Em teleconferência com investidores, a Bunge falou sobre a perspectiva do etanol no cenário mundial.
O Brasil, o maior exportador de etanol do mundo, deve ter dificuldades para competir com os Estados Unidos em 2014, já que a grande safra de milho do ano passado fez com que os preços do etanol americano baixassem a um patamar que não era visto desde 2010. Essa é a projeção da Bunge, revelada a investidores em teleconferência na metade do mês.
A empresa, uma das maiores tradings agrícolas, com unidades produtoras de etanol nos Estados Unidos e no Brasil, acredita que os EUA estão num processo de "captura" de uma porção maior do mercado global do biocombustível, principalmente em países que não classificam os etanóis de diferentes matérias-primas de acordo com as emissões de carbono.
O etanol de cana-de-açúcar, como o produzido no Brasil, emite 61% a menos de carbono do que a gasolina e um terço do que emite o etanol de milho, o tipo produzido nos EUA, segundo a Agência de Proteção Ambiental americana.
O preço spot do etanol em Chicago, importante eixo de negociação de combustíveis nos Estados Unidos, caiu a US$ 1,6875/galão em 21 de novembro, o valor mais baixo desde julho de 2010, de acordo com dados da Platts, à medida que a colheita de milho de uma safra recorde diminuiu os custos de produção.
O preço spot do etanol fechou a US$ 2,07 por galão na última sexta-feira, em Chicago.
As exportações de etanol dos Estados Unidos em 2013 registraram 2,3 bilhões de galões, 16% a menos do que em 2012 e atrás dos 2,9 bilhões de galões do Brasil, conforme dados oficiais.
Mas as vendas dos EUA ao exterior cresceram nos últimos dois meses do ano aos maiores volumes de 2013, atingindo o recorde de 82,4 milhões de galões em novembro, volume mais alto desde março de 2012.
A Bunge afirmou que o Brasil poderia combater a competição americana melhorando as condições do mercado doméstico, principalmente no que diz respeito ao nivelamento dos preços domésticos de combustíveis com os internacionais.
A política brasileira de limitar os preços da gasolina como meio para controlar a inflação limita os preços do etanol, que não podem ultrapassar os 70% do preço da gasolina – nível de paridade energética – sem perder uma fatia do mercado.
Atualmente, o Brasil está vendendo gasolina a um preço 25% inferior ao dos preços internacionais, segundo as estimativas da Bunge.
Os executivos da companhia também disseram na teleconferência que os preços do etanol praticados na entressafra são favoráveis, mas não devem ser mantidos com o início da moagem, em abril.
A controversa política brasileira de preços da gasolina tem sido o principal foco das discussões entre o setor sucroenergético e o governo, que está enfrentando cada vez mais pressão para ajudar os usineiros a restabelecer a lucratividade em meio a custos operacionais crescentes e quatro anos de excedente de açúcar.
A Bunge, segunda maior processadora de cana do Brasil, disse em outubro que estava revisando seus negócios no setor sucroenergético e considerava, inclusive, a venda de seus ativos, depois de uma sequencia de lucros decepcionantes.
De acordo com o relatório de resultados da empresa, divulgado na semana passada, a companhia alcançou um lucro de US$ 138 milhões no quarto trimestre, ante um prejuízo de $ 599 milhões no ano anterior. As vendas caíram de US$ 17,04 milhões para US$16,38 milhões.
Guilherme Kfouri (Platts)
Tradução e adaptação: Vivian Faria – NovaCana
O Brasil, o maior exportador de etanol do mundo, deve ter dificuldades para competir com os Estados Unidos em 2014, já que a grande safra de milho do ano passado fez com que os preços do etanol americano baixassem a um patamar que não era visto desde 2010. Essa é a projeção da Bunge, revelada a investidores em teleconferência na metade do mês.
A empresa, uma das maiores tradings agrícolas, com unidades produtoras de etanol nos Estados Unidos e no Brasil, acredita que os EUA estão num processo de "captura" de uma porção maior do mercado global do biocombustível, principalmente em países que não classificam os etanóis de diferentes matérias-primas de acordo com as emissões de carbono.
O etanol de cana-de-açúcar, como o produzido no Brasil, emite 61% a menos de carbono do que a gasolina e um terço do que emite o etanol de milho, o tipo produzido nos EUA, segundo a Agência de Proteção Ambiental americana.
O preço spot do etanol em Chicago, importante eixo de negociação de combustíveis nos Estados Unidos, caiu a US$ 1,6875/galão em 21 de novembro, o valor mais baixo desde julho de 2010, de acordo com dados da Platts, à medida que a colheita de milho de uma safra recorde diminuiu os custos de produção.
O preço spot do etanol fechou a US$ 2,07 por galão na última sexta-feira, em Chicago.
As exportações de etanol dos Estados Unidos em 2013 registraram 2,3 bilhões de galões, 16% a menos do que em 2012 e atrás dos 2,9 bilhões de galões do Brasil, conforme dados oficiais.
Mas as vendas dos EUA ao exterior cresceram nos últimos dois meses do ano aos maiores volumes de 2013, atingindo o recorde de 82,4 milhões de galões em novembro, volume mais alto desde março de 2012.
A Bunge afirmou que o Brasil poderia combater a competição americana melhorando as condições do mercado doméstico, principalmente no que diz respeito ao nivelamento dos preços domésticos de combustíveis com os internacionais.
A política brasileira de limitar os preços da gasolina como meio para controlar a inflação limita os preços do etanol, que não podem ultrapassar os 70% do preço da gasolina – nível de paridade energética – sem perder uma fatia do mercado.
Atualmente, o Brasil está vendendo gasolina a um preço 25% inferior ao dos preços internacionais, segundo as estimativas da Bunge.
Os executivos da companhia também disseram na teleconferência que os preços do etanol praticados na entressafra são favoráveis, mas não devem ser mantidos com o início da moagem, em abril.
A controversa política brasileira de preços da gasolina tem sido o principal foco das discussões entre o setor sucroenergético e o governo, que está enfrentando cada vez mais pressão para ajudar os usineiros a restabelecer a lucratividade em meio a custos operacionais crescentes e quatro anos de excedente de açúcar.
A Bunge, segunda maior processadora de cana do Brasil, disse em outubro que estava revisando seus negócios no setor sucroenergético e considerava, inclusive, a venda de seus ativos, depois de uma sequencia de lucros decepcionantes.
De acordo com o relatório de resultados da empresa, divulgado na semana passada, a companhia alcançou um lucro de US$ 138 milhões no quarto trimestre, ante um prejuízo de $ 599 milhões no ano anterior. As vendas caíram de US$ 17,04 milhões para US$16,38 milhões.
Guilherme Kfouri (Platts)
Tradução e adaptação: Vivian Faria – NovaCana