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BNDES aprova R$ 257,9 milhões para Acelen desenvolver biocombustíveis de macaúba


BNDES - Publicado: 17 Out 2024 - 14:16

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 257,9 milhões para a Acelen Renováveis, empresa da Mubadala Capital, uma gestora de ativos com sede em Abu Dhabi. O objetivo é a implantação de um centro de inovação tecnológica focado em pesquisa e desenvolvimento da cultura da macaúba, planta nativa brasileira de alto poder energético.

A unidade faz parte de um projeto integrado da Acelen para produção de diesel renovável e combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês) baseado no desenvolvimento da cultura da macaúba, incluindo a sua domesticação e o cultivo em terras degradadas. Com isso, este o primeiro financiamento do BNDES voltado ao desenvolvimento de SAF.

Com recursos do Programa BNDES Mais Inovação, a operação visa aumentar a produtividade e a competitividade em um setor considerado como de grande potencial exportador. Segundo o BNDES, o projeto permitirá o desenvolvimento de novas mudas de macaúba e a seleção dos maciços com maior potencial de produção de óleo e estruturação de banco de germoplasma. Além disso, a tecnologia deve permitir a seleção das melhores plantas para a produção de sementes, clonagem e melhoramento genético.

“Ao financiar o primeiro projeto de SAF no Brasil, o BNDES mantém sua contribuição relevante para transição energética, incentivando iniciativas que tenham impacto social, ambiental e desenvolvimento tecnológico”, afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Localizado em Montes Claros (MG), o centro de inovação será responsável pela pesquisa e pelo desenvolvimento necessários para suportar o projeto da biorrefinaria de combustíveis. A estrutura terá capacidade de germinação de 1,7 milhão de sementes por mês e produção de 10,5 milhões de mudas da planta por ano.

De acordo com a companhia, a localização foi escolhida por possuir boa infraestrutura e ser próxima dos maciços naturais de macaúba, contribuindo para a competitividade. Na operação da nova unidade, está prevista a criação de 240 novas posições de trabalho.

“Com essa iniciativa, o Brasil dá um passo importante para se tornar um grande produtor de combustível sustentável de aviação e se colocar no mundo como um líder da transição climática”, afirma a diretora de infraestrutura, transição energética e mudança climática do BNDES, Luciana Costa, destacando que todo projeto será executado em terras degradadas desde 2007.

Ela complementa: “Apoiamos um projeto ambicioso, com muita tecnologia e com forte impacto social, que pode transformar economicamente uma região e fortalecer a imagem do Brasil como parte da solução de descarbonização do mundo”.

O centro de inovação tecnológica faz parte de um projeto integrado da Acelen com investimento total estimado em US$ 2,7 bilhões, proporcionando a produção de 20 mil barris por dia de combustível renovável, captura de quase 60 milhões de toneladas de CO2 equivalente e geração de mais de 90 mil empregos.

A estratégia, inédita para o uso da macaúba, prevê ainda o cultivo de 180 mil hectares em Minas Gerais e na Bahia. Além disso, 20% da produção total dos combustíveis serão oriundos da agricultura familiar, beneficiando mais de dez mil famílias em sua área de atuação.

Para o CEO da Acelen, Luiz de Mendonça, o centro reforça o potencial da inovação agroindustrial do país. “Nascemos com o propósito de participar ativamente e acelerar a transição energética global e, agora, apostamos fortemente no agro. Em um ecossistema robusto e integrado formado por uma equipe altamente qualificada e parceiros experientes, vamos oferecer ao mundo uma solução viável e inovadora, sustentável de ponta a ponta”, ressalta o executivo.

Parceria com o IAC

O anúncio da aprovação do financiamento acontece um dia após a Acelen Renováveis divulgar sua parceria com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), vinculado à secretaria de agricultura e abastecimento do estado de São Paulo. De acordo com a empresa, o projeto – com duração prevista de cinco anos – tem como objetivo estudar e selecionar materiais para o melhoramento genético da macaúba.

Para o diretor de agronegócio da Acelen Renováveis, Victor Barra, um dos pontos mais relevantes da iniciativa é a maximização do potencial da macaúba como cultura energética. “Estamos falando de uma oleaginosa que pode ser de sete a dez vezes mais produtiva por hectare plantado em comparação com a soja”, afirma.

Ele ainda destaca: “Vamos cultivar a macaúba em 180 mil hectares de pastagens degradadas nos estados da Bahia e norte de Minas Gerais, melhorando a qualidade do solo, promovendo o sequestro de carbono e aumentando a biodiversidade, o que, como consequência, resulta em ecossistemas mais saudáveis e produtivos”.

Por sua vez, o pesquisador Carlos Colombo, do IAC, reforça a importância do investimento aliado ao conhecimento científico sobre a palmeira nativa, posicionando o Instituto como um polo de pesquisa agropecuária no Brasil.

“Os estudos do Programa Macaúba do IAC tiveram início em 2006, há 18 anos. A construção de uma cadeia de produção competitiva para uma espécie com baixo grau de domesticação, como a macaúba, exige muito investimento em pesquisa, pois os desafios são enormes”, afirma.

Com informações adicionais da Acelen Renováveis