O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deve instaurar, em breve, múltiplas investigações por formação de cartel com base em dados compartilhados pela Polícia Federal (PF), segundo apurado com exclusividade pelo Valor Econômico.
As apurações derivam da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto para combater fraudes tributárias e a infiltração de organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), e empresas da Faria Lima no setor de combustíveis.
As informações foram confirmadas pelo presidente do Cade, Gustavo Augusto, em entrevista exclusiva ao Valor Econômico.
A movimentação ocorre após reunião entre o presidente do órgão antitruste e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Segundo o Valor Econômico, o Cade foi acionado para atuar na análise de irregularidades administrativas relacionadas à formação de cartel.
Atualmente, a área técnica do conselho analisa os dados recebidos para oficializar a abertura dos inquéritos. O setor de combustíveis foi estabelecido como prioridade pelo Cade este ano, atendendo inclusive a provocações do Ministério de Minas e Energia (MME) para investigações específicas.
"Vamos detalhar a parte de compartilhamento de informações, estabelecendo um protocolo específico para o setor de combustível", afirmou Gustavo Augusto ao Valor Econômico.
O presidente do Cade destacou ainda ao veículo a correlação direta entre as práticas anticoncorrenciais e a criminalidade: "Todo cartel, por definição, é crime organizado, porque você tem um conjunto de pessoas que está praticando algo que é um crime, e o cartel no Brasil é crime", explica.
NovaCana
Com informações de Valor Econômico
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