Sócia da Bunge em duas usinas, a JB BioEnergy, subsidiária da japonesa Itochu, quer deixar o mercado de açúcar e etanol brasileiro. Com participação de 20% nas unidades Agroindustrial Santa Juliana, em Minas Gerais, e Pedro Afonso Açúcar e Bioenergia, em Tocantins, a japonesa busca vender a sua participação para a empresa controladora que detém os 80% restantes.
O ato de concentração foi solicitado pela Bunge, que deve se tornar controladora exclusiva das duas unidades, ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).
Na petição enviada ao conselho em 29 de julho, a companhia justifica que "a consolidação do controle das empresas alvo pela Bunge decorre da definição da sócia (Itochu) de se retirar do mercado de açúcar e bioenergia brasileiro em razão das incertezas de mercado atuais".
Entre 2008 e 2011 a Itochu investiu cerca de US$ 160 milhões para ter participação de 20% nas unidades.
Procurada pelo novaCana, a Bunge omitiu a natureza da operação, definindo o processo apenas como "formalidade", citando a subsidiária da Itochu ainda como parceira.
"Informamos que a Bunge e a JB Bioenergy já são sócias e essa ação publicada no Diário Oficial da União de hoje [sexta-feira] é o cumprimento de uma formalidade junto ao CADE para ajustes societários", diz a nota enviada através da assessoria de imprensa.
Questionada novamente sobre a saída da japonesa das duas usinas sucroalcooleiras, a empresa informou que não se posicionaria. Ao Cade a Bunge esclareceu ainda que "para a Itochu, a saída da parceria se deve às incertezas de rentabilidade futura do negócio, resultante das políticas governamentais adotadas para combate à inflação".
O valor e a forma de pagamento da operação foram informadas ao conselho sob confidencialidade, assim como informações financeiras da companhia.
EmpresasA Itochu é uma das principais tradings globais do Japão e se uniu à Bunge em setembro de 2008, quando as gigantes formaram duas joint ventures. A primeira com o objetivo de expandir a usina mineira de Santa Juliana, elevando sua capacidade de 1,6 para 4,2 milhões de toneladas, e a segunda joint venture para o projeto greenfield da Pedro Afonso, inaugurado em 2011. Em cada uma das unidades a JB BioEnergy detinha participação de 20%.
Seis anos após o início da sociedade que previa o investimento de US$ 800 milhões nas duas usinas, a japonesa está prestes a deixar o mercado sucroalcooleiros e seus repetidos prejuízos. Em 2013 as perdas da Agroindustrial Santa Juliana foram de US$ 267,2 milhões e o prejuízo da Pedro Afonso de US$ 142,1 milhões, segundo levantamento da Revista Exame. Os resultados colocam as duas usinas entre as cinco (das 78 listadas) que mais perderam com a operação no setor durante o ano passado (
leia mais aqui). As duas unidades também fecharam 2012 no vermelho, embora com perdas muito menores.
Com oito usinas, a Bunge não tem uma opinião diferente da creditada à ex-sócia. Em maio o presidente-executivo da Bunge, Soren Schroder, afirmou não esperar qualquer mudança significativa sobre o subsídio à gasolina antes das eleições e por isso colocou o negócio sucroalcooleiro sob "revisão estratégica". O mercado entendeu a deixa como uma
sinalização de venda, o que já havia sido adiantado por Pedro Parente, que presidia a empresa no Brasil, embora oficialmente a Bunge tenha desmentindo a informação.
Amanda SchArr – novaCana.com