Os valores são o resultado de um novo modelo de cálculo da intensidade de carbono dos combustíveis e não simplesmente uma atualização do modelo até então em curso
Em meio a intensas discussões sobre o novo Padrão de Combustíveis de Baixo Carbono da Califórnia (LCFS, na sigla em inglês), um dos mercados mais atrativos para as exportações brasileiras de etanol, o Conselho da Qualidade do Ar (Carb) propôs oficialmente na semana passada mudanças que, se aprovadas, beneficiarão o biocombustível tupiniquim.
Numa etapa de negociação com usinas, entidades governamentais e indústria petroleira, o conselho discutiu novas propostas para a legislação, que visa reduzir a emissão de gases poluentes em 10% até 2020.
Segundo o Carb, os valores apresentados a seguir são o resultado de um novo modelo de cálculo da intensidade de carbono dos combustíveis e não simplesmente uma atualização do modelo até então em curso.
A proposta gerou críticas tanto das usinas brasileiras quanto dos fabricantes de etanol de milho.
Em meio a intensas discussões sobre o novo Padrão de Combustíveis de Baixo Carbono da Califórnia (LCFS, na sigla em inglês), um dos mercados mais atrativos para as exportações brasileiras de etanol, o Conselho da Qualidade do Ar (Carb) propôs mudanças que, se aprovadas, beneficiarão o biocombustível tupiniquim.
Numa etapa de negociação com usinas, entidades governamentais e indústria petroleira, o conselho discutiu em um workshop, na semana passada, novas propostas para a legislação, que quer reduzir a emissão de gases poluentes em 10% até 2020.
Uma delas é a redução da intensidade de carbono (CI) do biocombustível brasileiro, que num contexto de produção otimizada, com colheita mecanizada e exportação de energia, poderá cair de 58,40 gCO2/MJ para 42,89 gCO2/MJ, já incorporando a penalidade de 11,8 gCO2/MJ do chamado efeito indireto do uso da terra (ILUC).
Segundo o Carb, os valores apresentados abaixo são o resultado de um novo modelo de cálculo da intensidade de carbono dos combustíveis e não simplesmente uma atualização do modelo até então em curso.
Mesmo a rota de produção menos otimizada para o etanol de cana é superior ao etanol de milho produzido nos Estados Unidos, cuja intensidade de carbono foi estimada pelo Carb em 80,09 gCO2/MJ.
O etanol de cana também leva vantagem em relação ao concorrente de milho nos valores de ILUC. O ILUC proposto para o renovável brasileiro é 11,8 gCO2/MJ, enquanto que para o etanol de milho a penalidade é de 19,8 8 gCO2/MJ.
RFA e Unica comentam
Em comunicado, a Associação dos Combustíveis Renováveis (RFA) criticou os valores de ILUC propostos para o etanol de milho.
“As novas estimativas da agência estão muito acima das projeções da comunidade científica. Além disse, o Carb continua a se basear em cenários especulativos e hipotéticos para gerar as penalidades de ILUC, ao invés de usar dados do mundo real quanto ao uso da terra”, disse o vice-presidente da entidade, Geoff Cooper.
A Unica, por sua vez, ressaltou as vantagens do etanol de cana, “o biocombustível com menor [intensidade] de carbono disponível hoje em escala comercial”, mas cobrou o reconhecimento dos benefícios ambientais da cogeração das usinas brasileiras. “Estamos desapontados que o Carb tenha escolhido uma matriz de eletricidade média ao estilo americano, ao invés de creditar os produtores do biocombustível de cana por esta substituição marginal da energia fóssil”, disse a representante da Unica nos Estados Unidos, Leticia Phillips.
As propostas discutidas no workshop de 3 de abril, assim como os próximos passos para a aprovação da legislação, estão disponíveis aqui.
Leonardo Siqueira – NovaCana


