além disso, seu ICVA deve ser evidenciado: em 2020/21, ele ficou em 31%, o que demonstra baixíssima concentração de variedades, e, nos últimos três anos, sempre foi o menor índice dentre as premiadas.

O principal destaque, porém, vai para a usina Monteverde, da BP Bunge, localizada em Ponta Porã (MS). Ela foi a única unidade do estado a ser classificada para o prêmio.
Os pesquisadores explicam que, por conta dos critérios mínimos, muitas usinas ficam de fora. “Estaríamos premiando empresas com índices muito ruins”, explica Braga. Desta forma, completa Landell, no ano passado, o Mato Grosso do Sul não foi premiado, já que nenhuma das suas 20 usinas atingiu as exigências.
Landell ainda comenta que, até a safra 2019/20, a Monteverde demonstrava alta concentração de variedades, o que acabava a penalizando no prêmio e, de uma forma geral, o Estado também. “A usina teve um grande trabalho para mudar essa situação e chegou a um ICVA bem baixo”, parabenizou o pesquisador.
“Este reconhecimento coroa o trabalho de toda uma equipe técnica dedicada a obter os melhores resultados em qualidade e produtividade”, Rogério Bremm (BP Bunge)
Heterogeneidade reafirmada
Com a entrada da Monteverde, o Mato Grosso do Sul passou a compor o comparativo entre as usinas premiadas, suas regiões produtoras e o Centro-Sul em geral. Este tipo de relação demonstra como o cenário das usinas do país é heterogêneo, uma vez que as poucas premiadas têm resultados muito melhores que a média.
Enquanto as usinas mais bem posicionadas de acordo com o ranking regional do IAC possuem Índices de Atualização Varietal entre 3,3 e 6,9 anos, a média do Centro-Sul é de 8 anos. A disparidade entre as unidades mais uma vez aumentou na comparação com o ano anterior, e o menor indicador está mais alto que o de 2019/20. Por outro lado, a média da região diminuiu, já que estava em 8,2 anos no período anterior.
Em relação aos estados, São Paulo e Minas Gerais melhoraram seus indicadores, ficando com 7,2 e 8,9 anos respectivamente. Já Goiás (9,3) e Paraná (8,2) registraram pioras no mesmo comparativo. Mato Grosso do Sul, que aparece pela primeira vez nesta relação, registrou 9,1 anos, o segundo pior IAV da região.

É importante reiterar que, no caso do IAV, quanto menor o indicador, maior é o uso de variedades mais modernas. O valor considera o número de cultivares predominantes na plantação, a área ocupada por eles e suas datas de criação. Já para o IAC, valores abaixo de 5 anos são considerados satisfatórios, entre 5 e 7 são intermediários, e acima de 7 anos, não recomendados.
Desta forma, enquanto as médias dos estados e do Centro-Sul estão acima do recomendado, a maior parte das usinas está na faixa intermediária e algumas até apresentam níveis satisfatórios, o que pode indicar uma possibilidade de manter o canavial atualizado e protegido.
Por sua vez, em relação ao Índice de Concentração Varietal Ajustado (ICVA), a análise comparativa traz melhoras e pioras. Considerando que o ideal é estar abaixo de 45%, tanto a média do Centro-Sul quanto a dos estados não está de acordo. O Paraná, apesar de ter apresentado melhora em relação a 2019/20, segue com o pior índice, 116%, seguido por Mato Grosso do Sul, com 80%.

Já em relação às usinas, os ICVAs variam de 31% a 56%, com o primeiro resultado sendo menor do que o observado na temporada anterior, e o segundo, maior – o que demonstra um aumento da heterogeneidade entre as companhias.
O ICVA mede a concentração de poucas variedades. Quanto maior o indicador, maior o acúmulo e, portanto, maior o risco biológico. Isso ocorre porque uma enfermidade pode atacar esses poucos cultivares com mais força, provocando grandes perdas para os produtores.
De acordo com o IAC, os valores menores do que 45% são considerados satisfatórios, entre 45% e 75% são intermediários e, acima de 75%, não recomendados.
A média da produção de cana no Centro-Sul está na faixa intermediária, com 55%, e apresenta uma melhora em relação à safra anterior, quando estava em 62%. Este desempenho, mesmo que seja positivo, ainda não é considerado ideal pelo instituto.
Ranking regional e estadual
Com base nos critérios utilizados pelo IAC para definir as usinas com as melhores práticas, o NovaCana elaborou um ranking com os estados e as mesorregiões pesquisadas pelo levantamento. Assim, é possível constatar quem faz o melhor uso das variedades e a disparidade entre os indicadores em cada localidade.
Em relação aos estados que aparecem no estudo, São Paulo segue em primeiro lugar por ter os menores IAV e ICVA, tanto em comparação com os outros quanto com o Centro-Sul em geral. No comparativo anual, ambos os indicadores paulistas apresentaram melhoras.

No lado oposto, em último lugar, segue o Espírito Santo, com indicadores altos, bem acima da média e ainda piores do que os registrados na safra anterior. Mato Grosso, por sua vez, apresentou piora no IAV, mas melhora no ICVA, vindo logo após o estado capixaba.
Já o Paraná apresentou uma boa melhora, saindo da sexta para a terceira posição, tendo se recuperado em ambos os índices. Minas Gerais manteve o segundo lugar, mesmo com um IAV pior, enquanto Goiás novamente caiu de posição.
Observando as mesorregiões paulistas, São José do Rio Preto mais uma vez segue em primeiro lugar, especialmente graças a um incremento no seu IAV. Ribeirão Preto merece destaque por ter subido duas posições, ficando em segundo.

Jaú mais uma vez aparece em último lugar, como observado nos dois anos anteriores, enquanto Assis e Piracicaba perderam posições.
Rafaella Coury – NovaCana