Apesar dos desembolsos do BNDES terem apresentado queda em 2014 e as condições de crédito mais restritivas— em razão do aperto fiscal do governo — indicarem menos desembolso em 2015, o banco está otimista com o futuro das usinas no curto prazo.
Ao Valor Econômico o gerente setorial do departamento de biocombustíveis, Artur Milanez, afirmou que "se o clima for bom, as usinas vão ter em 2015 um dos melhores anos em muitos anos".
O chefe do departamento de biocombustíveis do BNDES, Carlos Eduardo Cavalcanti, compartilhou do otimismo, lembrando que o banco não recebe pedidos de ampliação da capacidade industrial há anos e essa situação pode começar a mudar. Ele acredita que o movimento começará no ano que vem, quando os balanços financeiros das empresas devem refletir a situação mais positiva da safra 2015/16.
"Nesses últimos anos de crise no setor, procuramos lançar crédito para busca de eficiência e inovação industrial e agrícola [PAISS]. Esses programas devem dar impulso ao ganho de eficiência, podendo desencadear uma retomada de investimentos", disse Cavalcanti ao Valor Econômico.
No final do ano passado o BNDES apresentou um dos primeiros sinais concretos de que espera uma retomada dos investimentos no setor. Mas ela não deve acontecer em 2015, já que a expectativa, segundo análise, “é de que o nível de utilização da capacidade volte a subir antes de vermos um ciclo mais robusto de investimento”.

Nesta análise do banco, a expectativa é de que sejam investidos 25 bilhões de 2015 a 2018. A retração em relação aos anos anteriores “decorre do término de um vigoroso ciclo de investimentos, por volta de 2011 e 2012, e do elevado nível de endividamento das empresas. No entanto, o cenário já foi pior, havendo atualmente uma retomada gradual dos investimentos do setor”.
Conforme o banco, pesam ainda o aumento da percepção de risco dos investidores, combinada à deterioração de suas perspectivas de retorno para investimentos em ampliação da capacidade e o endividamento ainda elevado em boa parte dos grupos econômicos do setor. Por enquanto, o investimento está restrito a alguns grupos com recursos disponíveis que apostam em fatores que podem trazer ganhos de produtividade, como a inovação tecnológica.
Mais informações sobre a posição do BNDES no texto: Análise mostra que a retomada do setor sucroenergético está começando.
As usinas que receberam dinheiro do banco no ano passado (e onde investiram) estão disponíveis aqui.
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