Diretor comercial da companhia detalha tanto mecanismos já conhecidos pelo setor quanto os que devem ganhar mais espaço
“É importante ressaltar a importância de mercados livres, como hoje é o de gasolina, regido pelas leis de oferta e demanda e seguindo os preços internacionais de petróleo e de gasolina”. Esta é a visão do diretor comercial da BP Bunge, Ricardo Busato Carvalho, que destaca que um mercado livre possibilita aos participantes da cadeia conseguirem ofertar e desenvolver ferramentas mais sofisticadas para o gerenciamento de risco.
Durante a 20ª Conferência Internacional Datagro, Carvalho afirmou que a precificação do etanol está vinculada ao preço do açúcar, que detém boa liquidez na bolsa de valores e é um agente determinante da oferta, além de ditar o mix de produção das usinas. Além disso, a precificação da gasolina também seria muito importante – e, ele relembra, este fator já foi muito incerto, dependente do movimento da Petrobras e do governo.
“A precificação futura tem funcionado no mercado líquido. Desde o final de 2016, a correlação de preço da gasolina internacional, trazida para reais, e o da doméstica é muito boa”, sendo que a segunda segue a primeira, de acordo com o diretor. “A Petrobras tem feito os reajustes de maneira disciplinada e isso traz previsibilidade ao setor”, completa.
Na sequência, ele comentou cinco formas disponíveis de precificar o etanol – das mais conhecidas às recém-chegadas no mercado.
“É importante ressaltar a importância de mercados livres, como hoje é o de gasolina, regido pelas leis de oferta e demanda e seguindo os preços internacionais de petróleo e de gasolina”. Esta é a visão do diretor comercial da BP Bunge, Ricardo Busato Carvalho, que destaca que um mercado livre possibilita aos participantes da cadeia conseguirem ofertar e desenvolver ferramentas mais sofisticadas para o gerenciamento de risco.
Durante a 20ª Conferência Internacional Datagro, Carvalho afirmou que a precificação do etanol está vinculada ao preço do açúcar, que detém boa liquidez na bolsa de valores e é um agente determinante da oferta, além de ditar o mix de produção das usinas. Além disso, a precificação da gasolina também seria muito importante – e, ele relembra, este fator já foi muito incerto, dependente do movimento da Petrobras e do governo.
“A precificação futura tem funcionado no mercado líquido. Desde o final de 2016, a correlação de preço da gasolina internacional, trazida para reais, e o da doméstica é muito boa”, sendo que a segunda segue a primeira, de acordo com o diretor. “A Petrobras tem feito os reajustes de maneira disciplinada e isso traz previsibilidade ao setor”, completa.
Na sequência, ele comentou cinco formas disponíveis de precificar o etanol – das mais conhecidas às recém-chegadas no mercado.
1. Hedge de etanol
Segundo Carvalho, é possível precificar o etanol a partir dos contratos futuros do combustível fóssil, ou seja, fazer um hedge que usa a gasolina e os mercados futuros nas bolsas dos Estados Unidos. Ele explica que esta modalidade oferece liquidez, mas também é uma precificação mais complexa e que demanda mais cálculos.
Carvalho afirma que uma commodity é utilizada para precificar outra e, quando isso é feito para garantir preço, fazer hedge e ter uma estimativa de curva futura, a exposição a riscos é maior. Neste caso, é necessário atentar à correlação entre as commodities.
De acordo com ele, trata-se de uma liquidação financeira, sem garantia de volume, assim como ocorre na B3. “Além disso, hoje, a concentração do refino de gasolina é na Petrobras e, por isso, há muita dependência de que ela mantenha a sua política de preços. Se for privatizada, isso incrementa o sucesso dessa ferramenta”, opina Carvalho.
Outro ponto relevante é que há uma curva de aprendizado neste sistema de precificação, já que é algo novo, o que Carvalho enxerga que vem acontecendo.
2. Mercado de balcão
Uma segunda possibilidade de venda é a por contratos de balcão, também chamados de OTC (sigla da expressão em inglês “Over the Counter”).
Neste caso, bancos e tradings ofertam uma precificação para as usinas e distribuidoras e são eles que acessam os mercados financeiros e de capitais. Conforme Carvalho, há um isolamento do vendedor com o mercado.
