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BNDES aprova R$ 40 milhões para expansão da VPA Bioenergia

Usina sediada em Paracatu (MG) está diversificando as atividades e passará a produzir açúcar


Diário do Comércio (MG) - Publicado: 24 Mar 2025 - 14:10

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 216,6 milhões para custeio de projetos de armazenagem em Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Em Minas Gerais, os recursos serão para a VPA Bioenergia, com sede em Paracatu, no noroeste do estado. A usina está diversificando as atividades e passará a produzir açúcar. Para isso, o projeto da indústria, que já produz etanol e energia, prevê um investimento próximo a R$ 180 milhões, sendo R$ 40 milhões via financiamento do BNDES.

Os recursos são provenientes do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), do Plano Safra 2024/25, e do Finem, linha do BNDES voltada para projetos completos de expansão e modernização de empresas dos setores da indústria, comércio e serviços.

Conforme o diretor de desenvolvimento produtivo, inovação e comércio exterior do BNDES, José Luís Gordon, os projetos apoiados pelo banco estão alinhados aos objetivos do plano governamental Nova Indústria Brasil. “Fortalecer as cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais para garantir a segurança alimentar, nutricional e energética no país”, explicou.

Conforme os dados do BNDES, dos R$ 216,6 milhões aprovados, R$ 40 milhões serão para a usina Vale do Paracatu. Deste total, R$ 25 milhões virão do PCA e R$ 15 milhões do Finem. Na unidade da VLA Bioenergia, R$ 34,9 milhões serão usados para a construção de armazéns, cuja capacidade de estoque chegará a até 60 mil toneladas de açúcar ou 1,2 milhão de sacas.

O recurso vindo do BNDES também financiará parte da construção de uma fábrica de açúcar, com R$ 5,1 milhões, para a produção de 155 mil toneladas do produto por ano. Durante as obras houve a geração de 300 empregos diretos. Quando a usina estiver em produção, serão 50 postos de trabalho.

Conforme o CEO da VPA Bioenergia, José Geraldo Machado, o investimento no projeto ficará próximo a R$ 180 milhões e a usina de açúcar entrará em operação em junho, já produzindo açúcar na safra 2025/26.

“As obras de expansão começaram em outubro de 2024 e a expectativa é iniciar as operações em junho. Nossa capacidade de produção de açúcar é de 20 mil sacos por dia. Dependendo da safra, poderemos produzir de 150 mil a 180 mil toneladas de açúcar ao ano”, enumera.

Ele ainda completa: “A VPA já produz etanol, bioenergia e CBios, então resolvemos diversificar. A partir desta safra, teremos também o açúcar VHP para exportação. A diversificação garantirá uma maior sustentação para o crescimento da VPA e expansão da moagem”.

Com a instalação da fábrica de açúcar, haverá também maior margem de segurança em relação à rentabilidade da empresa frente às oscilações de mercado. Isso porque será possível escolher a maior produção de açúcar ou etanol conforme a melhor demanda de mercado.

“Com a diversificação, vamos conseguir agregar uma boa segurança da rentabilidade da nossa empresa. A linha de crédito do BNDES é muito interessante, com boas condições de financiamento e permitindo a nossa expansão”, afirma o CEO.

Para o presidente da Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar de Minas Gerais (Siamig Bioenergia), Mário Campos, a diversificação para produção de mais produtos a partir da cana é muito importante para as empresas do setor.

“A VPA deu um passo importante diversificando para a produção de açúcar, antes só produzia etanol e bioeletricidade. O açúcar é um produto extremamente importante para dar sustentação ao crescimento das empresas do setor pelo ecossistema de financiamento e precificação existente na sua operação”, explica.

Safra 2025/26

Para a safra 2025/26, José Geraldo Machado explica que a produção de cana-de-açúcar passa por desafios climáticos, mas que as expectativas são positivas. Hoje, a capacidade de moagem instalada na indústria é de 1,85 milhão de toneladas de cana. O canavial da VPA está em expansão para atingir a capacidade.

“Estamos vivendo um momento de muitos extremos. Na safra 2023/24 tivemos chuvas abaixo da média histórica; 2024/25 foi pior ainda e ficamos com mais de 200 dias sem chuvas. Agora, em dezembro de 2024 e janeiro de 2025, tivemos 45 dias de chuvas”, lembra o CEO.

Ele explica: “Esse extremo é desfavorável, mas acreditamos muito que nas adversidades é que surgem as oportunidades. Por isso, estamos investindo. Acreditamos que em 2025/26 teremos bons números para o açúcar, que tem uma demanda mundial crescente”.

Michelle Valverde