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Canal do Panamá lança projeto de gasoduto para transportar combustível dos EUA


Agence France-Presse - Publicado: 19 Set 2025 - 07:44

A Autoridade do Canal do Panamá (ACP) iniciou negociações nesta quinta-feira, 18, com 23 empresas interessadas no projeto de um gasoduto paralelo à via interoceânica para facilitar o transporte de combustível dos Estados Unidos para a Ásia.

A ACP prevê iniciar em 2027 a construção de um duto de 77 quilômetros para transportar propano, butano e etano provenientes da costa leste dos Estados Unidos com destino a China, Japão e Coreia do Sul, um negócio que a autoridade do canal estima que dobrará na próxima década.

O combustível chegaria em navios ao Caribe panamenho e, após cruzar o istmo através do gasoduto, seria reembarcado no Pacífico rumo à Ásia.

O canal “deu início ao processo de seleção de concessionário com uma primeira aproximação ao mercado, em um evento realizado na Cidade do Panamá, que contou com a presença de mais de 45 representantes de empresas do setor energético em nível mundial”, disse a ACP em um comunicado.

A nota acrescenta que entre as 23 empresas presentes estão as petroleiras Shell e ExxonMobil.

Na terça-feira, o chefe da ACP, Ricaurte Vásquez, afirmou que a demanda por gás de petróleo “vai dobrar nos próximos dez anos” e, se o Panamá não construir o duto, pode surgir “uma rota diferente” para o transporte.

O gasoduto poderia custar entre US$ 2 bilhões e US$ 8 bilhões (entre R$ 10,6 bilhões e R$ 42,4 bilhões), dependendo se por ele serão transportados os três gases ou apenas algum deles.

Cerca de 5% do comércio marítimo mundial circula pelo Canal do Panamá, cujos principais usuários são Estados Unidos e China.

Mais de 90% do propano, butano e etano enviados dos Estados Unidos à Ásia utilizavam o canal panamenho até 2023, mas esse percentual vem caindo.

O gasoduto, de acordo com as previsões da ACP, permitiria transportar 2,5 milhões de barris diários de combustíveis.

A ACP estima que o concessionário seja selecionado no quarto trimestre de 2026.

Vásquez acredita que o transporte de gás aumentará nos próximos anos devido à industrialização da Índia e à capacidade exportadora dos Estados Unidos.

O canal, inaugurado pelos Estados Unidos em 1914, conecta mais de 1,9 mil portos em 170 países.

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