A Califórnia, principal estado importador do etanol de cana-de-açúcar nos Estados Unidos, sinaliza que pode reduzir o impacto da mudança no uso indireto da terra (ILUC, na sigla em inglês) para o biocombustível de cana brasileiro. Uma alteração no ILUC do etanol brasileiro reduziria a intensidade de carbono relacionado ao combustível, o que o torna ainda mais atrativo no mercado californiano.
Nesta terça-feira (11) o Conselho de Qualidade do Ar da Califórnia (CARB) está debatendo as possíveis mudanças no Padrão de Combustíveis de Baixo Carbono (de Low Carbon Fuel Standard – LCFS). A lei foi estruturada em 2009 e estabelece metas até 2020 para reduzir a poluição no estado. Entre as proposta de revisão está a redução do ILUC para o etanol de cana-de-açúcar, assim como para o etanol de milho e o biodiesel de soja.
A proposta foi recebida com entusiasmo pela Unica. "A proposta do CARB para rever a mudança no uso indireto da terra (ILUC) estimada pelo LCFS mostra que o biocombustível de cana brasileiro gera cerca de metade das emissões indiretas que o CARB originalmente sugeriu durante o seu processo de regulamentação em 2009", escreveu hoje a representante da Unica na América do Norte, Leticia Phillips, em texto publicado na
página SugarCane.org.
Atualmente o LCFS atribui ao etanol brasileiro uma pegada de carbono 46 g/MJ relacionado ao ILUC. Caindo pela metade, esse valor ficaria próximo ao que é defendido pela iniciativa da Raízen que tenta aprovar uma
nova classificação para o etanol de melaço no mercado californiano.
A estimativa se baseia em uma pesquisa elaborada por peritos contratados pelo CARB e indica, de acordo com Phillips, "novas evidências convincentes sobre o papel que a cana-de-açúcar pode desempenhar para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e reduzir o uso de petróleo".
Mesmo que o etanol doméstico dos EUA também seja beneficiado com a revisão dos valores, o produto brasileiro continuaria sendo mais vantajoso ambientalmente. Pela proposta do CARB, enquanto o ILUC do etanol de cana cairia pela metade, o do etanol de milho seria reduzido em apenas 20%. Ou seja, é possível que a vantagem ambiental do carburante de cana ainda se amplie.
A possibilidade já preocupa a Associação de Combustíveis Renováveis (RFA, na sigla original), a entidade que congrega os produtores de biocombustível norte-americanos. Para o presidente da RFA Bob Dinneen, se o CARB reduzir em apenas 20% o ILUC do etanol de milho, o produto doméstico "acabará por ser substituído por combustível importado de preço mais elevado".
Já os produtores brasileiros, escaldados com propostas de revisão de mandatos de combustíveis que restringem o espaço de etanol de cana no mercado internacional, tem motivo para se animar. "A Unica aplaude a proposta do CARB para revisitar suas estimativas originais, colocando a ciência em primeiro lugar. Estamos ansiosos para fornecer comentários detalhados a esta proposta CARB, como fizemos no passado", disse Phillips.
Amanda SchArr – novacana.comCom informações do DomesticFuel.com