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Braço de investimentos do Banco Mundial investe R$ 128 milhões na Biosev


NovaCana - Publicado: 18 Dez 2014 - 16:37

Operando no vermelho e com uma dívida de R$ 4,08 bilhões, a Biosev assinou ontem um acordo que permite a entrada de um novo investidor no negócio.

Em comunicado enviado ao mercado, a Biosev informou que a International Finance Corporation (IFC), braço de investimentos do Banco Mundial no agronegócio, fará um aporte de R$ 128 milhões em novo capital, no qual a instituição financeira subscreverá até a totalidade das ações emitidas.

O grupo francês Louis Dreyfus, controlador da Biosev, já sinalizou que irá abrir mão de seu direito de preferência. Com isso, o capital da sucroalcooleira aumentará de R$ 2,490 para R$ 2,618 bilhões. Já a fatia do IFC na companhia deverá ficar entre 4,48 e 5,84%, a depender do apetite dos demais acionistas em acompanhar a operação.

O aporte do banco ocorre justamente num momento em que a oferta de crédito às usinas é escassa. Embora não equacione por completo a estrutura de capital da companhia, conforme admitiu o presidente da Biosev, Rui Chammas, em entrevista ao Valor Econômico, o acordo é visto por analistas como positivo para as ações da Biosev.

A compra de aproximadamente 12,8 milhões de novas ações pelo IFC representa apenas uma fração da dívida da Biosev, que a exemplo de outros grupos do setor, também enfrenta um período de baixas cotações para o açúcar e um real desvalorizado frente ao dólar.

Um analista de capital da Bradesco Corretora, em São Paulo, disse que o investimento trará apenas uma “pequena contribuição para a dívida líquida ajustada [da sucroalcooleira]”, que é de R$ 4 bilhões. Quase 70% das dívidas da Biosev estão cotadas em moeda estrangeira.

Participação

Para a Bradesco Corretora, o acordo é “positivo” para as ações da Biosev, uma vez que o novo acionista está pagando cerca de R$10,00 por ação, um prêmio de 35% em relação ao preço de encerramento dos papéis ontem, cotados a R$ 7,40.

O acordo também reduz a fatia da Louis Dreyfus na Biosev de 76,8% para 72,2%. Este percentual chegou a menos de 60% após as flutuações do ano passado, mas logo a Biosev teve que aumentar seu capital para 75% em julho, graças à uma cláusula pioneira que permitiu aos investidores vender de volta seus papéis pelo preço pago na oferta corrigido por juros.

Obstáculos

O Bradesco informou que manteve o rating das ações da Biosev em “performance de mercado”, com um preço alvo de R$ 13,20 por ação, apesar de reconhecer que a “baixa liquidez e a alta alavancagem têm sido importantes obstáculos” para o caso de investimentos no grupo.

Mesmo com este alerta, o IFC manteve uma postura otimista quanto à melhora da situação financeira da Biosev. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o executivo responsável pela área de agronegócios da instituição, Luiz Daniel de Campos, disse que o investimento “é de longo prazo”, e que “um dos princípios do IFC é entender que esse setor é cíclico”.

O diretor presidente da Biosev, Rui Chammas, também sinalizou recentemente que espera “uma virada” no ciclo de baixa dos preços do açúcar, iniciado em 2010. Num evento voltado a investidores no início do mês, Chammas mostrou que a relação entre estoques e consumo está atualmente em 46%, mas deve cair para 35% até a safra 2016/17 e para 21% até 2018/19.

"Toda vez que a relação está em 30%, ocorre uma melhora de preço", comentou na ocasião.

O Bradesco também é otimista e espera uma melhora na safra 2015/16.

“Estamos confortáveis com as projeções do setor até agora, a medida em que esperamos que a próxima safra [2015/16] será melhor que a atual”, disse o banco.

“Também esperamos que a cogeração continue impulsionando a lucratividade da Biosev nos próximos 12 meses”.

Em entrevista ao portal novaCana em outubro, Chammas comentou a situação da dívida da Biosev. Na ocasião, o executivo disse que a empresa tem adotado uma política de geração de caixa neutro que vai permitirá “trafegar de maneira adequada neste ciclo de baixa, que deve começar a se recuperar em breve”.

Conforme adiantou o portal, a Biosev espera, já a partir desta safra, ser capaz de gerar caixa a fim de garantir a alocação de investimentos nas operações de plantio e trato da cana-de-açúcar, “numa excelente manutenção industrial” e que permita o pagamento dos juros da dívida.

Mais informações

Para ler o comunicado que anuncia a entrada do novo investidor no capital da Biosev, clique aqui.

Para ler a última apresentação da Biosev a investidores, com perspectivas para os preços do açúcar e o cronograma esperado para o pagamento da dívida, clique aqui.

Para ver a última avaliação da Fitch, clique aqui.

Leonardo Siqueira – novaCana.com
Com informações do Valor Econômico e Agrimoney.com