O Ministério de Minas e Energia (MME) concluiu nesta quinta-feira, 8, os workshops técnicos no âmbito da Plataforma de Cooperação em Energia (ERCP) do Brics. As atividades, que começaram na terça-feira, 6, fazem parte da agenda da presidência brasileira do grupo.
Os workshops reuniram especialistas e autoridades de Brasil, Rússia, Índia, China, Egito e Emirados Árabes Unidos com o objetivo de promover o intercâmbio de experiências e boas práticas em temas estratégicos para a transição energética.
Atualmente, fazem parte do Brics: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Etiópia, Irã e Indonésia.
Para o MME, os diálogos reforçaram a mobilização do Brics em torno de uma agenda energética comum para os próximos cinco anos, ancorada na promoção de transições energéticas justas, seguras e inclusivas.
Ao longo de três dias, o ministério relata que foi possível identificar desafios complexos enfrentados pelos países do grupo, como o alto custo de financiamento, a vulnerabilidade das infraestruturas às mudanças climáticas e a necessidade de descarbonizar setores intensivos em emissões.
Ainda conforme a pasta, as trocas também permitiram identificar oportunidades estratégicas para cooperação técnica, desenvolvimento de cadeias de valor regionais e atração de investimentos em inovação e infraestrutura sustentável.
“Dessa forma, os workshops consolidaram a cooperação em energia do Brics como uma plataforma relevante para a articulação de soluções adaptadas aos contextos e às prioridades dos países em desenvolvimento”, afirma o MME, em nota.
Além disso, de acordo com o ministério, os encontros contribuíram para a preparação da reunião ministerial de energia do Brics, que ocorrerá no dia 19 de maio em Brasília (DF).
No primeiro dia, as discussões abordaram formas de impulsionar o financiamento da transição energética, com foco na mobilização de capital para projetos sustentáveis, no fortalecimento da colaboração entre os setores de energia e finanças e na definição de padrões de sustentabilidade para instituições financeiras.
Também foram debatidas abordagens de planejamento energético que contribuem para maior previsibilidade e integração de dimensões sociais e ambientais nas decisões de investimento. Outro ponto de destaque foi o financiamento de atividades de mapeamento geológico e exploração de minerais críticos, considerados essenciais para o avanço de tecnologias limpas, como baterias, painéis solares, turbinas eólicas e veículos elétricos.
Já na quarta-feira, o foco foi o fortalecimento da resiliência das infraestruturas elétricas frente às mudanças climáticas. Foram apresentadas soluções adotadas pelos países para adaptar suas redes a eventos extremos, incluindo o uso de novas tecnologias e ajustes no planejamento e operação do sistema elétrico.
Os participantes também exploraram os desafios de integrar fontes renováveis variáveis com segurança e estabilidade, além da necessidade de marcos regulatórios mais flexíveis que permitam às concessionárias responderem de forma eficaz a grandes interrupções no fornecimento de energia.
No encerramento, os debates se concentraram nas estratégias para descarbonizar o setor de petróleo e gás, com ênfase nas operações upstream. Foram discutidas as melhores práticas para a adoção de medidas regulatórias capazes de acelerar a redução de emissões, abordagens para controle e monitoramento de emissões de metano e os caminhos para viabilizar tecnologias de captura, uso e armazenamento de carbono (CCS e CCUS), tanto do ponto de vista técnico quanto econômico.
O Brasil foi representado nas discussões técnicas por: Ministério de Minas e Energia, Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Serviço Geológico do Brasil (SGB), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e Petrobras.