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BTG e Itaú estão otimistas com as perspectivas para a 3tentos em 2026

Bancos destacam que a empresa está bem posicionada para acelerar seu crescimento nos próximos anos


Exame - Publicado: 05 Dez 2025 - 08:38

A 3tentos – empresa que atua no varejo, na comercialização e na indústria de grãos – deve começar 2026 com a confiança renovada.

Em relatórios publicados após o Investor Day da companhia, na última quarta-feira, 3, os bancos BTG e Itaú destacaram que a empresa está bem posicionada para atravessar um ciclo mais fraco do agronegócio e acelerar seu crescimento nos próximos anos – ambas as instituições mantiveram recomendação de compra para o papel.

O relatório do BTG traz números que reforçam o otimismo: o banco projeta uma receita de R$ 18 bilhões em 2026, acima dos R$ 15,6 bilhões estimados para 2025, e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 1,331 bilhão – um avanço significativo em relação ao resultado de 2025, estimado em R$ 1,184 bilhão.

Segundo o banco, no Investor Day, a empresa apresentou um time “coordenado e confiante”. A visão do BTG é que a companhia mantém um modelo de negócios “altamente replicável e com muitos anos de crescimento de dois dígitos pela frente”. A expansão da companhia para o Norte também foi considerada estratégica pela casa.

O BTG destaca que a entrada em novos estados vai aproximar a empresa de “dois terços da produção nacional de grãos”, ampliando o potencial de atuação em originação.

A 3tentos anunciou a compra da Grão Pará Bioenergia, com foco na produção de etanol de milho e grãos secos de destilaria (DDG), um coproduto do biocombustível. O investimento total é estimado em R$ 1,15 bilhão.

A conclusão do projeto está prevista para o segundo semestre de 2028 e a planta terá capacidade de processar 2,1 mil toneladas de milho e produzir 935 mil litros de etanol, além de 587 toneladas de DDGS e 37 toneladas de óleo por dia. A transação depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

“A originação de grãos já é mais do que suficiente para as necessidades do moinho e espera-se que cresça de maneira significativa. Além disso, o estado possui o segundo maior rebanho bovino do Brasil, criando um mercado amplo e estruturalmente pouco atendido para o DDG, um importante impulsionador da demanda por subprodutos”, diz o relatório.

Em um 2024 de margens apertadas para o agronegócio, a receita da 3tentos cresceu 42% na comparação com 2023, e alcançou 12 bilhões de reais, enquanto a rentabilidade aumentou 30%. Como resultado, o BTG atribuiu à 3tentos preço‑alvo de R$ 26,00 por ação.

No Itaú, a leitura é de resiliência operacional. O banco afirmou que a 3tentos “continua provando sua execução operacional como um fator de destaque, mesmo em um ambiente mais suave para produtores e para a cadeia”, destacando que o guidance para 2026 indica um lucro bruto consolidado “cerca de 3% acima” do previsto anteriormente.

No fato relevante enviado ao mercado, a 3tentos reforçou que as projeções não são um guidance, mas “aspirações”. Para o Itaú, o aumento dos volumes de óleo de soja e biodiesel – que devem alcançar 911 mil toneladas – deve elevar em aproximadamente 7% o resultado industrial no ano.

O banco também vê como positiva a expansão geográfica anunciada pela empresa, que pretende avançar para os estados do Pará, Tocantins, Goiás e Minas Gerais, regiões com forte crescimento estrutural na produção de soja e milho de segunda safra.

Além dos grãos, a 3tentos apostas na canola e no sorgo. Em entrevista à Exame, em setembro deste ano, o CEO da companhia, João Marcelo Dumoncel, disse que a aposta em culturas alternativas, reflete também uma visão de longo prazo. A expectativa é que a área cultivada com a planta aumente de 50 mil para 100 mil hectares em 2026.

“Isso é o que estamos buscando e confiamos que continuará sendo o motor do nosso crescimento”, disse. Neste ano, a 3tentos liderou a lista das Melhores e Maiores empresas, publicada anualmente pela Exame.

César H. S. Rezende