A alfândega chinesa atualizou sua lista de exportadores de milho brasileiros aprovados nesta quarta-feira, 2. A medida, segundo uma autoridade agrícola do Brasil, pode impulsionar a venda de milho do país para a China.
As aprovações podem remodelar os fluxos globais de comércio e resultar em menos vendas para produtores dos Estados Unidos, principal fornecedor mundial de milho. A China dependia dos Estados Unidos e da Ucrânia para a maior parte de seu fornecimento de milho, mas a invasão da Rússia à Ucrânia afetou as exportações.
“É uma boa alternativa para o Brasil ter esses mercados para colocar o nosso produto”, disse o diretor do departamento de inspeção de produtos de origem vegetal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Glauco Bertoldo.
Ele disse em uma entrevista que a lista de instalações brasileiras aprovadas para exportar milho à China pode ser atualizada para incluir mais unidades nas próximas semanas.
A nova relação no site da administração geral de alfândega da China incluiu 136 instalações de exportação de milho, disse Bertoldo, incluindo Archer-Daniels-Midland, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus Company e Cofco International.
A Cofco se recusou a comentar. As outras exportadoras não responderam aos pedidos por comentário em um primeiro momento.
O Brasil também enviou a Pequim uma lista de instalações aprovadas para exportar farelo de soja, que ainda não foi publicada pelas autoridades alfandegárias chinesas, disse Bertoldo.
Uma vez que a China começar a comprar milho do Brasil, importadores tradicionais de milho brasileiro, como Espanha e Egito, podem transferir algumas das suas compras para os Estados Unidos.
Importações mínimas do Brasil pela China podem começar em breve, mas grandes envios não são esperados até a próxima colheita brasileira começar, no início de 2023, disse o corretor de grãos da StoneX, Craig Turner.
Pequim e Brasília assinaram um protocolo para a exportação de milho do Brasil à China em 2014, mas pouco comércio aconteceu por causa de exigências complexas de inspeção.
Os países concordaram com um protocolo revisado durante negociações em maio, apenas meses depois de a Rússia invadir a Ucrânia, em fevereiro.
A China deve importar 18 milhões de toneladas de milho no ano safra 2022/23, que começou em outubro, segundo o Ministério da Agricultura.
As importações da Ucrânia pela China caíram para menos de 2 mil toneladas em setembro deste ano, deixando o país dependente dos EUA para a maior parte de seus fornecimentos estrangeiros.
Dominique Patton e Ana Mano