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BNDES separa dinheiro para ajudar a resolver gargalo atual do etanol celulósico

bndes logo metalizado 221015Com o combustível avançado enfrentando problemas ainda sem solução, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) incluiu ontem o etanol celulósico na sua lista de focos temáticos para receber dinheiro não-reembolsável, através do BNDES Funtec

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Os problemas das usinas comerciais de etanol celulósico — que motivou recentemente mais um reajuste de expectativas por parte da Novozymes — continua a impactar as companhias que investiram no biocombustível.

Com o combustível avançado enfrentando problemas ainda sem solução, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) incluiu ontem o etanol celulósico na sua lista de focos temáticos para receber dinheiro não-reembolsável, através do BNDES Funtec.

“O banco tem plena ciência de que essas plantas [da GranBio e da Raízen] têm desafios a serem superados.”

Os problemas das usinas comerciais de etanol celulósico — que motivou recentemente mais um reajuste de expectativas por parte da Novozymes — continua a impactar as companhias que investiram no biocombustível.

Com o combustível avançado enfrentando problemas ainda sem solução, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) incluiu ontem o etanol celulósico na sua lista de focos temáticos para receber dinheiro não-reembolsável, através do BNDES Funtec.

O programa disponibilizará R$ 100 milhões para apoiar projetos em 2016. No entanto, apenas uma parte deste montante poderá ir para os celulósicos, já que o Funtec contempla diversar áreas.

Entre 2007 e 2012, o fundo já havia desembolsado R$ 198 milhões para 23 instituições de ciência e tecnologia no País, em parceria com 15 empresas. Segundo o banco, cerca de 70% das tecnologias geradas já foram introduzidas no mercado por meio dessas parcerias. Além disso, os projetos geraram 50 pedidos de patentes em áreas como saúde, química, novos materiais, bioenergia, tecnologia da informação, aeronáutica e defesa.

Em sua nova edição, o BNDES Funtec dará prioridade a projetos relacionados a questões de urbanização, segurança alimentar, envelhecimento da população, escassez de recursos naturais e mudanças climáticas. Assim, as instituições de pesquisa poderão apresentar propostas ao BNDES Funtec em três datas limites ao longo do ano – a primeira encerra em 29 de abril – em qualquer um dos oito focos temáticos definidos.

Um desses focos é justamente o pré-tratamento de biomassa para etanol 2G. Segundo informações divulgadas pelo banco, o objetivo é o desenvolvimento de soluções tecnológicas adequadas a etapas anteriores do processamento do etanol de segunda geração.

Em novembro do ano passado, o gerente do departamento de biocombustíveis do BNDES, Artur Yabe Milanez, admitiu que as usinas brasileiras estão enfrentando problemas. “O banco tem plena ciência de que essas plantas têm desafios a serem superados”, garante.

De acordo com ele, a hidrólise e a fermentação não são os principais desafios, como os especialistas imaginavam, mas as etapas mecânicas. “Em qualquer segmento industrial, os desafios são maiores para as pioneiras. O Brasil não está acostumado com esse tipo de iniciativa e há uma ansiedade natural por resultados. Mas esse processo de aprendizagem é normal”, completa.

Utilização de recursos do fundo

Segundo o BNDES, as operações realizadas no âmbito do BNDES Funtec serão realizadas na forma de apoio direto às instituições de ensino, na modalidade não reembolsável e são limitadas a 90% do valor total. Entre os itens financiáveis está a aquisição de equipamento para a pesquisa, a remuneração de equipe, investimentos em infraestrutura e despesas operacionais.

“Nos projetos executados com a participação de empresas na qualidade de interveniente não poderão ser apoiados investimentos realizados em benefício direto da Empresa Interveniente, ou as despesas por ela incorridas”, acrescenta.

O banco ainda faz outro alerta sobre a utilização do fundo: “A aplicação dos recursos concedidos em finalidade diversa daquela prevista no instrumento que formalizar a operação, bem como o descumprimento de qualquer outra obrigação prevista nesse instrumento implicará inadimplemento e acarretará a devolução dos recursos concedidos corrigidos pela taxa SELIC desde a data de sua liberação até a data da efetiva devolução ao BNDES, acrescidos de multa de 10%”.

Demais interesses do fundo tecnológico

Outro foco que pode gerar impacto para o setor sucroenergético é voltado para veículos automotores de baixo impacto ambiental. Nesse caso, o interesse é por sistemas destinados à eletrificação veicular, incluindo baterias e células-combustível. “Este é um dos temas mais importantes nas discussões internacionais sobre redução das emissões de gases de efeito estufa, com impacto direto sobre mudanças climáticas”, complementa o banco.

Os demais focos envolvem energia fotovoltaica, tecnologias para setor de petróleo e gás (instalações submarinas e poços inteligentes), semicondutores, minerais estratégicos, medicamentos com novos princípios ativos para doenças crônicas e manufatura avançada e sistemas inteligentes.

O banco explica ainda que o BNDES Funtec apoia, com recursos não reembolsáveis, projetos estratégicos de inovação executados em parceria com empresas. “Calcado na pesquisa aplicada, o objetivo do fundo é levar o conhecimento gerado na academia ao setor produtivo e, consequentemente, ao mercado”, alega.

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