Os números finais oficiais de 2015 revelam que, após queda em 2014, participação da cana na matriz energética nacional voltou a crescer, alcançando mesmo nível de 2008
Nunca o Brasil extraiu tanto energia da cana quanto em 2015. O governo federal soltou no final da semana passada os dados consolidados da matriz energética brasileira em 2015. Para o mercado sucroenergético, uma série de novos dados atualizam a importância da cana-de-açúcar e seus derivados para o Brasil.
Entre os números do relatório está que, em 2015, a cana-de-açúcar correspondeu a 16,9% de toda a oferta nacional de energia – um crescimento de 1,2 pontos percentuais sobre os 15,7% registrados em 2014. O recorde foi alcançado em conteúdo energético, não em percentual (veja detalhes nos gráficos a seguir).
Esta atualização evidencia que as metas brasileiras estebelecidas na COP 21 não possuem, percentualmente, ambição alguma. O que o Brasil espera alcançar em 2030, 16%, é inferior o que foi efetivamente gerado no ano passado, 16,9%. Ou seja, para cumprirmos exatamente as metas da COP 21 para a cana-de-açúcar, será preciso que esta matéria-prima perca espaço frente as demais fontes de energia.
O portal NovaCana apresenta a seguir uma compilação com todos os dados atualizados envolvendo a cana-de-açúcar, etanol e bioeletricidade na matriz energética.
A seguir:
- Histórico da participação da cana-de-açúcar na matriz energética desde 2006
- 12 gráficos, tabelas e slides detalhando a presença da cana
- Participação do etanol e do bagaço de cana-de-açúcar no consumo de energia
- Participação da energia de biomassa na matriz elétrica nacional
O governo federal divulgou no final da semana passada os dados consolidados da matriz energética brasileira em 2015. Para o mercado sucroenergético, uma série de novos dados atualizam a importância da cana-de-açúcar e seus derivados para o Brasil.
Entre os números do relatório está que, em 2015, a cana-de-açúcar correspondeu a 16,9% de toda a oferta nacional de energia – um crescimento de 1,2 pontos percentuais sobre os 15,7% registrados em 2014.
Esta atualização evidencia que as metas brasileiras estebelecidas na COP 21 não possuem, percentualmente, ambição alguma. O que o Brasil espera alcançar em 2030 (16%) é inferior o que foi efetivamente gerado no ano passado (16,9%). Ou seja, para cumprirmos exatamente as metas da COP 21 para a cana-de-açúcar, será preciso que esta matéria-prima perca espaço frente as demais fontes de energia.
Esse índice do ano passado está no mesmo nível do registrado em 2008, mas ainda é inferior ao visto em 2009, quando a participação da cana-de-açúcar na oferta nacional de energia representou 18,1% do total.
O recorde foi alcançado em conteúdo energético, não em percentual (veja nos gráficos abaixo). Considerando o volume total de energia ofertada, o aumento em 2015 foi de 5%, indo de 48,2 Mtep para 50,6 Mtep. O valor mais alto já registrado dá continuidade ao crescimento que vem sendo observado desde 2012.





Esse aumento se refletiu também nos dados de consumo. Em 2015, a cana-de-açúcar somou 17,1% de participação, com o bagaço sendo responsável por 11% do total consumido de energia e o etanol por 6,1%. Em 2014, o bagaço correspondeu a 10,8% e o etanol a 5,1%, somando 15,9%.

Fatores externos beneficiaram resultados da cana
A oferta interna total de energia do Brasil atingiu 299,2 Mtep em 2015, um número 2,1% menor que os 305,5 Mtep registrados no ano anterior. Desse modo, o crescimento da participação relativa da cana-de-açúcar se deve não somente ao aumento observado na quantidade de energia ofertada pelas sucroenergéticas, mas também ao menor montante geral.
Segundo a EPE, parte desta queda foi influenciada pelo comportamento da oferta interna de petróleo e derivados, que retraiu 7,2% no período. “Contribuiu ainda para a queda da oferta interna bruta, o enfraquecimento da atividade econômica em 2015”, complementa o relatório.
Contudo, é preciso notar que o segmento de transporte – onde está a participação mais significativa da cana-de-açúcar –, enfrentou uma redução de 2,3 Mtep. Ainda que o óleo diesel seja considerado o grande ‘culpado’ por esse número, foi registrado um recuo de 9,7% na produção de gasolina, enquanto o consumo deste combustível reduziu 9,5%.
Dessa forma, o setor sucroenergético conseguiu crescer se aproveitando da queda de participação de mercado do combustível fóssil: “Estas reduções foram compensadas pela produção e consumo de etanol, que cresceram respectivamente 5,8% e 18,6% em relação ao ano anterior”.

Além disso, o documento do MME também destacou a maior competitividade do etanol hidratado em comparação com a gasolina C. Esse fator é parcialmente atribuído ao aumento da frota de veículos flex, possibilitando um consumo mais amplo do combustível renovável.

Geração elétrica com biomassa
A cana-de-açúcar também tem forte participação na oferta nacional de energia por meio do bagaço utilizado para cogeração. A biomassa – incluindo lenha, lixívia e outras fontes – representou 8% de toda a eletricidade gerada em 2015. Em 2014, esse índice era de 7,4%.

Em uma comparação realizada exclusivamente entre as termelétricas, a biomassa apresentou uma participação de 24,5%. A única fonte que ultrapassou esse valor foi o gás natural, com 39,7%.

Segundo o MME, as termelétricas de biomassa geraram 47.394 GWh de energia elétrica em 2015. Esse número representa um aumento de 5,3% em relação aos 44.987 GWh emitidos em 2014.

Consumo de energia do setor sucroenergético
Parte do consumo da energia produzida pelas sucroenergéticas se dá nas próprias companhias. Ao longo de 2015, as empresas do setor consumiram 13,2 Mtep, o equivalente a 26% dos 50,6 Mtep ofertados.
Na comparação com o consumo de 12,5 Mtep do ano anterior, esse novo resultado consolidado traz crescimento de 5,5%. Assim como aconteceu em 2014, o aumento foi justificado pelo MME como resultante de uma maior produção de etanol.

Renata Bossle – NovaCana