O banco de investimentos BTG Pactual, considerado um dos mais importantes da América Latina, recentemente reafirmou suas expectativas de aumentos nos preços das ações de empresas brasileiras do setor sucroalcooleiro
O banco de investimentos BTG Pactual, considerado um dos mais importantes da América Latina, recentemente reafirmou suas expectativas de aumentos nos preços das ações de empresas brasileiras do setor sucroalcooleiro. Contudo, a instituição questiona a perspectiva de uma safra inferior à prevista, além de apontar dúvidas sobre o aumento da Cide, que poderia beneficiar os preços do etanol.
Confira a seguir as previsões do banco para o preço esperado das ações das sucroalcooleiras, valorização do etanol na usina e as expectativas de moagem ao final da safra 2015/16.
O banco de investimentos BTG Pactual, considerado um dos mais importantes da América Latina, recentemente reafirmou suas expectativas de aumentos nos preços das ações de empresas brasileiras do setor sucroalcooleiro. Contudo, a instituição questiona a perspectiva de uma safra inferior à prevista, além de apontar dúvidas sobre o aumento da Cide, que poderia beneficiar os preços do etanol. Avaliação foi feita antes do governo propor o pacote de medidas fiscais, na noite ontem, em que o imposto sobre a gasolina não foi incluído.
O banco prevê que as ações do Grupo São Martinho, que fecharam sexta-feira em R$ 35,50 na Bovespa, devem atingir R$ 47 por ação. Já as ações da Cosan devem alcançar R$ 31, o que implica em um valor mais do que dobrado em relação aos níveis atuais de R$ 18,89.
Por sua vez, o grupo Adecoagro, listado em Nova York, tem uma previsão de chegar a US$ 14, sendo que na última sexta-feira suas ações estavam sendo negociadas em US$ 8,08.
A previsão do banco reflete "melhores perspectivas" para o açúcar e, em particular, para os preços do etanol. A perspectiva é que os valores do biocombustível aumentem " dois dígitos", adequando-se a uma situação de crescente demanda e queda futura no suprimento.
Rendimento pode ser ainda maior
Para a realização das previsões o BTG realizou uma reunião com a diretora da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina. De acordo com ela, a safra de cana na região Centro-Sul, responsável por cerca de 90% da produção nacional, poderia exceder os 590 milhões de toneladas inicialmente esperadas, um aumento de 3,3% em relação ao último ano.
"A Unica agora está insinuando que a produção poderia ser ainda maior, dependendo dos padrões de chuvas", disse o BTG Pactual.
No entanto, os comentários contrastam com outras avaliações de dados da Unica. No mais recentemente acompanhamento, referente à segunda quinzena de agosto, a moagem de cana na safra 2015/16 atingiu 374,25 milhões de toneladas, um crescimento de 0,4% em comparação com o ano anterior – dado anterior às fortes chuvas que atrapalharam a colheita no início deste mês.
"Um especialista nos deu a opinião de que a moagem teria dificuldade para superar 590 milhões de toneladas", disse o negociador do setor Marex Spectron. De acordo com ele, a análise é do presidente de uma grande empresa de cana-de-açúcar brasileira, mas, uma vez que o comentário foi feito em confiança, Spectron não revelou um nome para o Agrimoney.com, site que realizou a entrevista.
Há abundância de cana-de-açúcar
“A moagem é menor que o consenso”, acrescentou Spectron. De acordo com ele, isso implica em afirmar que as colhedeiras estão cobrindo mais terreno para cortar menos cana, ou seja, que há uma queda no rendimento agrícola.
No entanto, a principal questão levantada não é relativa a quantidade de cana, mas se há tempo e capacidade para processar. “Há uma abundância de cana. Não haverá escassez”, disse, prevendo a possibilidade de que entre 20 e 30 milhões de toneladas de cana de transição sobrem no final da safra, sendo colhidas em 2016/17.
Na verdade, a própria Unica, em seu relatório quinzenal, destacou o potencial para um aumento do volume de cana de transição no estado de São Paulo, onde a moagem está aproximadamente 10 milhões de toneladas abaixo do volume registrado no ano passado.
Meta possível de ser alcançada
Apesar dessas perspectivas, a ED&F Man, empresa especializada no comércio de commodities agrícolas, sinalizou na semana passada que o potencial para a colheita de cana no Centro-Sul do Brasil deve exceder os 590 milhões de toneladas. No entanto, a produção de açúcar pode ser prejudicada pelas fortes chuvas trazidas para a região pelo fenômeno meteorológico El Niño.
“Nós acreditamos que a meta de 594 milhões de toneladas de cana-de-açúcar é viável, mesmo com o tempo não sendo o ideal”, disse um representante da empresa, que acrescenta: “Em 2009, afetado pela chuva e pelo El Niño, o Centro-Sul esmagou mais de 220 milhões de toneladas de cana entre setembro e janeiro, uma quantidade similar a necessária para atingir a meta deste ano”.
Aumento da Cide pode beneficiar etanol
O BTG Pactual também sinalizou em sua análise a possibilidade de um crescimento nos preços da gasolina. Ele seria derivado de um aumento na Cide, taxação que estava sendo analisada pelo governo, mas que ficou de fora das medidas propostas para o equilíbrio das contas públicas.
Antes da divulgação do pacote fiscal pelo governo, Elizabeth Farina, da Unica, disse ao BTG estar “confiante de que uma elevação na Cide ainda está sendo considerada, apoiada por argumentos econômicos e ambientais favoráveis”. Os cálculos da Unica apontavam haver espaço para que o imposto sobre a gasolina suba R$ 0,50 por litro, indo de R$ 0,10 para R$ 0,60, o que permitiria um aumento equivalente nos preços de seu combustível rival, o etanol.
No entanto, ainda existe uma grande incerteza sobre o nível de um aumento na Cide e quando ele pode ser implementado.
Suprimento versus demanda
Mesmo sem um aumento da Cide, o BTG Pactual prevê um crescimento nos preços de etanol graças a procura interna pelo biocombustível que tem cresceu em torno de 21% ao longo do ano, número puxado por um aumento de 40% no consumo de etanol hidratado.
Contudo, os preços do etanol ainda precisam acompanhar esse patamar, uma vez que estão sendo prejudicados pelos grandes estoques do início da safra 2015/16 e pela inesperada grande proporção de cana que está sendo direcionada para a produção do biocombustível nesta safra, em detrimento do açúcar.
“Esperamos que a disponibilidade de etanol venha a desacelerar, de modo que os níveis de suprimento não sejam capazes de lidar com o consumo”, aponta o BTG Pactual, que continua: “Por isso, acreditamos que os preços do etanol devem aumentar dois dígitos, a fim de equalizar a demanda”.
Tradução e adaptação NovaCana do texto do Agrimoney