Estados Unidos colocam cotas de importação anuais que limitam entrada do adoçante vindo do Brasil
Uma comitiva do governo brasileiro teve conversas nesta semana com autoridades americanas em Washington. Um dos temas na pauta foi a redução das barreiras tarifárias ao açúcar, em troca de uma possível liberação do etanol de milho dos EUA no Brasil.
O grupo teve reuniões nos últimos dias com representantes dos Departamentos da Agricultura e do Comércio dos Estados Unidos.
A equipe brasileira contou com o presidente da Associação Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Jorge Viana; o secretário de desenvolvimento industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Uallace Moreira; secretário-executivo do Ministério da Pesca e Aquicultura, Carlos Mello; o senador Fernando Farias (MDB-AL); entre outros.
O governo americano impõe cotas anuais para a importação de açúcar de outros países. No ano fiscal de 2023, o Brasil exportou 232,57 mil toneladas de açúcar bruto aos EUA, segundo dados do Departamento de Agricultura norte-americano. Como comparação, o México, que tem acesso facilitado ao mercado americano por causa de um acordo, enviou 1,05 milhão de toneladas no mesmo período.
“Os Estados Unidos estão querendo muito o etanol deles no Brasil, mas eles bloqueiam o açúcar brasileiro aqui. A cota de açúcar acaba em dois meses. Tem espaço para negociar. O Ministério da Agricultura e o MDIC vão seguir com as negociações”, disse Jorge Viana em conversa com jornalistas em Washington.
Atualmente, a cota beneficia especialmente o açúcar produzido em estados do Nordeste, que são grandes produtores.
Viana vê espaço também para abrir mais mercados para os produtos brasileiros nos setores de café, mel, limão e suco de laranja, entre outras áreas. Ao todo, a Apex mapeou mais de 900 oportunidades de expansão de negócios brasileiros nos Estados Unidos.
A Apex realizou nesta semana um encontro entre técnicos e adidos agrícolas que atuam nos EUA e Canadá com empresários e representantes de setores brasileiros que exportam aos dois países, para debater formas de ampliar negócios e investimentos.
“Os Estados Unidos estão buscando reduzir as exportações da China, e o Brasil precisa aproveitar essa oportunidade para substituir essas importações”, disse Viana.
Rafael Balago