São José da Estiva e Mandu ficaram em primeiro lugar por combinarem uso de variedades novas com baixa concentração no campo
Pela primeira vez em seis edições, a dianteira do prêmio Excelência Nacional no Uso de Variedades de Cana-de-açúcar foi dividida entre duas usinas: a São José da Estiva, localizada em Novo Horizonte (SP) e a Mandu, do grupo Tereos, situada em Guaíra (SP).
A condecoração é anualmente concedida pelo Programa Cana do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), que faz parte da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Os dados foram obtidos por meio do Censo Varietal IAC 2021, também realizado anualmente, que tem o intuito de influenciar as empresas a cuidarem melhor do campo e melhorar sua produtividade.
O prêmio, por sua vez, tem o objetivo de destacar as unidades produtoras e associações de fornecedores com canaviais mais produtivos, que priorizam variedades mais novas e com menor concentração.
A avaliação é feita por meio de dois dados: o Índice de Atualização Varietal (IAV) e o Índice de Concentração Varietal Ajustado (ICVA). A obtenção do menor IAV significa maior produtividade dos canaviais; já do menor ICVA demonstra segurança genética. As ganhadoras foram as unidades com a menor média entre os dois rankings.
Além da distinção nacional, também há a premiação regional. Os critérios de seleção incluíram o envio de dados para o Censo Varietal referente ao ciclo 2021/22; área cultivada acima de 5 mil hectares; valor de IAV menor ou igual a sete anos; valor de ICVA menor ou igual a 0,75. No caso da seleção nacional, há uma mudança na linha de corte dos indicadores: inferior ou igual a cinco anos para o IAV e de 0,45 para o ICVA.
As primeiras colocações nas premiações regionais representaram cinco diferentes estados e seis mesorregiões produtivas de São Paulo. No total, foram consideradas 220 usinas, responsáveis por seis milhões de hectares.
Na versão restrita aos assinantes do NovaCana, saiba mais sobre as usinas vencedoras do ranking nacional e das premiações regionais, além do desempenho médio dos estados e das mesorregiões de São Paulo.
Pela primeira vez em seis edições, a dianteira do prêmio Excelência Nacional no Uso de Variedades de Cana-de-açúcar foi dividida entre duas usinas: a São José da Estiva, localizada em Novo Horizonte (SP) e a Mandu, do grupo Tereos, situada em Guaíra (SP).
A condecoração é anualmente concedida pelo Programa Cana do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), que faz parte da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Os dados foram obtidos por meio do Censo Varietal IAC 2021, também realizado anualmente, que tem o intuito de influenciar as empresas a cuidarem melhor do campo e melhorar sua produtividade.
O prêmio, por sua vez, tem o objetivo de destacar as unidades produtoras e associações de fornecedores com canaviais mais produtivos, que priorizam variedades mais novas e com menor concentração.
A avaliação é feita por meio de dois dados: o Índice de Atualização Varietal (IAV) e o Índice de Concentração Varietal Ajustado (ICVA). A obtenção do menor IAV significa maior produtividade dos canaviais; já do menor ICVA demonstra segurança genética. As ganhadoras foram as unidades com a menor média entre os dois rankings.
Além da distinção nacional, também há a premiação regional. Os critérios de seleção incluíram o envio de dados para o Censo Varietal referente ao ciclo 2021/22; área cultivada acima de 5 mil hectares; valor de IAV menor ou igual a sete anos; valor de ICVA menor ou igual a 0,75. No caso da seleção nacional, há uma mudança na linha de corte dos indicadores: inferior ou igual a cinco anos para o IAV e de 0,45 para o ICVA.
As primeiras colocações nas premiações regionais representaram cinco diferentes estados e seis mesorregiões produtivas de São Paulo. No total, foram consideradas 220 usinas, responsáveis por seis milhões de hectares.
