Com financiamento aprovado de R$ 250 milhões do BNDES, empresa inglesa listada na bolsa de Toronto, no Canadá, aposta num produto que pode mexer com o mercado de fertilizantes para a cana-de-açúcar
Um dos produtos mais promissores da empresa promete uma reviravolta no mercado de fertilizantes para a cana-de-açúcar
Uma empresa de fertilizantes, desconhecida do mercado sucroalcooleiro, passou pelo escrutínio do BNDES, através do programa de inovação para a agroindústria (Inova-Agro), e receberá R$ 250 milhões para investir em Minas Gerais.
As ações da empresa chegaram a subir após a conclusão de testes feitos pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) que duraram dois anos e revelaram ganhos de produtividade nos canaviais. A empresa aposta também em redução de custo, aumento da resistência dos canaviais e vantagens ambientais para canavieiros.
O portal NovaCana conversou com o presidente da empresa e revela detalhes do produto, os resultados do estudo da UFU, as expectativas para conclusão da fábrica em Minas Gerais e detalhes do mercado de fertilizantes para a cana-de-açúcar.
Uma empresa de fertilizantes, desconhecida do mercado sucroalcooleiro, passou pelo escrutínio do BNDES, através do programa de inovação para a agroindústria (Inova-Agro), e receberá 250 milhões de reais para investir em Minas Gerais.
A inglesa Verde Potash Plc, que detém 84% do comando da Verde Fertilizantes, subsidiária brasileira responsável pelo novo produto, quer abocanhar, na visão do presidente da companhia, o mineiro Cristiano Veloso, "um mercado gigantesco".
O termopotássio, ou TK47, é como o fertilizante será conhecido entre os produtores de açúcar e etanol. Segundo a empresa, ele oferece uma série de vantagens em relação ao cloreto de potássio (KCl), principal fertilizante utilizado atualmente na cultura de cana. "Além de aumentar a produtividade das plantações [o produto também pode ser utilizado em outras culturas, como café e batata], o termopotássio reduz a emissão de gás carbônico, é resistente contra pragas como a broca, e aumenta a eficiência hídrica da cana", revelou o executivo ao portal NovaCana.
O TK47 elimina o uso de calcário, que emite gás carbônico, não tem cloro, e contém uma alta concentração de silício solúvel. A substância não só aumenta a resistência da planta contra pragas, como também a torna mais eficiente. "Com isso, a cana tem uma eficiência hídrica maior. Ou seja, precisa de menos água para atingir a mesma produtividade", explica Veloso. O novo fertilizante também perde menos nutrientes (0.3%) em relação ao cloreto de potássio (26%) e sofre menos os efeitos da lixiviação. Isso torna o produto extremamente competitivo.
Resultados promissores
Uma pesquisa de dois anos realizada pela Universidade Federal de Uberlândia na Companhia Energética Vale do São Simão, em Santa Vitória (MG), mostrou resultados positivos em relação ao uso do termopotássio. A usina do Grupo Andrade usou o TK47 em duas safras, a de 2011/2012 e a de 2012/2013. No primeiro corte, a aplicação de 50 kg do produto junto com K2O gerou três toneladas de cana por hectare a mais em relação a aplicação, na mesma safra, do dobro de cloreto de potássio, a 100 kg. Já no segundo corte a diferença foi de 12 toneladas, embora a quantidade de termopotássio e cloreto de potássio utilizada tenha sido a mesma: 100 kg.R$ 250 milhões do BNDES
A produção de termopotássio está atrelada à construção da planta, localizada na região de São Gotardo (MG), no Alto Paranaíba. O projeto está orçado em R$ 280 milhões e já recebeu a aprovação do programa Inova Agro, do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O banco deverá entrar com R$ 250 milhões de reais para a iniciativa. "Os recursos pleiteados junto ao BNDES cobrem 90% da nossa necessidade de investimento. Em relação aos 10% restantes, a empresa investirá do capital de acionistas", disse Veloso.O início das operações de termopotássio depende, ainda, da aprovação de uma licença ambiental. "Estamos aguardando a licença ambiental para começar a construção do projeto Cerrado Verde. Depois disso, estimo que levaremos 18 meses para dar início à produção. Estamos fazendo o que é necessário, mas é difícil precisar quando sairá a licença", diz o executivo.
O custo operacional total para produzir o produto é de U$55,29 por tonelada, segundo dados de um estudo de viabilidade econômica divulgado pela companhia. Valor significativamente menor que os U$274/tonelada para a produção, nos primeiros anos, do cloreto de potássio.
Mercado-chave
Segundo Veloso, o mercado de cana-de-açúcar é chave para a Verde Potash."É um mercado gigantesco. Esta indústria consome, em média, 10% de todo o fertilizante que é produzido no Brasil. Já o consumo de potássio, só para a cana, deve chegar a 15%", estima o empresário.
Segundo dados da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda), no ano passado, as vendas totais de fertilizantes alcançaram 31 milhões de toneladas.
O presidente da Verde Potash informa que, para suprir toda a demanda de termopotássio da indústria canavieira, seria necessário produzir 10 milhões de toneladas do produto por ano. O número é inferior à estimativa atual da empresa, que espera atingir um volume de produção de 330 mil toneladas por ano do TK47. A quantidade também deverá suprir a demanda de outras culturas, como o café e a batata, por exemplo. Este, contudo, será o volume de produção da planta apenas em sua fase inicial. Numa segunda fase, será produzido também o cloreto de potássio.
"Nossa meta é suprir toda a demanda do setor sucroalcooleiro", aposta Veloso.
Leonardo Siqueira - NovaCana