Indústria

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[Atualizada] Bunge pode vender negócios de açúcar e bioenergia


NovaCana - Publicado: 25 Out 2013 - 09:19
A Bunge, uma das maiores comercializadoras de commodities agrícolas do mundo, sinalizou que está considerando vender seus negócios de processamento de cana-de-açúcar, apesar dos pesados investimentos feitos neles nos últimos anos.

"Levando em conta os desafios enfrentados pela indústria brasileira, iniciamos um processo abrangente de exploração de todas as alternativas para otimizar o valor deste negócio", o presidente-executivo da empresa, Soren Schroeder, declarou em nota.

O anúncio veio logo após a empresa registrar uma perda líquida de US$ 120 milhões (atribuível aos acionistas), ou US$ 1,66 por ação, no seu terceiro trimestre, ante o lucro líquido de US$ 297 milhões, ou US$ 1,91 por ação do ano anterior.

Os ganhos, inferiores às expectativas de mercado, foram puxados para baixo pelo desempenho do setor de açúcar e bioenergia da companhia, que registrou uma perda de US$ 19 milhões no trimestre e forçou a Bunge a gastar US$ 415 em encargos após impostos.

A indústria sucroenergética brasileira tem enfrentado problemas de capacidade e a grande produção de açúcar do país pressiona preços e margens. As expectativas de que o governo incentivasse o uso do etanol de cana nos meios de transporte atrairam muitos traders de commodities e grupos do setor energético para a produção sucroalcooleira, como a BP PLC, Olam e Bunge, a qual, segundo estimativas de analistas, gastou mais de US$ 2 bilhões comprando ativos no Brasil.

Contudo muitos negócios enfrentaram um ambiente operacional desafiante, especialmente no que diz respeito aos altos custos de produção e financiamento, e aos limites do governo aos preços domésticos da gasolina, que acabam limitando também os ganhos no etanol. De acordo com a Bunge, foram estes os problemas que atingiram suas oito usinas brasileiras, além dascondições climáticas desfavoráveis e dos baixos preços do açúcar.

"Custos mais baixos a partir de uma maior moagem e melhoria na produtividade foram mais do que compensados pelos baixos preços do açúcar, além de custos relacionados à manutenção de terra nas quais não cultivaremos cana este ano devido ao tempo chuvoso", dizia a nota.

Analistas da Morgan Stanley afirmaram: "O lucro registrado no terceiro trimestre, de US% 2,05 por ação, ficou abaixo da nossa estimativa, de US$ 2,27, e da do mercado, de US$ 2,21, principalmente devido a novos desafios em um setor permanentemente desafiador".

Segundo informações da Reuters, a companhia não tem prazo para a revisão de alternativos para os negócios de açúcar e bioenergia, e ainda não discutiu a possível venda com qualquer pretendente.

A Bunge disse ainda que seus negócios no setor sucroenergético devem registrar perdas no quarto trimestre e que não iria mais investir neles.

"Em 2014, vamos gerir nosso negócio de moagem de cana para que o fluxo de caixa livre seja positivo, com reinvestimento dedicado à manutenção e a projetos de eficiência agrícola e industrial", afirmou a empresa.

Resultados da empresa

Apesar de fazer parte do grupo dos quatro maiores players do mercado, a Bunge teve prejuízo líquido de US$ 120 milhões no terceiro trimestre, que terminou 30 de setembro, ante um lucro de US$ 297 milhões no mesmo trimestre há um ano. A receita do trimestre foi de US$ 14,7 bilhões. Há um ano, a receita foi de US$ 16,5 bilhões e, de acordo com a Thomson Reuters, a expectativa dos analistas era de que ficasse em US$ 16,9 bilhões.

Schroder, que assumiu o comando em 1 de junho, declarou anteriormente que, para impulsionar os resultados financeiros, a Bunge iria cortar seus gastos de capital em 2013 para 1 bilhão de dólares (ante 1,2 bilhão)

Gregory Meyer and Neil Hume (Financial Times)
Com informações da Reuters
Tradução e adaptação: Vivian Faria – novaCana.com