O Banco Nacional de Desenvolvimento e Econômico e Social (BNDES) divulgou nesta terça-feira, 24, estudo em que mostra que o custo de produção do etanol de segunda geração (2G), feito de palha e bagaço de cana, ficará abaixo do de primeira geração (1G) até 2020, período considerado pela instituição como de curto prazo. As informações foram repassadas pelo diretor do Departamento de Biocombustíveis do BNDES, Artur Yabe, durante o seminário Sugar & Ethanol Brazil, realizado pela F.O. Lichts, em São Paulo.
Conforme o estudo, feito em conjunto com o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), hoje o custo de produção do litro de etanol 1G está próximo de R$ 1,10, enquanto o de 2G, em R$ 1,50. A expectativa, no entanto, é de que esses valores fiquem entre R$ 0,90 e R$ 0,70 e entre R$ 0,70 e R$ 0,50, respectivamente, por volta de 2020. Basicamente, essa redução virá do próprio desenvolvimento tecnológico e biotecnológico pelo qual passa o setor.
"O etanol 2G, hoje, já é uma realidade", destacou Yabe, mostrando que o Brasil possui, atualmente, duas usinas em operação e outra em construção para a fabricação do biocombustível. Juntas, as três unidades terão capacidade de produção de 185 milhões de litros de etanol 2G por safra.
O BNDES revelou também, com base em projeções do Ministério de Minas e Energia (MME), que as importações de gasolina pelo Brasil serão de 15 bilhões de litros por ano a partir de 2022. Para evitar tal importação, seria necessário agregar produção de 21 bilhões de litros de etanol anualmente.
Para fabricar esse volume, o País precisaria de 70 novas usinas (greenfields), quantidade, contudo, que poderia ser de 25 com o desenvolvimento pleno do etanol 2G, que tem produtividade maior.
Segundo o BNDES, o rendimento do 2G pode chegar a 17 mil litros por hectare de cana, contra apenas 6,9 mil litros/ha no caso do 1G.
José Roberto Gomes