As regras finais para o consumo de combustíveis renováveis nos Estados Unidos até 2016 devem ser anunciadas no próximo dia 30, segunda-feira, pela Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) do país. Enquanto a data se aproxima, todos os lados do contencioso debate sobre quanto de etanol será misturado à gasolina estadunidense estão fazendo seus discursos finais para a administração federal.
Representantes da liderança dos democratas no Congresso estão pressionando o presidente Barack Obama para não retroceder sobre as metas do programa há poucos dias da Conferência do Clima em Paris (COP21).
"Nós esperamos que você tenha em mente a necessidade de reduzir a poluição de carbono e não expandi-la no setor de transportes nos dias que antecedem a esforços históricos do presidente em Paris”, disseram os congressistas democratas liderados por Nancy Pelosi em uma carta ao assistente de Obama e conselheiro sênior, Brian Deese.
A intervenção parlamentar vem na esteira de uma companha publicitária lançada pelo Fuels America, a coalizão formada por produtores de biocombustíveis dos EUA, como DuPont, Royal DSM NV e Poet LLC. A campanha é considerada pelos produtores como “a última grande oportunidade” para obter a atenção do presidente e pressionar o governo a aumentar as quotas propostas em consonância com as metas originais que são superiores.
Outra associação, a Renewable Fuels Association (RFA), enviou uma carta esta semana ao secretário de Estado dos EUA, John Kerry, instando-o a promover o sucesso do Padrão de Combustível Renovável (RFS, na sigla em inglês) na COP21. "Em nome dos produtores de combustíveis renováveis da América e dos agricultores em todo o país, prontos para contribuírem para combustíveis de carbono mais baixo aqui e em todo o mundo, peço-lhe que seja ousado em Paris", afirma a mensagem.
Na mão oposta, em Washington, 184 congressistas escreveram uma carta à administradora da EPA, Gina McCarthy, se opondo à RFS no intuito de cortar os mandatos de mistura, dizendo que leva décadas para obter a frota de veículos e infraestrutura de abastecimento para suportar misturas superiores a atual, de 10%.
Já os representantes do maior grupo comercial da indústria do petróleo, o American Petroleum Institute (API), reuniram-se com funcionários da Casa Branca para defender que a cota de etanol deve ser mantida abaixo do atual limite, no nível de 9,7%.
"Os americanos não estão consumindo tanta gasolina como o Congresso assumiu que fariam quando escreveram a legislação em 2007", disse Bob Greco, diretor do API. Para ele, isso significa que os mandatos atuais de etanol empurram mais biocombustível do que a mistura na gasolina pode atualmente absorver de forma segura.
As metas propostas em maio deste ano pela EPA ficaram abaixo do requisito original de biocombustíveis estabelecidos pelo Padrão de Combustíveis Renováveis. O Congresso criou o RFS em 2005 e atualizou o programa em 2007, para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e a dependência norte-americana do petróleo estrangeiro. O RFS inclui um mandato exigindo quantidades cada vez maiores de combustíveis renováveis, como etanol, biodiesel e outros biocombustíveis avançados – em que se encaixa o etanol de cana brasileiro – até, pelo menos, 2022.
Considerando a meta proposta para biocombustíveis avançados, a expectativa é que em 2016 o espaço para o etanol de cana brasileiro seja de 404 milhões de galões, o equivalente a 1,52 bilhão de litros.

Nos EUA, quase todos os cerca de 138 bilhões de galões de gasolina utilizados atualmente no transporte são E10, o que significa que contêm 10% de etanol, domesticamente produzidos a partir do milho. Este nível do renovável, conhecido como “parede da mistura”, é usado como justificativa limitante no uso de volumes maiores. Grupos petrolíferos dizem que níveis acima do atual para o uso do etanol são incompatíveis com a infraestrutura de distribuição e motores de veículos não flexíveis.
Os produtores de biocombustíveis mostram que as projeções de consumo de gasolina para 2016 aumentaram e que para 2016 se espera que a demanda norte-americana pelo combustível fóssil seja a maior em nove anos.
Pelos cálculos da RFA, devido à previsão de aumento na demanda por gasolina, a EPA deveria aumentar o mandato para 2016 em 270 milhões de galões de etanol, elevando o volume para cobrir a mistura de 10%, para 13,960 bilhões de galões. Considerando outras misturas e demanda por uso de créditos de mistura (chamados de RIN), a associação sugere um aumento total de 1 bilhão de galões, para 15 bilhões no mandato em 2016.
novaCana.com
com informações do The New York Times, Bloomberg e Biofuels Digest