“A principal vantagem é que não há exposição das chamadas margens, fato que ocorre no mercado de derivativos, no qual flutuações de preço podem significar flutuações de caixa em curto prazo. Essa exposição ao caixa é assumida por um banco e trading”, explica.
Assim, de acordo com ele, este é um processo mais simples e não necessita de uma equipe dentro da empresa. Também é algo usado em outros mercados, como o de açúcar. “De um ano para cá, começaram a aparecer contratos de balcão para o etanol com preço fixo futuro para até duas safras [adiante] ofertados por bancos e tradings. Isso é muito bom para o setor”, completa.
A contrapartida é que, nesta modalidade, é preciso ter crédito com o banco ou trading responsável para acessar o serviço. Além disso, o custo é mais alto e esta é uma transação menos flexível, que precisa cumprir mais regras em comparação com outras modalidades.
3. Venda futura de açúcar ou etanol
Outra forma de precificação citada pelo diretor é a venda futura, considerada bastante nova no mercado. Nela, a usina pode comercializar tanto açúcar quanto etanol para a trading. “A usina faz a venda futura, por exemplo, para a safra 2020/21. Ela precifica com o banco ou precifica e entrega para uma trading o melhor dos dois produtos, seja qual for”, explica.
De acordo com Carvalho, isso garante que seja precificado o melhor produto do mix, sem uma tomada de decisão antecipada. “É uma opção muito válida no Brasil, que, nos últimos quatro anos, teve variações brutais de mix”, expressa.
Assim, esta opção lida com um problema recorrente, que é a realização da venda futura do produto, mas, adiante, ele deixa de ser o mais atrativo.
Além disso, a modalidade também incentiva liquidez futura e a usina não precisa reservar uma parte da produção, que poderia ser flexível, para vender no mercado à vista. Ou seja, a companhia pode vender a totalidade da produção, sabendo que ela será precificada considerando o melhor do mix. Para Carvalho, isso melhora o planejamento da cadeia.
4. Indicador de preços
O diretor comercial da Bunge também apresenta as opções mais usadas pelos produtores. A principal e mais conhecida delas é o Indicador Cepea/Esalq que, explica, é uma metodologia “clara e que reflete o mercado de etanol spot”.
De acordo com ele, o indicador viabiliza negócios futuros a serem fixados, tirando a necessidade de discussão do preço atual e usando um valor considerado confiável pelo mercado. “Tanto do lado das usinas quanto dos distribuidores, é importante. Posso fazer um contrato futuro atrelado ao indicador e tenho confiança de que ele irá refletir, de forma satisfatória, o mercado em que está sendo negociado”, destaca.
Apesar disso, o Indicador não precifica valores futuros, não sendo possível definir hoje um preço para janeiro ou fevereiro, por exemplo. “Mas ele tem uma função muito importante, ainda é um grande pilar da precificação”, completa Carvalho.
5. Mercado de derivativos
A última forma de dar preço ao etanol citada por Carvalho é pela B3, usada para contratos de etanol hidratado e que tem vantagens de robustez e garantias de operações feitas em bolsa. Por outro lado, de acordo com o diretor, o mercado ainda discute muito o desafio de aumentar a liquidez nesta modalidade.
Carvalho pontua que uma das características destes contratos é a liquidação financeira, que gerencia o risco de preço, mas não o volume comercializado. “Esta é uma das características que não fazem a liquidez ser melhor, principalmente do lado dos distribuidores que querem ter a segurança do seu suprimento. Há um giro muito rápido na distribuição, pouca formação de estoque”, explica.
Por isso, no lado comprador deste mercado, é recorrente a discussão do que poderia atrair mais as distribuidoras.
Além disso, a questão tributária é um dos grandes desafios para esta modalidade de comercialização. O desafio é equalizar a diferença tributária no momento da entrega física, tema que também foi discutido amplamente em outros painéis do evento.
Considerando as diversas possibilidades, Carvalho enxerga ser importante a combinação entre as ferramentas de forma equilibrada e com variáveis ao alcance dos players da cadeia.
“Acredito que os players devem utilizar tanto a B3 quanto os futuros de gasolina e que não deve haver disputa entre derivativos e balcão, por exemplo. Quando o caixa está mais robusto, o derivativo é uma excelente opção; já quando há uma necessidade de preservar mais caixa, mesmo que a um custo um pouco mais alto, o balcão funciona de maneira perfeita”, opina.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana