A reversão esperada por participantes não se concretizou, e os futuros de açúcar demerara subiram com força ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), para acima dos 15,50 cents por libra-peso. Analistas ponderam, contudo, que os ganhos desta quinta-feira se deveram quase que exclusivamente a um único fator: o câmbio no Brasil.
O dólar caiu 2,13% e encerrou a sessão em R$ 3,7459, dando suporte aos contratos. O movimento foi resultado do cenário político no Brasil, com o acolhimento do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Praticamente todos os ativos nacionais se valorizaram ontem, e a BM&FBovespa avançou 3,29%, para 46.393,26 pontos.
Entre outros assuntos, participantes seguem atentos às chuvas no Centro-Sul do Brasil, que só devem dar uma trégua na semana que vem, e à ampla posição comprada por fundos, passível de liquidação. Hoje a Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC) atualiza o commitments referente à semana encerrada em 1º de dezembro. No dia 24, a posição comprada era de 208 mil lotes, a maior desde 2008.
Março subiu 24 pontos (1,56%) e fechou em 15,58 cents/lb, com máxima de 15,65 cents/lb (mais 31 pontos) e mínima de 15,21 cents/lb (menos 13 pontos). Maio também avançou 24 pontos e terminou em 15,12 cents/lb. O spread março/maio permanece em 54 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.



Nos portos brasileiros, o total de navios que aguardam para embarcar açúcar aumentou de 55 para 64 na semana encerrada quarta-feira (2), segundo levantamento da agência marítima Williams Brazil. O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 3 de janeiro.
Foi agendado o carregamento de 2,076 milhões de toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos, de onde sairão 1,306 milhão de t, ou 63% do total. Paranaguá responderá por 26% (541,034 mil t); Maceió, por 6% (124,250 mil t); Recife, por 3% (64,900 mil t); e Suape, por 2% (40,500 mil t).
O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a quinta-feira em R$ 78,67/saca, alta de 0,22% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 20,98/saca (+2,74%).
