O senador Blairo Maggi (PR/MT) afirmou que uma das limitações ao etanol de milho é a oposição do governo, 'que sempre defendeu que o combustível da cana é mais eficiente e politicamente correto, por não competir com a produção de comida'. Na avaliação do senador, o etanol de milho em Mato Grosso não iria competir com a produção de alimentos, pois além do combustível existe um subproduto, que é o concentrado proteico (DDG), que pode ser utilizado na ração animal.
Maggi disse, ainda, que um pedido de financiamento para construção de uma usina para produção de etanol de milho apresentado ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nem chegou a ser discutido. 'É um assunto tabu', comentou o senador, que defende o apoio do governo por meio da equalização de preços para o escoamento da safra, que este ano tem demanda de cerca de R$ 750 milhões. 'Estamos subsidiando o consumo de milho barato em outros países', afirmou ele.
Em resposta, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, avaliou que existe espaço no governo para discutir o apoio à produção de etanol de milho, para absorver o excedente de produção do cereal. Segundo ele, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, teria afirmado nesta quinta-feira, 26, que 'existe ambiente para levar adiante a discussão de que o etanol de milho não compromete a segurança alimentar'.
Geller disse que o Ministério da Agricultura é favorável ao etanol de milho, mas até pouco tempo não conseguia avançar nas discussões para superar as resistências dentro do governo, por causa dos problemas de abastecimento provocados pela estiagem na Região Sul e forte seca no Nordeste. Ele afirmou que a própria presidente Dilma Rousseff, em reuniões no Palácio do Planalto, disse que a discussão do tema não tinha espaço na pauta.
Em consonância, o ex-ministro dos Transportes Odacir Klein, presidente do Fórum Nacional do Milho, disse que não existem restrições do governo ao etanol produzido a partir do milho e destacou que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) estabelece apenas a especificação técnica. 'Se houvesse proibição, não teria ocorrido importação de volume expressivo de etanol (de milho) dos Estados Unidos', diz ele.
Em relação à questão da segurança alimentar, que poderia ser afetada pelo direcionamento da produção para o combustível, em detrimento do alimento, Klein observou que o problema seria grave se o Brasil não contasse com a segunda safra de milho, que garante o abastecimento das indústrias de rações sem concorrer com o plantio da soja no verão. Até porque, diz ele, quando os preços do milho são menos rentáveis a tendência é de que os produtores optem pelo plantio da soja.
Ele afirmou que o excesso de produção da segunda safra de milho gera problemas de armazenagem e de infraestrutura para escoamento, que podem ser resolvidos com a agregação de valor, por meio da produção de etanol.
Etanol do milho complementa oferta
O consultor Eduardo Pereira de Carvalho, ex-presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), disse, durante fórum sobre a produção de etanol de milho, em Sorriso (MT), que um dos principais riscos do setor de biocombustíveis é a possibilidade de mudança nas regras por parte do governo, como ocorre com o setor sucroalcooleiro. Eduardo Carvalho, que comandava a Unica no período de criação dos carros flex pela indústria automotiva, disse que o governo, ao congelar os preços da gasolina e impedir a alta de preços do etanol, 'está cometendo um dos maiores crimes contra a economia'. Na avaliação do consultor, o fato de não haver uma política de combustível consistente faz com que 'os sonhos fiquem dependentes da caneta da presidente da República'.
O consultor afirmou que está mudando de visão e hoje acredita que o etanol de milho não irá competir com o combustível derivado da cana e sim complementar o abastecimento, além de contribuir para reduzir custos e aumentar a competitividade do setor. Ele lembra que o Brasil precisará de oferta adicional entre 50 bilhões a 60 bilhões de litros nos próximos cinco anos e não há condições de aumento da produção neste volume por parte das usinas de cana-de-açúcar.
Segundo Carvalho, a viabilidade da produção de etanol de milho deve ser encarada como uma questão de eficiência empresarial e de balanço energético, independente do governo. 'Há muito o que fazer para se ter competitividade, em vez de pedir ao governo que reajuste o preço do combustível', diz ele, que defende segurança nas regras para garantir os investimentos. 'Vimos recentemente os leilões de concessões realizados pelo governo e os resultados mostram insegurança dos empresários em relação à manutenção das regras do jogo', diz Carvalho.
Adaptado por novaCana.com