O Brasil pode produzir um recorde de 113,05 milhões de toneladas de milho na temporada de 2021/22, se a persistência do fenômeno climático La Niña não causar problemas relevantes na segunda safra do cereal, que está sendo bem plantada, conforme analistas ouvidos pela Reuters em pesquisa.
Se confirmada a previsão, a safra daria um salto de 29,9% em relação ao volume de 87,05 milhões de toneladas do ciclo anterior, quando a safrinha sofreu quebra por seca e geadas.
Após perdas na safra deste verão pela estiagem no Sul, a expectativa de crescimento da produção total se dá pelo incremento na área de plantio da segunda safra de milho – a principal do Brasil – e pela semeadura dentro do período ideal, graças a uma colheita mais acelerada da soja.
De acordo com a pesquisa realizada com 14 analistas, a área total de milho deve alcançar 21 milhões de hectares, alta de 5,4% ante a temporada anterior, com a segunda safra respondendo por mais de 70% do total.
“O início mais adiantado dos trabalhos de plantio de milho inverno e a situação hídrica favorável no solo, em especial no Cerrado, nos leva a esperar menor risco de quebra de produtividade em 21/22”, disse o analista da Céleres Enilson Nogueira.
“E junto ao forte crescimento de área plantada, isso deve resultar num cenário de produção elevada (de 92 milhões de toneladas na segunda safra) e reabastecimento do mercado após baixos estoques de passagem de 2021, e quebra no verão”, acrescentou o especialista.
O analista da IHS Markit Gabriel Faleiros ressaltou que grandes perdas já foram consolidadas no Sul do país, durante a primeira safra de milho, devido à seca.
Com a conclusão da colheita de verão, ele disse que há chance de os números finais indicarem a menor produção para a primeira safra em 20 anos, com base na série histórica da Conab.
Contudo, os especialistas ouvidos pela Reuters alertaram que os mesmos riscos climáticos relacionados ao La Niña que atingiram a safra de verão podem persistir durante o desenvolvimento da segunda safra brasileira.
Segundo a analista do Rabobank Brasil focada no mercado de grãos e oleaginosas Marcela Marini, o International Research Institute (IRI) prevê que há 77% de chances de ocorrência de La Niña entre os meses de março, abril e maio, o que pode potencializar perdas relacionadas à produtividade no Paraná e no sul do Mato Grosso do Sul, regiões que já obtiveram menor produtividade nas colheitas de soja e milho verão.
“Com isso, apesar da perspectiva de uma safra recorde, o clima durante o desenvolvimento da safrinha será crucial para a consolidação de uma safrinha recorde durante a safra 2021/22”, disse ela.
Na hipótese de as condições climáticas favorecerem, a IHS Markit, que atualizou seus números nesta quinta-feira, prevê uma segunda safra de milho em 90 milhões de toneladas, com aumento de 45% em relação a 2020/21, afirmou Faleiros.
Nayara Figueiredo