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Brasil envia carta aos EUA e pede revisão urgente de tarifas

Governo ainda expressou “indignação” com a decisão e alertou sobre os impactos negativos para os dois países


Agência Estado - Publicado: 16 Jul 2025 - 13:57

O governo brasileiro formalizou nesta terça-feira, 15, um pedido de diálogo ao governo dos Estados Unidos para evitar a aplicação de tarifas de 50% sobre todos os produtos exportados do Brasil ao mercado norte-americano.

Na carta direcionada ao secretário de comércio dos EUA, Howard Lutnick e ao representante de comércio dos EUA, Jamieson Greer, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, expressaram “indignação” com a decisão e alertaram para os impactos negativos sobre setores estratégicos das duas economias.

Nesta terça-feira, após reunião com representantes do setor produtivo, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo brasileiro enviou, em maio, uma proposta confidencial com áreas prioritárias para negociação, após o anúncio das tarifas recíprocas em 2 de abril. Segundo ele, até agora, os Estados Unidos não responderam.

Por meio de nota oficial publicada nesta quarta-feira, 16, o MDIC informou que ainda aguarda retorno dos EUA acerca das propostas.

“O Brasil permanece pronto para dialogar com as autoridades americanas e negociar uma solução mutuamente aceitável sobre os aspectos comerciais da agenda bilateral, com o objetivo de preservar e aprofundar o relacionamento histórico entre os dois países e mitigar os impactos negativos da elevação de tarifas em nosso comércio bilateral”, disse.

O texto também destaca que, ao longo dos últimos 15 anos, o Brasil acumulou um déficit comercial de cerca de US$ 410 bilhões com os Estados Unidos, reforçando que não há desequilíbrio a ser corrigido em favor do Brasil.

Comitê interministerial

Uma nova rodada de reuniões ocorre nesta quarta-feira, 16, em Brasília, para discutir estratégias para reverter a taxa de 50% imposta pelo presidente Donald Trump.

Pela manhã, Alckmin recebeu diplomatas, representantes do setor industrial e de entidades empresariais e sindicais. Participaram do encontro nomes como o presidente da CNI, Ricardo Alban, e líderes de associações da indústria automotiva, química, de software, cacau, cana-de-açúcar e transporte de cargas, além de centrais sindicais e organizações do cooperativismo.

No período da tarde, está prevista uma reunião do vice-presidente com o presidente da Câmara Americana de Comércio para Brasil (AMCHAM Brasil), Abrão Neto.

Os encontros ocorrem no âmbito do comitê interministerial de negociação e contramedidas econômicas e comerciais, criado por meio de decreto presidencial publicado pelo presidente Lula.