Por Lívea Coda*
Enquanto o mercado se concentrava nos problemas climáticos do Centro-Sul, alguns fundamentos importantes também estavam se desenvolvendo: as monções estão progredindo bem, a intensidade do La Niña foi revisada para baixo, a expectativa de que as condições climáticas na Tailândia melhorem, a MARS continua otimista em relação a produtividade da União Europeia e a China pode ter maior disponibilidade.
Assim, na semana passada, o mercado finalmente percebeu que a Índia pode ser um pouco mais baixista do que a maioria dos analistas previam.
De acordo com a CNBC Newswire, a Associação das Usinas de Açúcar da Índia (Isma) propôs cotas de exportação para equilibrar o excesso de estoques. Entretanto, é improvável que o governo permita qualquer exportação na temporada 2023/24.
Isso sugere que a Índia poderá retornar aos fluxos comerciais na temporada 2024/25. Uma vez confirmado que há oferta suficiente para o desvio de etanol e a demanda doméstica, o governo poderia permitir exportações de 1,5 a 2 milhões de toneladas, o que se alinha com nossas estimativas anteriores.

Essa reportagem e o otimismo com relação à disponibilidade de açúcar indiano foram os principais motivos da correção de preços na última terça-feira, juntamente com algumas chuvas na região Centro-Sul do Brasil.
O otimismo recém-descoberto por alguns quanto a Índia é impulsionado, em grande parte, pelas condições climáticas favoráveis, com as monções chegando na hora certa, ou até mesmo um pouco antes do previsto. Essas chuvas oportunas forneceram água suficiente para o desenvolvimento da cana, pelo menos por enquanto.

Além disso, o Departamento de Agricultura e Bem-Estar dos Agricultores divulgou um aumento na área semeada de cana, de 5,5 milhões de hectares para 5,7 milhões de hectares, o que também é positivo para as expectativas de 2025/26.
É claro que, embora muitos argumentem que esses números podem não refletir a realidade, parece estranho apostar em um declínio acentuado da área quando a cana continua sendo uma das culturas mais bem remuneradas para o agricultor médio.
Além disso, a maioria dos estados produtores de cana tem umidade do solo próxima ou acima da média. Em Uttar Pradesh, a menor precipitação em junho pode ter sido benéfica para reduzir a ocorrência da doença “hedhot”. Enquanto isso, os níveis dos reservatórios na Região Central permanecem próximos da média, atualmente em 25%, em comparação com os 26% típicos dessa época do ano.

Portanto, tudo atualmente apoia a visão de exportações em 2024/25. Entretanto, os preços precisam ser suficientes para cobrir a paridade das exportações.
Temos duas medidas diferentes a considerar: o custo das exportações, definido pelo nível do Preço Mínimo de Venda (MSP em inglês) em 17,13 centavos de dólar por libra-peso, e o Preço Doméstico Atual (PDA) em Mumbai, que está em 21,01 centavos de dólar por libra-peso. Este último representa o nível de preço no qual as usinas indianas ficariam indiferentes entre vender no mercado interno ou internacional.
Com uma forte demanda, um prêmio poderia ser adicionado a esses dois preços.

À medida que o país acumula estoques e a nova temporada começa, podemos ver uma correção do preço doméstico, ajustando o nível de indiferença. Tirando a média entre o MSP e do PDA, pode-se esperar que o nível de indiferença fique em torno de 19 centavos de dólar por libra-peso sem um prêmio. Se a demanda continuar forte e um prêmio for adicionado, o nível seria de 20,15 centavos de dólar por libra-peso.
O que isso significa? Em nossa opinião, esse pode ser piso para o preço do açúcar durante o período mais altista, durante a temporada de entressafra brasileira quando os fluxos comerciais dependem mais do Hemisfério Norte.
* Lívea Coda é coordenadora de inteligência de mercado na Hedgepoint Global Markets e será uma das palestrantes da Conferência NovaCana 2024. Clique aqui para acessar a programação completa do evento.
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