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BNDES avalia desenvolvimento do etanol celulósico após visitar usinas nos EUA

dupont-iowa-051115Depois de uma visita às principais usinas de etanol de segunda geração dos Estados Unidos, o principal banco investidor do biocombustível celulósico no Brasil mantém firme sua convicção no futuro desse negócio alimentado por palha, bagaço de cana e muito dinheiro

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Depois de uma visita às principais usinas de etanol de segunda geração dos Estados Unidos, o principal banco investidor do biocombustível celulósico no Brasil mantém firme sua convicção no futuro desse negócio alimentado por palha, bagaço de cana e muito dinheiro.

Representantes do departamento de biocombustíveis do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) retornaram recentemente de uma viagem aos EUA, onde conheceram duas unidades produtoras de etanol celulósico. A visita, que não teve finalidade comercial, serviu também para algumas constatações sobre o desenvolvimento da tecnologia.

Depois de uma visita às principais usinas de etanol de segunda geração dos Estados Unidos, o principal banco investidor do biocombustível celulósico no Brasil mantém firme sua convicção no futuro desse negócio alimentado por palha, bagaço de cana e muito dinheiro.

Representantes do departamento de biocombustíveis do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) retornaram recentemente de uma viagem aos EUA, onde conheceram duas unidades produtoras de etanol celulósico a partir de resíduo agrícola de milho. A visita, que não teve finalidade comercial, serviu para reforçar a crença do banco no futuro da tecnologia.

Ao longo da visita aos EUA, o chefe do departamento, Carlos Eduardo de Siqueira Cavalcanti, e o gerente Artur Yabe Milanez conheceram as plantas industriais da Dupont, inaugurada há pouco, e da Poet, que produzem etanol de segunda geração em escala industrial.

De acordo com o gerente do BNDES, as usinas norte-americanas enfrentam dificuldades similares as passadas pelas unidades produtoras de etanol 2G no Brasil. Principal player entre as apostas brasileiras, a GranBio completou um ano de operação em setembro, ainda longe de conseguir atingir capacidade desejada para o período. Batizada de Bioflex, a fábrica de etanol celulósico, tem sociedade direta do banco através do BNDESPar, que adquiriu 15% do capital social da companhia em um acordo de R$ 600 milhões.

“Há uma leitura equivocada com relação às primeiras plantas em escala industrial, de que elas não enfrentariam certos desafios. A verdade é que essa é uma oportunidade para perceber esses desafios em escala industrial”

Yabe, contudo, afirma que as plantas norte-americanas de 2G estão em situação parecida e mesmo assim o sentimento geral das empresas é otimista, visto que elas estariam percebendo uma evolução na tecnologia.

“Os desafios de escalonamento são menos problemáticos do que se imaginava inicialmente. Além disso, a hidrólise e a fermentação não são os principais desafios, como os especialistas imaginavam, mas as etapas mecânicas”, relata. Segundo ele, as usinas acreditam que as soluções para os problemas observados devem aparecer em breve.

“O Brasil não está acostumado com esse tipo de iniciativa e há uma ansiedade natural por resultados”

Segundo Yabe, a iniciativa para as visitas partiu da Dupont, que convidou representantes de diversos países para conhecer a unidade de Nevada (Iowa) antes mesmo da inauguração oficial da planta que aconteceu nesta semana. “Por conta disso, aproveitamos para conhecer também a planta Project Liberty, que fica no mesmo estado”, complementa.

A planta da Dupont, resultado de um investimento de US$ 225 milhões, é a maior do mundo em operação e tem capacidade de produção anual de aproximadamente 113,6 milhões de litros. Já a Project Liberty, resultado de uma joint venture entre a Poet e a multinacional Royal DSM, foi inaugurada em setembro de 2014 após um investimento de US$ 275 milhões. Atualmente, a planta tem capacidade de produzir 75,7 milhões de litros de etanol por ano, o que deve ser ampliado em breve para 94,6 milhões de litros.

Desafios permanecem

Essa expectativa é uma boa notícia para o banco, que é o principal financiador dos projetos de segunda geração. Além da GranBio, o BNDES financiou unidades 2G da Raízen, CTC e da Abengoa, esta última ainda em construção.

Yabe aproveita para reforçar que o otimismo não é infundado, uma vez que são esperadas dificuldades em iniciativas desse gênero, consideradas pioneiras pelo banco.

“O banco tem plena ciência de que essas plantas têm desafios a serem superados”, garante. Ele continua: “Em qualquer segmento industrial, os desafios são maiores para as pioneiras. O Brasil não está acostumado com esse tipo de iniciativa e há uma ansiedade natural por resultados. Mas esse processo de aprendizagem é normal”.

“Uma planta pioneira tem um comportamento próprio. Os desafios de escalonamento são muitos e naturais. Você não pode comparar uma tecnologia disruptiva com o que já está estabelecido no mercado”

Em estudo divulgado no início deste ano, o BNDES estimou que, a partir de 2020, o custo de produção de etanol 2G será menor do que da primeira geração. Embora exista a possibilidade de evolução tecnológica, o gerente acredita que esse prazo deve se manter.

Ao mesmo tempo, ele acredita que o atual patamar do dólar seria positivo para a competitividade das usinas de etanol celulósico. “Ainda assim, não fizemos uma atualização do estudo para avaliar o tamanho desse impacto”, pondera.

Yabe também admite que já ouviu muitos comentários sobre mudanças no humor do mercado, com a possibilidade da retomada dos investimentos por parte das usinas. Ele assegura: “Estamos aguardando novos projetos. O BNDES está à disposição para apoiar o setor sucroenergético. O Brasil precisa produzir mais etanol”.

Interesse internacional

Os representantes brasileiros não eram a única presença internacional no evento. “Chamou atenção a grande presença de chineses. Eles têm um grande apetite pelo etanol celulósico e estão acompanhando de perto as evoluções da tecnologia”, destaca o gerente do BNDES.

“O banco está totalmente confiante no etanol celulósico como uma oportunidade para o setor, especialmente considerando o mercado externo”

Ainda de acordo com o Yabe, é interessante observar o contexto norte-americano que motivou a criação das atuais usinas. “A principal diferença com relação ao Brasil é que os americanos contam com um conjunto de políticas públicas mais amplo”, afirma e continua: “Por aqui, as iniciativas se resumiram ao Paiss [Plano Conjunto BNDES-Finep de Apoio à Inovação Tecnológica Industrial dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico], mas nos Estados Unidos há diversas fontes que permitem pesquisa e escalonamento industrial, além de uma obrigação para a utilização de combustíveis renováveis”.

Ele se refere ao mandato do governo dos Estados Unidos que prevê acréscimos anuais nas misturas de etanol ou outras possibilidades renováveis aos combustíveis de transporte. Além disso, há a exigência de que sejam utilizados 136 bilhões de litros de biocombustíveis até 2020, com um limite de 56,8 bilhões para o etanol de milho e os 79,2 bilhões restantes ficando a cargo de biocombustíveis avançados – a perspectiva é que o celulósico chegue a 39,7 bilhões de litros.

Apesar dessas metas ambiciosas, os EUA reduzem, ano a ano, os níveis estabelecidos para o etanol celulósico e outros biocombustíveis avançados em função da produção que não acompanhou a proposta. Apesar das críticas, que chegaram a rotular o etanol celulósico de unicórnio, os incentivos do governo norte-americano continuam com a mesma base estabelecida em 2007.

Renata Bossle – NovaCana

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