Política

Política

Jair Bolsonaro critica política de preços da Petrobras

Presidente discordou da chamada paridade de importação, que faz a Petrobras praticar os preços internacionais e repassar as altas para o consumidor


G1 - Publicado: 08 Mar 2022 - 08:43

O presidente Jair Bolsonaro criticou nesta segunda-feira, 7, a política de preços da Petrobras e disse que o governo tinha uma reunião na parte da tarde para discutir medidas para a estatal não repassar toda a alta dos combustíveis para o consumidor. Bolsonaro deu uma entrevista para a rádio Folha, de Roraima.

A paridade de importação significa que a Petrobras recebe pelo petróleo o preço cobrado no mercado internacional, repassando eventuais altas para refinarias, o que aumenta o preço para o consumidor final.

O Brasil já vinha enfrentando, nos últimos meses, uma forte alta nos combustíveis. Com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, a situação tende a piorar, já que a Rússia é um dos maiores produtores de petróleo do mundo.

O preço do barril de petróleo do tipo Brent, referência internacional, saltou 18% e chegou a ultrapassar US$ 139 no início desta segunda, atingindo seu nível mais alto desde 2008, muito perto do recorde absoluto de US$ 147,50 de julho de 2008.

“Agora, tem uma legislação errada feita lá atrás que você tem a paridade com o preço internacional, ou seja, o que é tirado do petróleo, leva-se em conta o preço fora do Brasil, isso não pode continuar acontecendo. Estamos vendo isso aí sem mexer, sem nenhum sobressalto no mercado, e está sendo tratado hoje à tarde em mais uma reunião”, afirmou o presidente.

Segundo Bolsonaro, a questão do petróleo é “grave”, mas poderá ser resolvida. O presidente disse que discutirá nesta segunda-feira alternativas, sem provocar sobressaltos no mercado, com os ministérios da Economia e de Minas e Energia e a Petrobras.

O presidente defende que toda alta do preço do barril de petróleo não seja repassada ao consumidor. “Se você for repassar isso tudo para o preço dos combustíveis, você tem que dar um aumento em torno de 50% nos combustíveis, não é admissível. A população não aguenta uma alta por esse percentual aqui no Brasil”, disse.

“Leis feitas erradamente lá atrás atrelaram o preço do barril produzido aqui ao preço lá de fora, esse é o grande problema, nós vamos buscar uma solução para isso de forma bastante responsável”, acrescentou.

A política de preços da Petrobras, entretanto, não é uma lei, mas uma decisão empresarial implementada em 2016, na gestão de Pedro Parente, durante o governo de Michel Temer.

Guilherme Mazui