Segundo o diretor presidente do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), César Barros, falar de maior potencial produtivo para o setor sucroenergético significa falar de melhoramento genético. A declaração foi dada nesta segunda-feira, 23, durante palestra na 23ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol.
“A gente acredita que a biotecnologia, com as plantas transgênicas, é o jeito mais eficiente de endereçar alguns dos problemas na lavoura. Isso é amplamente explorado em outros cultivos – como milho, soja e algodão – e ainda está em um caminho inicial em cana-de-açúcar”, declara.
Em relação aos futuros lançamentos nesta área, Barros relata que o CTC deve levar ao mercado a “segunda geração” de canas transgênicas com a proteína Bt, já presente nas variedades geneticamente modificadas disponíveis. “Isso traz ainda mais proteção contra esta importante praga, que é a broca”, completa.
Além disso, o diretor anunciou que a cana transgênica tolerante a herbicidas está em fase final de desenvolvimento. “Estamos próximos do lançamento. Tenho acompanhado o problema do setor com plantas daninhas, com grama-seda. Esta é uma solução economicamente viável, que vai trazer mais proteção e, por consequência, mais produtividade aos canaviais”, argumenta.
Ele ainda complementa que o CTC está desenvolvendo variedades para combate ao bicudo-da-cana (Sphenophorus levis). Segundo Barros, este inseto é a principal praga do setor no momento.
“A gente acredita que endereçar Sphenophorus via plantas transgênicas também é possível”, afirma e adianta: “Nós já encontramos uma proteína que controla esse inseto e, agora, estamos construindo a engenharia genética na planta para que essa proteína possa ser expressa no local correto”.
De acordo com o executivo, o CTC realiza a transformação de 12 plantas diariamente, em média. Com isso, o centro realizou 13,55 mil eventos geneticamente modificados no período de 2021 a 2023.
Renata Bossle – NovaCana