NovaCana

Calotes de sucroenergéticas são incluídos em estudo da S&P sobre renegociação de dívidas

Setor aparece com dificuldades, mas capaz de dar a volta por cima em alguns casos

NovaCana 5 min de leitura

A agência de classificação de risco S&P Global Ratings fez um estudo dos calotes de dívidas de empresas brasileiras nos últimos 20 anos. Os resultados indicam uma piora na tendência de recuperação em comparação com os anos 2000, mesmo que alguns números sejam melhores.

Nomes do setor sucroenergético constam dentre as empresas estudadas pela agência. Além disso, o setor também aparece em uma análise mais ampla sobre a recuperação de situações de calote.

Dos 34 grandes casos estudados nestas duas décadas, 16 foram resolvidos e possuem dados disponíveis, dez não têm resultados divulgados e oito permanecem com dívidas não pagas. Estes casos, inclusive, se concentram especialmente nos setores que sofreram mais com crises que afetaram várias empresas, como o sucroenergético, os serviços de utilidade pública e as emissoras de TV a cabo.

Confira, na versão completa:

- A participação do setor sucroenergético no estudo
- Os casos de recuperação do setor
- Os setores com os melhores e os piores índices de recuperação

A agência de classificação de risco S&P Global Ratings fez um estudo dos calotes de dívidas de empresas brasileiras nos últimos 20 anos. Os resultados indicam uma piora na tendência de recuperação em comparação com os anos 2000, mesmo que alguns números sejam melhores.

Nomes do setor sucroenergético como USJ Açúcar e Álcool, Tonon Bioenergia e Aralco constam dentre as empresas estudadas pela agência. Além disso, o setor também aparece em uma análise mais ampla sobre a recuperação de situações de calote.

Dos 34 grandes casos estudados nestas duas décadas, 16 foram resolvidos e possuem dados disponíveis, dez não têm resultados divulgados e oito permanecem com dívidas não pagas. Estes casos, inclusive, se concentram especialmente nos setores que sofreram mais com crises que afetaram várias empresas, como o sucroenergético, os serviços de utilidade pública e as emissoras de TV a cabo.

“O setor de agronegócio e bens de consumo registrou o maior número de defaults [nos últimos 20 anos], após várias processadoras de cana-de-açúcar se tornarem insolventes em 2014 e 2015 devido a um declínio severo nos preços do açúcar, somado a condições climáticas adversas”, explica o documento.

Além disso, na comparação com os outros meios, os setores de bens de capital, energia e recursos naturais apresentaram recuperação muito baixa nas últimas duas décadas. Isso se deve, principalmente, à forte queda nos preços de commodities, que afetaram os negócios de várias empresas, bem como suas cadeias de valor.

sp calote 1 setores

A troca da USJ Açúcar e Álcool

Mesmo com dados desanimadores para o setor, a recuperação de alguns grupos se destacou no estudo. É o caso da USJ Açúcar e Álcool, que teve um tempo de recuperação do calote bem curto – sete dias –, mantendo a média de 2016 baixa. Na avaliação da S&P, a nota da companhia atualmente é CCC+ com perspectiva estável.

À época, a empresa tinha deixado de pagar os juros referentes a notas sem garantia no valor de US$ 245,9 milhões, com vencimento em 2019. Porém, a companhia conseguiu negociar com os credores em pouco tempo – após o calote, eles aceitaram a oferta de troca de 89,42% dos títulos, que agora vencem em 2021.

O caso de inadimplência da USJ, no critério da S&P, é chamado de oferta de troca distressed, ou de papéis. “Uma situação em que uma emissão é total ou parcialmente recomprada por um montante de caixa ou substituída por outro instrumento”, define.

O documento demonstra que trocas distressed costumam ter melhores taxas de recuperação e menor tempo até a emergência, em comparação com os outros tipos de recuperação. O caso da USJ corrobora com essa conclusão.

A S&P explica que isso acontece porque essas negociações “geralmente envolvem termos mais favoráveis”, fazendo com que sejam concluídas mais rapidamente do que reestruturações ou recuperações judiciais. Foi essa negociação que fez a agência retirar a USJ da área de risco.

Os casos da Tonon

A S&P também analisou dois casos de calote da Tonon Bioenergia. O primeiro, de 14 de julho de 2015, tratava de uma troca distressed e, conforme esperado, demorou apenas três dias até a resolução.

A classificação de calote foi dada pela demora da empresa na realização do pagamento de juros da sua dívida senior secured no valor de US$ 283,8 milhões, com vencimento em 2024, devidos naquele mês. A recuperação aconteceu em 17 de julho do mesmo ano.

O segundo caso que envolve a Tonon é de dezembro de 2015, porém, envolve a recuperação judicial da companhia. A agência rebaixou as notas de crédito da empresa, pois este cenário normalmente dificulta as operações, o que poderia influenciar nos pagamentos de dívidas.

Na expectativa da agência, empresas que deixam de pagar suas obrigações e passam por este processo, em geral, precisam pagar as dívidas ou serão liquidadas. Quando o calote é resolvido, “os credores em geral recebem um montante em caixa, novos instrumentos (possivelmente dívida ou ações), ativos ou recursos da venda de ativos, ou uma combinação destes”.

Neste caso da Tonon, a empresa conseguiu pagar o calote referente a uma dívida de US$ 530 milhões, porém, o período de inadimplência durou 504 dias, encerrando-se em maio de 2017.

Na sequência, a empresa aprovou com seus credores um novo plano de recuperação judicial, que previa a venda de duas de suas usinas. O negócio foi oficialmente fechado em agosto, com parecer favorável do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para a oferta de R$ 823 milhões feita pela Raízen.

A reestruturação da Aralco

Já a Aralco entrou em um processo de reestruturação em março de 2014. Enquanto a troca distressed envolve a troca por uma ou outra emissão, uma reestruturação “pode abranger uma combinação de elementos na troca”, explica o documento.

O processo da Aralco envolveu uma dívida não paga de US$ 250 milhões e demorou 272 dias para ser solucionado, finalizando em dezembro de 2014. Na mesma ocasião, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial.

sp calote 2 empresas

Rafaella Coury – NovaCana

Compartilhar: