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BNDES quer investir em conectividade rural e bioinsumos, além de tornar Prorenova perene

Chefe de departamento do complexo agroalimentar e biocombustíveis do banco detalha as principais linhas voltadas para o setor

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Uma das mais tradicionais formas do setor sucroenergético captar recursos é por meio dos financiamentos via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O banco público possui algumas linhas de crédito que envolvem o agronegócio e outras especificamente voltadas para biocombustíveis.

Em 2020, por exemplo, as sucroenergéticas contrataram R$ 1,18 bilhão em empréstimos para diferentes áreas. O valor, no entanto, representa uma queda anual de 59,4%.

Além das formas de financiamento já existentes, o BNDES tem outros projetos que impactam o setor e estão sendo analisados para implementação futura. Um deles é o financiamento com foco em bioinsumos. “O governo federal lançou uma política de insumos então nós, alinhados a esse programa nacional, estamos possibilitando o financiamento tanto para venda de bioinsumos quanto para autoconsumo”, detalha o chefe de departamento do complexo agroalimentar e biocombustíveis do BNDES, Mauro Mattoso.

Ele completa que este financiamento ainda está em vias de aprovação, com a expectativa de anúncio até dezembro. As informações foram dadas durante a 21ª Conferência Datagro, realizada no final de outubro.

Mattoso ainda relata que o BNDES já possui uma linha incentivada de conectividade rural, voltada para regiões de menor acesso à conexão, mas sem uma definição clara de localidades. “Agora, estamos propondo colocar na política operacional do banco áreas rurais com uma definição mais exata”, explica.

Com isso, empresas que tenham interesse em disseminar conectividade terão desconto nessa linha de crédito. “Cremos muito nesse potencial para estimular a IoT [internet das coisas] no campo e acho que esse é o principal objetivo dessa linha: levar [conectividade] para regiões que têm menor densidade populacional”, completa.

Outro objetivo do banco é a perenização do Prorenova, que sempre era lançado junto com o Plano Safra. O programa objetiva a ampliação da produtividade da cana-de-açúcar por meio do financiamento da renovação e da implantação de novos canaviais.

“Como ele já existe há nove anos e tem mostrado resultados positivos, decidimos propor que ele fique perene na linha do banco”, acrescenta o chefe de departamento. A intenção é financiar o plantio de cana, uma vez que é a única linha que o banco pode fazer isso sem uma associação à produção industrial.

Confira na versão completa e restrita para assinantes mais detalhes sobre os projetos do BNDES, em andamento ou já existentes, que impactam as sucroenergéticas.

Uma das mais tradicionais formas do setor sucroenergético captar recursos é por meio dos financiamentos via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O banco público possui algumas linhas de crédito que envolvem o agronegócio e outras especificamente voltadas para biocombustíveis.

Em 2020, por exemplo, as sucroenergéticas contrataram R$ 1,18 bilhão em empréstimos para diferentes áreas. O valor, no entanto, representa uma queda anual de 59,4%.

Além das formas de financiamento já existentes, o BNDES tem outros projetos que impactam o setor e estão sendo analisados para implementação futura. Um deles é o financiamento com foco em bioinsumos. “O governo federal lançou uma política de insumos então nós, alinhados a esse programa nacional, estamos possibilitando o financiamento tanto para venda de bioinsumos quanto para autoconsumo”, detalha o chefe de departamento do complexo agroalimentar e biocombustíveis do BNDES, Mauro Mattoso.

Ele completa que este financiamento ainda está em vias de aprovação, com a expectativa de anúncio até dezembro. As informações foram dadas durante a 21ª Conferência Datagro, realizada no final de outubro.

Mattoso ainda relata que o BNDES já possui uma linha incentivada de conectividade rural, voltada para regiões de menor acesso à conexão, mas sem uma definição clara de localidades. “Agora, estamos propondo colocar na política operacional do banco áreas rurais com uma definição mais exata”, explica.

Com isso, empresas que tenham interesse em disseminar conectividade terão desconto nessa linha de crédito. “Cremos muito nesse potencial para estimular a IoT [internet das coisas] no campo e acho que esse é o principal objetivo dessa linha: levar [conectividade] para regiões que têm menor densidade populacional”, completa.

Outro objetivo do banco é a perenização do Prorenova, que sempre era lançado junto com o Plano Safra. O programa objetiva a ampliação da produtividade da cana-de-açúcar por meio do financiamento da renovação e da implantação de novos canaviais.

“Como ele já existe há nove anos e tem mostrado resultados positivos, decidimos propor que ele fique perene na linha do banco”, acrescenta o chefe de departamento. A intenção é financiar o plantio de cana, uma vez que é a única linha que o banco pode fazer isso sem uma associação à produção industrial.

Taxa fixa e apoio à emissão de CRA

Nas políticas operacionais do banco, uma das propostas é fazer financiamentos com taxa fixa: os interessados poderiam escolher entre índice de preços do consumidor (IPCA), taxa de longo prazo (TLP), Selic ou outra. “Isso foi pensado muito mais para as cooperativas agrícolas, que estão acostumadas com programas do governo federal que são todos em taxa fixa”, justifica Mattoso.

Outra linha recente é o BNDES Garantia, que funciona como uma fiança oferecida pelo banco – a primeira operação nessa modalidade já foi realizada. “Estamos usando esse começo para estimular operações de CRA [Certificados de Recebíveis do Agronegócio]. É o BNDES prestando uma fiança para cotas seniores de uma emissão de CRA”, explica Mattoso.

De acordo com ele, em 2022, o banco irá definir exatamente qual será a estratégia usada neste produto para as emissões dos certificados. “A ideia é fomentar o mercado de capitais, trazer esse investidor para o setor agro, aumentar e compartilhar esse risco com o mercado; e o BNDES quer trazer o investidor junto para compartilhar o risco e fomentar novos canais de originação, não ficar só nessa questão do financiamento bancário”, completa.

Impacto no RenovaBio

O BNDES lançou em janeiro desse ano o BNDES RenovaBio, a fim de gerar estímulo na melhoria da eficiência energético-ambiental das produtoras de biocombustíveis. A linha concede empréstimos a empresas certificadas no programa e diminui a taxa de juros ao longo do período de pagamento se houver redução na emissão de dióxido de carbono.

“O BNDES RenovaBio quebra um paradigma do BNDES, porque sempre é preciso apresentar um projeto e este é um produto que não está vinculado ao projeto, mas sim a uma meta”, destaca Mattoso.

Segundo ele, o banco quer reforçar o RenovaBio ao conceder um financiamento em que se a usina conseguiu uma melhora de 5% ou mais no fator de emissão, dentro de um período estipulado, ela ganha um desconto de 0,4% ao ano na taxa de financiamento.

“A empresa pode até receber o dinheiro integralmente de uma vez só e obter um desconto ao longo do tempo. Ela pode obter, perder, vai para os dois lados”, relata e explica: “Por exemplo, ela pode ganhar o desconto e depois, se piorar a nota, vai perder um pedaço desse incentivo”.

A intenção, conforme Mattoso, é estimular novas tecnologias – como biogás e etanol de segunda geração –, a utilização de novas variedades, entre outras alternativas que promovem descarbonização.

Outras linhas do banco

Uma das linhas de financiamento incentivadas pelo BNDES é o Fundo Clima. “Ela tem um custo muito competitivo para aquisição de máquinas e equipamentos eficientes, para reflorestamento ou proteção de florestas nativas”, afirma o chefe de departamento.

Neste caso, a taxa do financiamento é fixa em 0,1% ao ano, com mais 0,9% ao ano para operações diretas, somada ao spread de risco. As operações diretas significam que o pedido é apresentado diretamente ao BNDES, enquanto as indiretas são feitas por meio de empresas financeiras.

Além disso, o valor aportado pode ser equivalente a até 50% do financiamento, mas é limitado a R$ 80 milhões. Segundo Mattoso, o total pode ser complementado com outros recursos do BNDES ou próprios. “O custo médio fica muito competitivo para investimentos em biogás”, completa.

Com as mesmas condições de pagamento, existe outra linha incentivada voltada para as energias renováveis. Para o setor sucroenergético, o banco focou no biogás: “Usamos esta linha para o biogás porque vemos um potencial enorme para o setor e há uma questão ambiental muito forte”.

Mattoso ainda relembra as principais opções de financiamento do BNDES. O Finem, por exemplo, tem valor mínimo de R$ 40 milhões. “Antes, usávamos a TLP, que é uma moeda do BNDES lastreada com base no IPCA, agora fazemos o financiamento também em Selic”, destaca.

Além disso, existe o Finame direto, voltado para o financiamento de equipamentos e que não exige a apresentação de um projeto. “É algo mais simples, como se abríssemos uma linha de crédito para a empresa e ela tivesse dois anos para fazer o uso desse recurso sem estar associada a nenhum projeto, apenas a aquisição de equipamentos”, detalha. Neste caso, é possível usar um capital de giro associado ou a TLP, que seria lastreada em IPCA ou Selic.

Outro tipo de financiamento é o BNDES Crédito Rural, um produto automático por meio do repasse dos agentes financeiros. Para a taxação, além de TLP e Selic, também pode ser usada a taxa fixa do BNDES (TFB). “Alguns clientes se interessam muito pela taxa fixa para ficar com um custo da dívida sempre estabilizado”, destaca Mattoso. Esta modalidade não tem um limite de valor.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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