A BP Bioenergy vê sinergias entre o etanol de cana-de-açúcar e o de milho e avalia eventualmente investir em usinas do cereal, afirma o presidente da empresa no Brasil, Andres Guevara de la Vega, nesta quinta-feira, 2, durante participação em evento da Câmara Britânica no Rio de Janeiro (RJ).
“Temos que olhar o que está acontecendo com milho”, disse o executivo. Atualmente, a companhia possui 11 usinas de cana, espalhadas em cinco estados, sendo uma das líderes na produção de etanol e açúcar no país.
Dentre as sinergias, Vega citou que há oportunidades no compartilhamento de infraestrutura, como a tancagem, já que a molécula é a mesma. O executivo também vê a possibilidade de usar o bagaço da cana para reduzir a pegada de carbono na geração de energia para a usina de milho.
Questionado se poderia haver conversas com a Petrobras, uma vez que a estatal está em busca de retornar para o setor de etanol, Vega disse que não. Ele entende que o interesse da brasileira está mais voltado para o milho.
Em relação a outros negócios da BP no Brasil, Vega confirmou que a empresa buscará um parceiro para o bloco Bumerangue durante a avaliação da descoberta e um eventual acordo poderá acontecer antes da decisão final de investimentos.
A companhia britânica anunciou, em agosto, que Bumerangue foi sua maior descoberta de petróleo e gás em 25 anos.
A BP, que atualmente tem 100% do bloco, possui experiência como operadora em águas profundas em outros locais do mundo, mas considera importante seguir adiante no Brasil em parcerias que agreguem conhecimento.
“(A busca por um parceiro) vai ser no futuro, nos próximos um ou dois anos, mas é um processo que vai andar em paralelo com a avaliação”, afirmou Veja. “Quase com certeza, a parceria vai acontecer antes de a gente fazer um FID (decisão final de investimentos, na sigla em inglês). Isso é comum. Não tem uma data, mas vai acontecer”.
A Petrobras seria uma parceira natural, já que tem expertise no pré-sal, mas fontes da estatal brasileira disseram em agosto à Reuters que isso dependeria dos índices de CO2 no campo.
Após a descoberta, a companhia agora está analisando os fluidos encontrados, em fase que traz grandes expectativas do mercado, que aguarda para entender a presença do CO2 no ativo.
O CO2 é comum em campos do pré-sal, mas sua quantidade não pode ser muito elevada a ponto de inviabilizar a operação de forma comercial.
Outras análises relacionadas à descoberta também estão em curso, disse Vega, evitando dar previsões para novas perfurações no ativo.
A descoberta de Bumerangue ocorreu com a perfuração do 13º poço da petroleira no Brasil e despertou grande interesse da indústria, por confirmar o potencial de descobertas relevantes em áreas do pré-sal distantes de áreas em produção já amplamente conhecidas.
“É relevante para nós, mas é relevante para o país. Porque dá uma revigorada no pré-sal, depois de, talvez, uma década sem grandes descobertas”, disse Vega.
Atualmente, a BP está presente em sete blocos no Brasil, dos quais é operadora em quatro.
Como operadora, a empresa prevê perfurar em 2026 um poço no bloco Tupinambá, ao lado de Bumerangue. Apesar da proximidade, Vega destacou que os prospectos são independentes e não necessariamente compartilham semelhanças geológicas.
Questionado se a empresa poderá participar dos leilões de áreas previstos para este ano pela reguladora ANP e pela estatal PPSA, Vega afirmou que “sempre vamos avaliar, mas o foco é no portfólio que tem que desenvolver”.
Marta Nogueira