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Para BTG Pactual, venda da usina Santa Elisa reforça “senso de urgência” da Raízen


Money Times - Publicado: 16 Jul 2025 - 14:08

A Raízen informou nesta terça-feira, 15, a venda de todas suas áreas de fornecimento de cana-de-açúcar próprias e de terceiros associadas à usina Santa Elisa por R$ 1 bilhão.

Segundo o BTG Pactual, a negociação representa cerca de 5% do volume de cana-de-açúcar previsto para ser processado na safra 2025/26 e reforça o “senso de urgência” na reestruturação da gestão, que começou no final do ano passado.

“A operação ocorre após a venda de quase 2,5 milhões de toneladas ao ano de outros ativos de cana de usinas anteriormente vendidas ou desativadas, totalizando uma redução de 6,1 milhões de toneladas (mais de 6% do total) no negócio agrícola da companhia desde que ela iniciou um processo de otimização de ativos”, apontam Thiago Duarte e Guilherme Guttila.

Para os analistas, o movimento é bastante simbólico, já que a Santa Elisa é uma das usinas mais tradicionais do Brasil, situada em uma região historicamente canavieira.

“É claro que uma injeção de caixa não altera significativamente a situação de uma empresa com mais de R$ 40 bilhões em dívida líquida, mas acreditamos que isso vai além do aspecto financeiro”, afirmam os analistas.

Eles completam: “Ao se desfazer de alguns de seus ativos menos eficientes, a Raízen também pode melhorar o desempenho operacional geral, para uma companhia que se tornou uma das produtoras de maior custo entre as empresas sucroalcooleiras do Brasil”.


O BTG Pactual tem presença confirmada na Conferência NovaCana 2025, que acontece em São Paulo (SP) nos dias 15 e 16 de setembro. O analista de equity Thiago Duarte será um dos palestrantes no painel “O futuro do etanol no Brasil: desafios, oportunidades e a ascensão do etanol de cereais”. Clique aqui para acessar a programação completa.


São Martinho

Entre os compradores, a São Martinho pagará R$ 242 milhões por uma área de aproximadamente 10 mil hectares, capaz de fornecer até 800 mil toneladas de cana por ano, que serão absorvidas pela usina São Martinho, localizada a uma distância média de 25 km dessa área.

De acordo com os analistas do BTG, a compra implica em um múltiplo de aquisição em torno de US$ 50 por tonelada, o que acreditam estar abaixo do custo de reposição para o cultivo de cana em uma das áreas mais valiosas e produtivas do Brasil.

“Esse múltiplo também é inferior ao valor em EV/tonelada negociado pela ação no mercado”, relatam, referindo-se à relação entre o valor da empresa e a moagem.

Assim, o banco segue com recomendação de compra para Raízen (preço-alvo de R$ 3,50 e potencial de alta de R$ 130,26%) e para a São Martinho (preço-alvo de R$ 39 e potencial de alta de 123,62%).

Pasquale Augusto