O Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) vem direcionando seus investimentos em projetos e iniciativas voltados à descarbonização da economia e à transição energética, sendo um dos principais focos a produção de hidrogênio verde, entre outros renováveis.
Nesse cenário, a diretora de infraestrutura, transição energética e mudanças climáticas do banco, Luciana Costa, destaca que o desafio tem sido escalar as novas tecnologias que vão impulsionar essa indústria e que o grande foco do banco, agora, é destravar os projetos de hidrogênio verde, aço verde, fertilizante verde, combustível sustentável de aviação e biometano.
“Precisamos de políticas públicas, precisamos que o BNDES haja como indutor de financiamento para essas novas fontes, como já fez em outros momentos na história”, diz. Costa se refere aos financiamentos feitos no passado para impulsionar etanol, geração solar, geração eólica e energia hidráulica.
A diretora afirma que o BNDES é, atualmente, o maior financiador de energia renovável do mundo. “A nossa carteira de ativos é uma carteira muito expressiva, de mais de R$ 200 bilhões, e a gente continua financiando muito o setor”, relata.
A executiva lembra que, em processos que envolvem novas tecnologias, corre-se mais riscos inerentes a uma novidade, como de projetos que “quebram” no meio do caminho. “Não é fácil. Mas no momento em que o BNDES resolve bancar um projeto, a percepção de risco muda para os investidores”, diz. “Sozinho o governo não faz a transição energética e, sozinho, nem o setor privado. Precisa de planejamento aliado a políticas públicas”.
Segundo Costa, a projeção é de que o financiamento para transição energética será entre 60% e 70% oriundo do setor privado. “Financiamento de filantropia não deve chegar a 40%”, acredita.
O desafio, aponta Costa, é como levar maior eficiência a essas novas tecnologias. “Estamos nos debruçando para construir. Tecnologias mais caras ainda não foram escaladas”, observa.
Além da questão tecnológica, Costa destaca também a dificuldade para escalar a “indústria verde” com alto custo do crédito, considerando as taxas de juros elevadas no país.
“O BNDES é um banco de 72 anos, tem conhecimento setorial profundo, embarcado; tem experiência em ter escalado tecnologias novas em outros momentos e, ao mesmo tempo, ser eficiente do ponto de vista de preço. No começo vai ser mais caro, como solar e eólica foram um dia”, afirma.
Segundo Costa, o Brasil tem uma grande oportunidade neste momento com o hidrogênio verde. “Para o Brasil, temos a capacidade de liderar transição energética, mais ainda. E temos ainda todas as fontes verdes”, completa.
Mas, destaca a executiva, é importante que não haja distorções de subsídios, com projetos sendo executados em lugares errados.
Outra vantagem brasileira que ela ressalta é a “neutralidade” geopolítica. “O cenário geopolítico é complexo, atrasa a transição do mundo, que precisa de mais energia e que não consegue diminuir a adição de fóssil. Para o mundo é um problema. Mas temos essa neutralidade que nos coloca e nos posiciona bem. Somos o maior exportador líquido de alimentos do mundo, importante não só para a segurança energética do mundo, mas para a segurança alimentar”, assegura.
Ana Carolina Nunes