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BP paralisa obras em projeto de SAF e hidrogênio verde na Austrália

Iniciativa deve ser reformulada para melhorar eficiência de capital; novo cronograma depende de programa governamental de incentivos, avalia S&P Global


S&P Global Commodity Insights - Publicado: 05 Fev 2025 - 15:26

A BP interrompeu os planos de converter sua refinaria desativada de petróleo Kwinana, localizada em Perth (Austrália), em uma planta de biocombustíveis. A gigante de energia do Reino Unido confirmou a informação à S&P Global Commodity Insights nesta terça-feira, 4.

“Embora a bioenergia continue sendo uma parte essencial da estratégia da BP, a companhia decidiu reformular o projeto Kwinana Renewable Fuels (KRF)”, disse um porta-voz, que seguiu: “Isso envolve ajustar o ritmo de entrega da KRF com foco na melhoria da eficiência de capital e em um melhor alinhamento com as políticas governamentais”.

A decisão acontece poucos meses depois de a empresa receber a aprovação do território da Austrália Ocidental para converter Kwinana em um centro de energia renovável. A iniciativa fazia parte de um investimento de US$ 386 milhões.

A refinaria em Perth, que já foi a maior da Austrália, possuía capacidade para a produção de 146 mil barris de petróleo por dia. Ela foi convertida em um terminal de importação de combustível em 2021 em meio a margens baixas nos negócios de refino e excesso de oferta regional.

A BP planejou posteriormente transformar a área de 250 hectares em um centro de energia, capaz de produzir e fornecer combustíveis renováveis e outros produtos energéticos. A iniciativa inclui a planta de biocombustível KRF e uma unidade de hidrogênio verde chamada H2Kwinana.

A S&P Global Commodity Insights entende que o destino do projeto H2Kwinana depende do programa australiano de hidrogênio, que deve liberar US$ 2,48 milhões em financiamentos. A H2Kwinana foi pré-selecionada para receber os recursos.

Quando questionada sobre o cronograma da unidade de hidrogênio verde, a BP não comentou. “Nos últimos três anos, fizemos um progresso significativo para desenvolver os projetos de combustíveis renováveis e hidrogênio da BP em nosso conglomerado de energia Kwinana”, disse o porta-voz.

A biorrefinaria Kwinana, por sua vez, deveria começar a operar em 2026/27. A planta deve ocupar 10 hectares do local, reaproveitando parte da infraestrutura já existente, como unidades de hidrorrefinação e tanques de armazenamento.

A princípio, o projeto iria se concentrar na produção de combustível de aviação sustentável (SAF, na sigla em inglês) e óleo vegetal hidrotratado de fontes renováveis. Para isso, seriam utilizadas matérias-primas nacionais e importadas, como óleo de canola.

Biorrefino desacelera

A BP havia dito em julho de 2024 que concentraria sua expansão no segmento de biocombustíveis por meio de matérias-primas upstream (ou seja, na cadeia produtiva que antecede o refino) em vez de biorrefino. Como parte dessa estratégia, a companhia adquiriu a participação da Bunge na joint venture de etanol das companhias no Brasil, que passou a se chamar BP Bioenergy.

Segundo a S&P Global Commodity Insights, a mudança estratégica ocorreu depois que margens estagnadas desencadearam incertezas quanto a novos investimentos no segmento downstream (parte logística e de transporte) de biocombustíveis na Europa.

Em junho de 2024, a BP já havia paralisado os planos de construir uma unidade autônoma de produção de biocombustível em sua refinaria em Lingen (Alemanha). Além disso, projetos em Roterdã (Países Baixos) e Castellón (Espanha) foram colocados sob avaliação.

Na ocasião, a empresa também estava reconsiderando o projeto Kwinana. Entretanto, a BP expressou ter confiança nessas iniciativas, citando “localizações privilegiadas” para uma crescente demanda por SAF.

Rong wei Neo
Com tradução e adaptação NovaCana