A Usina São Manoel, no município de São Manuel, em São Paulo, faz o monitoramento dos recursos naturais utilizados em seus meios de produção e utiliza o sistema de cogeração de energia elétrica obtida a partir da queima do bagaço da cana.
Estima-se que, em São Paulo, a queima do bagaço da cana para cogeração de energia seja equivalente à produção de energia de uma Itaipu, ou 17% do consumo energético brasileiro.
Na usina, os principais indicadores de impacto estão focados no avanço da colheita mecânica da cana crua, na formação de mão de obra, investimento e maquinário e o desafio de colher em zonas de declive. Outro ponto importante é a redução da necessidade da queima da palha da cana, eliminando a emissão de C02, um dos principais gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global.
A meta para 2014 é ter 100% das áreas mecanizáveis (declividade até 12%) e 30% das áreas não mecanizáveis (declividade acima de 12%) com colheita sem queima.
Em 2017, a meta é eliminar totalmente o emprego do fogo para queima da palha, de acordo com o protocolo agroambiental do Estado de São Paulo. A operação exige alta tecnologia e mão-de-obra qualificada para mitigar perdas e manter a produção e, assim, a competitividade do negócio rentável.
Mas o principal aspecto a ser indicado, é a formação de profissional de mão de obra. Todas as empresas que assim o fizeram, conseguiram aumentar sua renda. De 2008 até hoje, um recrutamento interno na São Manoel possibilitou a abertura de mais de 250 cargos para a estrutura de mecanização. Cortadores e cortadoras de cana tornaram-se operadores(as), motoristas e mudaram de situação profissional por meio de treinamento e capacitação em dependências da usina. São realizados treinamentos em mecânica e eletricidade básica e em operação dos maquinários.
No caso da usina, com ainda mais aderência à questão ambiental, foi feita a execução do Plano de Recuperação das Áreas de Preservação Permanente (APP's). Trata-se de uma ação voluntária da empresa que, por meio de um viveiro de mudas, produzirá anualmente 100 mil essências florestais nativas da região. Delas, 60 mil serão para uso próprio nas áreas da usina e 40 mil serão doadas para os fornecedores de cana parceiros fazerem a recuperação dentro das suas respectivas áreas de proteção.
Todas essas ações mostram que é possível produzir com sustentabilidade. O exemplo da Usina São Manoel mostra que o setor sucroalcooleiro pode produzir e preservar com alta rentabilidade e investir no seu maior capital, que é a mão de obra especializada.