Vitória com empate
Pela primeira vez, duas usinas dividiram o primeiro lugar na premiação nacional do IAC.
A São José da Estiva apresentou um IAV de 4,44 anos, valor inferior a 5 anos, que é o considerado satisfatório para a análise nacional. Além disso, o valor ficou abaixo do resultado de um ano antes, quando a usina registrou um IAV de 4,75 anos. Um IAV menor significa que variedades mais novas foram plantadas, o que deve resultar em incremento de produtividade.
Já o seu ICVA foi de 39%, superior ao período anterior quando registrou 34%. Este dado representa a segurança genética do canavial com as principais variedades ocupando menos espaço de plantio.

A Mandu, da Tereos, foi a outra unidade premiada. A usina teve um IAV de 4,51 anos e um ICVA de 34%, conferindo a média sete entre os dois rankings.
Segundo o gerente de desenvolvimento e tecnologia agrícola da companhia, José Olavo Vendramini, a Tereos trabalha com foco na melhoria do censo varietal. “Hoje, são mais de 25 variedades comerciais, que são primordiais para o sucesso do canavial. Por meio dessas variedades consideradas no manejo é possível extrair todo o potencial genético da cana como matéria-prima, obtido por meio de melhoramento”, ressalta.
De acordo com ele, atualmente a sucroenergética trabalha com quatro institutos de pesquisa e de melhoramento parceiros, para cultivo e desenvolvimento de novas variedades de cana-de-açúcar. Destes, três estão no Brasil e um no exterior: Ridesa, Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), IAC e a africana Ercane.
Bons desempenhos
As outras oito unidades que tiveram seus dados divulgados pelo IAC são as primeiras colocadas em rankings regionais.
A São Luiz, do grupo Quagliato, localizada em Ourinhos, representou a região de Assis (SP). A unidade registrou um IAV de 4,81 anos, valor inferior – portanto, mais favorável – aos 5,61 anos do ciclo anterior. Já o ICVA teve um breve aumento, de 31% para 32% em 2021.
Por sua vez, a Santa Maria, do grupo J. Pilon, situada em Cerquilho, foi a campeã na região de Piracicaba (SP) em 2021. A unidade apresentou um IAV de 3,03 anos, abaixo dos 3,29 anos de 2020. No caso do ICVA, houve um incremento de 46% para 48% no mesmo comparativo.
A ganhadora em Minas Gerais foi a Uberaba, do grupo Balbo, localizada no município de mesmo nome. A unidade teve um IAV que saiu de 6 para 5,8 anos, enquanto o ICVA subiu de 39% para 42% entre as duas últimas análises.
Com um IAV de 5,19 anos e um ICVA de 43%, conseguindo a média entre os rankings de 18,5, a Ferrari, de Pirassununga (SP), foi a primeira na região de Jaú (SP).
A Monteverde, da BP Bunge, localizada em Ponta Porã (MS), foi a ganhadora do estado sul-mato-grossense. A unidade registrou uma retração em seu IAV, saindo de 6,9 anos para 6,14 anos. No caso do ICVA, a queda foi de 43% para 37% entre 2020 e 2021, mais favorável à usina.
Já a campeã paranaense foi a usina da Melhoramentos em Jussara (PR). Lá, o IAV foi de 2,99 anos, enquanto um ano antes o indicador foi de 4,32 anos, demonstrando melhora significativa no índice. O ICVA, por sua vez, foi de 61% contra 43% de um ano antes. Neste caso, a companhia aumentou a concentração de variedades em seus canaviais.
Estados distantes do ideal
O IAC também realiza análises dos estados e faz uma média da região Centro-Sul. A disparidade entre a média geral, a das unidades da federação e das usinas premiadas nos quesitos regional e nacional fica evidente pelos números.
O Índice de Atualização Varietal (IAV), por exemplo, variou de 2,99 a 6,93 anos entre as usinas – ainda mais díspar do que em 2020, quando a amplitude foi de 3,3 a 6,9 anos. Já a média do Centro-Sul subiu de 8 para 8,2 anos considerando o mesmo comparativo.
