Açúcar: Mercado

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Bolsa de NY pode ter novas liquidações após queda nos preços de açúcar


Agência Estado - Publicado: 21 Out 2015 - 08:53 | Atualizado: 21 Out 2015 - 15:53

Com pressão do dólar valorizado ante o real e do alto volume de posições compradas por fundos e especuladores, os futuros do demerara voltaram a recuar ontem. A realização de lucros expressiva levou o contrato com vencimento em março, o mais negociado atualmente, a recuar 20 pontos (1,40%), a 14,06 cents por libra-peso.

A sessão continuou refletindo os dados do relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC) divulgado na sexta-feira, que apontaram aumento da posição comprada em açúcar em Nova York por fundos de investimento e especuladores, para 133.408 lotes no último dia 13. Número semelhante a este só havia sido observado há mais de um ano. Analistas do mercado acreditam que, mesmo após três pregões de queda, ainda poderão ser observados novos movimentos de liquidação de posições.

O dólar também exerceu seu peso sobre os futuros do demerara, operando em alta e sendo cotado, perto do horário do fechamento, a R$ 3,90 (+0,28%). Fechou valorizado ante o real, a R$ 3,9060 (+0,44).

Outro fator que pode trazer as cotações para patamares inferiores, segundo o analista da Sucre Brazil, Julio Llorente, são os preços mais baixos do petróleo, que reduzem as divisas de nações importadoras para adquirir açúcar e outros alimentos. A perspectiva de demanda enfraquecida da China, o aumento da produção do Irã e a oferta acima da demanda têm pressionado as cotações da commodity. Em um ano, o petróleo negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex) já desvalorizou 42,66%. "Os compradores do produto estão sofrendo com a crise do petróleo baixo", afirmou Llorente.

O Banco Pine também divulgou dado a ser observado pelo mercado: a maior remuneração proporcionada pelo açúcar em comparação com o etanol, mesmo tendo o combustível subido de preço nas últimas quinzenas puxado pelo reajuste da gasolina. A atratividade dos preços relativos do etanol está no pior momento dos últimos anos, segundo o Pine, o que deve fazer com que o mix de açúcar nas usinas cresça, em especial nos meses finais do ano.

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Não se pode perder de vista, contudo, os fundamentos altistas: a perspectiva de déficit global de açúcar e de que a Índia não exportará as 4 milhões de toneladas previstas até então. Outra questão de grande relevância é o clima no Brasil. Segundo o boletim sobre cana-de-açúcar da Somar Meteorologia divulgado ontem no terminal do Broadcast Agro, a segunda quinzena de outubro ainda será marcada por chuvas muito irregulares, o que permitirá às usinas manter o ritmo acelerado da colheita.

Entretanto, as altíssimas temperaturas previstas para o período vão manter as condições desfavoráveis à concentração de ATR, o que deve levar a menores volumes de açúcar e etanol produzidos neste ciclo, em comparação ao passado. Segundo a Somar, a expectativa é de que as chuvas só retornem de forma regular e em bons volumes no começo de novembro.

Analistas, contudo, continuam falando da possibilidade de cana bisada no próximo ano, o que daria mais um motivo às usinas para priorizar a produção de etanol - além da maior liquidez do combustível.

A cotação entre o primeiro e o segundo vencimento na ICE se mantém invertida, mas o spread março/maio vem diminuindo. Era 22 pontos na sexta-feira, caiu para 20 na segunda-feira e para 19 pontos ontem. A próxima resistência a ser rompida é 14,29 cents (16 de outubro). Em seguida, o mercado pode tentar romper os 14,42 cents (de 19 de maio). O suporte passa a ser os 13,85 cents atingidos em 13 de outubro.

O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou R$ 67,06/saca (+2,48%). Em dólar, o preço ficou em US$ 17,17/saca (+2,02%).