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Brasil e EUA têm diálogos sobre captura, utilização e armazenamento de carbono

Segundo o MME, ações brasileiras mostram que o país está no caminho para ser protagonista na emissão zero de carbono


Ministério de Minas e Energia - Publicado: 11 Out 2023 - 13:47

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, participou nesta quarta-feira, 11, em Washington, nos Estados Unidos, do primeiro Workshop Técnico Estados Unidos-Brasil sobre captura, utilização e armazenamento de carbono. Além da equipe de secretários do MME, o evento contou com a participação do Departamento de Energia americano e de agências reguladoras dos EUA.

Na abertura do evento, o ministro destacou a grande responsabilidade que é estar no Departamento de Energia dos Estados Unidos para tratar de um tema que está em evidência no mundo.

“O Brasil trabalha para alcançar a neutralidade de carbono, conforme compromissos internacionais assumidos. Quero ressaltar a importância da parceria entre o Ministério de Minas e Energia do Brasil e o Departamento de Energia dos Estados Unidos da América”, disse Silveira. “Este momento reflete também a visão estratégica dos governos dos presidentes Lula e Biden, de avançar em soluções para a transição energética que, para nós, deve ser justa e inclusiva”.

Segundo o ministro, a experiência brasileira em produção de energia limpa e renovável coloca o país na vanguarda na transição energética e o credencia para avançar ainda mais como protagonistas desse processo. A geração de energia elétrica no Brasil é 88% proveniente de fontes limpas e renováveis e a matriz energética total é 50% limpa.

Silveira disse que o encontro era fundamental para a regulação e parceria entre os dois países. “Hoje, aqui em Washington, nos reunimos para compartilhar informações sobre a legislação e regulação dos nossos países. Queremos facilitar o comércio e o desenvolvimento da indústria de CCS [captura e armazenamento de carbono] no Brasil e nos Estados Unidos. Para tanto, é importante que tenhamos harmonização da regulação e que haja reconhecimento mútuo do que é feito nos dois países”, disse.

O ministro de Minas e Energia também falou da importância dos investimentos no setor. “Queremos, juntos, investir em pesquisa, desenvolvimento e inovação para redução dos custos da atividade de CCS. Destaco também a importância das agências reguladoras aqui presentes. Temos trabalhado para fortalecer as agências brasileiras”, ressaltou

Silveira ainda complementou: “Primamos pela segurança jurídica e estabilidade regulatória, com regras claras, inovadoras e consistentes. Nossos países possuem em comum democracias sólidas e estabilidade social. Ou seja, terrenos férteis para investimentos sustentáveis e de longo prazo. A parceria entre as empresas brasileiras e norte-americanas, com contratos efetivos, será fundamental. Queremos incentivar investimentos concretos neste setor”.

Ações no Brasil

Durante o evento, Alexandre Silveira destacou o trabalho que está sendo feito no Brasil sobre a neutralidade de carbono. “A captura, utilização e estocagem de CO2 tem grande potencial para desenvolvimento da indústria verde e para o combate às mudanças climáticas. O potencial mais direto dessas tecnologias é a redução das emissões de CO2 provenientes de fontes industriais”, disse.

O ministro destacou, nesse sentido, que a cadeia do etanol tem grande potencial de captura de CO2. “Logo, teremos emissão negativa de CO2 proveniente de plantas de etanol com CCS que estão sendo desenvolvidas no Brasil”, completou.

Ainda de acordo com o ministro, durante muitos anos, Brasil e Estados Unidos trilham caminhos estruturais na produção e no uso de biocombustíveis. Ele cita que ambos os países respondem por quase 90% da produção global de etanol e de biodiesel.

“Quando nos reunimos em Goa, na Índia, com a secretária Jennifer Granholm, renovamos o nosso compromisso de trabalhar juntos como potências energéticas globais, priorizando a energia limpa”, afirma e segue: “Temos contribuído de maneira decisiva para a mitigação das mudanças climáticas, a partir de políticas públicas assertivas. Estamos focados na aceleração da descarbonização, levando em conta nossas características e potencialidades”.

Outro ponto abordado foi o controle de emissões pela indústria. “O potencial da tecnologia também se estende para setores intensivos em carbono, onde outras soluções são menos acessíveis ou extremamente caras – como as indústrias de cimento, siderurgia e a mineração. O CO2 capturado, além de ser estocado em reservatórios geológicos, pode ser utilizado também na produção de combustíveis sintéticos, produtos químicos e materiais, contribuindo para uma economia circular e de baixo carbono. É a verdadeira indústria verde”, reforçou.

O Combustível do Futuro também fez parte da explanação do ministro, destacando que é uma política pública ousada, com o objetivo de descarbonizar a matriz de transportes e de mobilidade urbana. O programa foi bastante elogiado pelo Departamento de Energia americano, que destacou a oportunidade de aprender com os projetos desenvolvidos no Brasil.

O secretário nacional de petróleo, gás natural e biocombustíveis, Pietro Mendes, e o secretário nacional de transição energética e planejamento do MME, Thiago Barral, também participaram do workshop.