Nos estados, por sua vez, a média de IAV variou entre 7,3 anos para São Paulo – único estado com índice inferior ao do Centro-Sul – e de 11,9 anos para Mato Grosso do Sul.
São Paulo, Paraná, Goiás e Mato Grosso e Mato Grosso do Sul foram os estados que pioraram neste indicador, ou seja, tiveram um aumento no IAV. Apenas Minas Gerais teve queda.
No caso do IAV, quanto menor o indicador, maior é o uso de variedades mais modernas. O valor leva em conta o número de cultivares predominantes no canavial, a área ocupada por eles e suas datas de criação. Pelo estudo do IAC, valores abaixo de 5 anos são considerados satisfatórios, entre 5 e 7 são intermediários e acima de 7 anos, não recomendados.
Com isso, nenhum estado apresenta resultado médio satisfatório, tampouco o Centro-Sul como um todo. Quanto às usinas, metade registrou resultados satisfatórios e a outra metade resultados intermediários.

Já em relação ao Índice de Concentração Varietal Ajustado (ICVA), o ideal é que o indicador esteja abaixo dos 45%. Nenhum dos estados, e tampouco a média do Centro-Sul, atingiu esta marca.
Conforme o consultor do IAC, Rubens Braga, o indicador foi mudando ao longo do tempo. Ele detalha que os programas de melhoramento recomendam que uma variedade não ocupe mais do 15% da área total.
“Pela regra, somando três variedades, elas dariam 45% do total máximo para estar no nível de excelência. Estudando com o Marcos Landell [diretor do IAC], vimos que a variedade RB867515 poderia representar até 35% de um canavial; se tivesse estes 35%, mais 5% de outras duas fechava os 45%, mas não queria dizer que estava bom, pois estava muito concentrado em uma única variedade”, relata Braga.
Por conta disso, o cálculo foi alterado para reduzir o erro e passou a ser utilizada uma amplitude: quanto menor a distância entre a primeira e a terceira variedades, melhor. Também foi criada uma penalidade para toda variedade que ocupasse um espaço maior do que 15%.
O IAC aponta, portanto, que as porcentagens inferiores a 45% são consideradas satisfatórias, entre 45% e 75% são intermediárias e acima de 75%, não são recomendadas.
São Paulo registrou o mesmo indicador nos últimos dois anos (47%) e o mais baixo dentre os estados; já Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e o Paraná tiveram melhoria no dado no mesmo comparativo. Ainda assim, o estado paranaense segue tendo um ICVA bastante elevado de 108% – um ano antes, ele era de 116%.
No caso da média do Centro-Sul, o resultado caiu de 55% para 49%, uma melhora no valor considerando que um ICVA baixo garante menor concentração de poucas variedades, acarretando redução do risco biológico para a plantação.
Isso ocorre, pois quando alguma praga ataca estes cultivares, ela provoca menos perdas aos produtores do que se fosse uma área extensa.

Já as usinas elencadas no prêmio apresentam um cenário mais positivo. Seis delas tiveram resultados abaixo dos 45% e as outras quatro registraram índices inferiores a 75%. No ano passado, além da disparidade ter sido menor, os valores de ICVA foram um pouco abaixo para as campeãs nacionais e regionais, oscilando de 31% a 56%.
Braga complementa que ambos os índices analisados são completamente independentes e têm o mesmo peso na classificação. Logo, para ascender no ranking, uma unidade precisa tanto reduzir a concentração como aumentar o nível de variedades.
“A usina pode estar usando variedades novas, mas de forma altamente concentrada com ela plantada em 50% do canavial, por exemplo. Com isso, ela melhora o índice de atualização e piora o de concentração. E o contrário também é verdadeiro. É possível ter no máximo 10% de uma variedade, mas todas são antigas”, considera.
Dificuldade em atualizar
Levando em conta os critérios utilizados pelo IAC para definir as usinas com as melhores práticas, o NovaCana elaborou um ranking com os estados e as mesorregiões pesquisadas pelo levantamento. Assim, é possível constatar os locais com o melhor uso das variedades de cana, além da disparidade entre os indicadores.
São Paulo teve uma média de 1,5 entre os dois rankings, ficando na dianteira com IAV de 7,3 anos – um ano antes, ele era de 7,2 anos. Enquanto isso, o estado mineiro ficou em segundo lugar, com o indicador apresentando melhora e saindo de 8,9 para 8,4 anos entre 2019 e 2020. Já o ICVA de São Paulo foi de 47% e o de Minas Gerais de 42%; manutenção para o primeiro e queda para o segundo.

Goiás, por sua vez, elencou o terceiro lugar nesta classificação, com demonstração de melhora ante a premiação anterior quanto ficou em quinto. Ainda assim, a redução no ICVA, acabou sendo minimizada pelo aumento no IAV.
Conforme o consultor do IAC, os números não tão favoráveis considerando os estados se justificam por características inerentes ao setor sucroenergético. “O setor de cana tem uma lentidão na troca de variedades e isso é histórico, o pessoal é muito avesso a risco”, afirma e completa: “No Paraná, o pessoal é muito resistente. É um pouco pior na mudança do plantel de variedades”.
“Quando há troca de variedade de cana, há risco, obviamente. Mas, se quiser um lucro maior, precisa se arriscar”, Rubens Braga (IAC)
Entretanto, ele complementa que esta não é a realidade de todas as usinas, e que as mais competitivas e que têm alta produtividade são as que atualizam mais as suas variedades.
Em relação às mesorregiões de São Paulo, Assis (SP) teve o melhor desempenho, com IAV médio de 7,1 anos e ICVA de 47%, tendo piorado no primeiro quesito e melhorado no segundo no comparativo com a análise anterior.

Já São José do Rio Preto foi a segunda região com melhor média entre os rankings, apresentando IAV de 6,6 anos e ICVA de 55% – houve uma queda em ambos os indicadores em relação ao período passado, quando a região ficou em primeiro lugar.
Na outra ponta, Araçatuba (SP) teve o pior desempenho dentre as seis regiões analisadas. O IAV de 7,5 anos e o ICVA de 65% conferiram a média mais elevada dentre os rankings. Um ano antes, a área estava em quinto lugar e ambos os indicadores eram mais baixos.
Mudas velhas
Braga ainda relata que está trabalhando na quinta edição de uma pesquisa sobre novas técnicas de plantio. Ainda que os dados mais recentes não estejam atualizados, os estudos anteriores apontaram que mais de 60% da área de cana da amostra é plantada sem muda, ou seja, as empresas não fazem mais viveiros.
“Indo ao viveiro de mudas, é possível escolher a variedade que normalmente é nova e gera ampliação da produtividade. Por outro lado, mais de 60% usam o primeiro e o segundo corte como muda para o próximo canavial. Já é uma cana velha e não a melhor que poderia ser usada”, explica o consultor do IAC.
Ainda que as mudas pré-brotadas e a prática de meiosi ajudem um pouco, o modo de plantio faz que não seja possível grandes avanços. “Nos últimos dez anos, teve uma questão de crise do setor. Todo ano ouvimos a mesma conversa, de que o setor está muito endividado; e por que está endividado? Porque não produz muito, a quantidade é mais baixa do que poderia ser”, afirma.
Ainda assim, Braga pondera que, em 2020, os bons preços propiciaram certa recuperação em relação ao endividamento. “Mas não vemos isso se refletindo no investimento em mudança de variedades. O nosso setor é muito retrógrado em relação a isso e tem dificuldade de se arriscar”, opina.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana