Recolhimento da palha é estratégia para aumentar geração de energia na próxima safra
O resultado do terceiro trimestre da safra 2014/15 da Biosev melhorou em relação à temporada passada, mas não o bastante para transformar o prejuízo em lucro. Entre outubro e dezembro de 2014 a companhia com suas 11 usinas de cana no Brasil, registrou um prejuízo de R$ 81,5 milhões, uma melhora de 60% ante a perda de R$ 203,7 milhões no mesmo período de 2013.
Depois de comprar biomassa de terceiros para gerar mais bioeletricidade em 2014/15, aproveitando os preços teto do mercado spot de R$ 822 no período, agora a Biosev quer investir no recolhimento da palha de suas usinas. A aposta da companhia é que o recolhimento da biomassa própria será mais competitivo.
Veja a seguir mais detalhes sobre a aposta e os resultados da empresa.
O resultado do terceiro trimestre da safra 2014/15 da Biosev melhorou em relação à temporada passada, mas não o bastante para transformar o prejuízo em lucro. Entre outubro e dezembro de 2014 a companhia com suas 11 usinas de cana no Brasil, registrou um prejuízo de R$ 81,5 milhões, uma melhora de 60% ante a perda de R$ 203,7 milhões no mesmo período de 2013.
A variação cambial, com desvalorização média do real de 11% frente ao dólar, impactou negativamente o resultado da companhia em R$ 121 milhões, assim como a estratégia de carregar os estoques para a venda agora na entressafra.
O lucro bruto do trimestre foi de R$369,6 milhões com margem bruta caixa de 35,8%, uma redução de 2 pontos percentuais em relação ao terceiro trimestre da safra passada.
Houve crescimento de 29,3% no Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, descontado o valor da variação dos ativos biológicos) totalizando R$334 milhões no trimestre, com margem de 32,4%.
No acumulado dos nove meses de safra o prejuízo da Biosev soma R$ 272 milhões, ante os R$ 449 milhões negativos em igual período do ciclo anterior.
Assim como a São Martinho, no trimestre a Biosev manteve os estoques carregados, com 45% da produção de etanol e 25% da produção de açúcar da safra para ser comercializados no quarto trimestre.

Recolhimento da palha
Depois de comprar biomassa de terceiros para gerar mais bioeletricidade em 2014/15, aproveitando os preços teto do mercado spot de R$ 822 no período, para a próxima safra a Biosev quer investir no recolhimento da palha de suas usinas. A aposta da companhia é que o recolhimento da biomassa própria será mais competitivo.
Na última temporada a Biosev já realizou o recolhimento da palha em um projeto piloto. “Queremos transformar isso para uma escala maior ao longo da safra 2015/16 e isso está em etapa final de aplicação”, disse em chamada com investidores o presidente da companhia Rui Chammas.
Questionado sobre a lucratividade com a cogeração a partir do novo teto do PLD, reduzido para R$ 388, o executivo afirmou que ainda não há como prever o impacto disso no ano, mas lembrou que o custo da biomassa adquirida fora das usinas também acompanhou o preço da energia.
“Queremos começar a fazer uso de mais uma biomassa própria, que pretendemos recolher em todas as nossas usinas e nos parece uma biomassa muito competitiva”, frisou.
Mais vendas em casa
A receita líquida trimestral totalizou R$ 1,03 bilhão, 1,5% superior ao valor registrado no mesmo período do ano anterior. O açúcar foi a principal fonte de receita, mas teve sua participação reduzida em 21,7%, as vendas do etanol cresceram em participação (+20,3%) e houve aumento expressivo na contribuição da energia elétrica, (+15,6%). O crescimento da participação de outros produtos foi intenso, saltando 460%.
A participação de outros produtos alcançou R$ 97,9 milhões em receitas no período e inclui a venda de levedura seca, melaço em pó, bagaço cru e hidrolisado para ração animal e ainda os impactos positivos da comercialização spot de produtos para cumprimento de contratos de performance de exportação.

As vendas no mercado interno cresceram na comparação entre o mesmo trimestre do ano passado. As negociações domésticas passaram de 39% para 48% da receita líquida total da Biosev. Essa mudança reflete a estratégia adotada pela Biosev ao longo da safra com a venda de produtos com maior valor agregado, como por exemplo, o açúcar refinado.
Moagem 2,2 mi ton menor
A seca no estado de São Paulo fez com que a moagem da Biosev encolhesse 21,4% no terceiro trimestre em comparação a igual período da temporada anterior. Foram processada 5,8 milhões de toneladas no período.
No acumulado do ciclo, com a recuperação dos canaviais da companhia no Mato Grosso do Sul e no nordeste, a queda na moagem de cana foi parcialmente compensada, totalizando 26,8 milhões de toneladas. Mesmo assim, no trimestre 2,2 milhões de toneladas deixaram de ser processadas, ou 7,7% menos que o registrado nos nove meses inicias de 2013/14.
Dívida e financiamento
Em dezembro de 2014 a dívida líquida ajustada da Biosev somava R$ 4,5 bilhões de reais, com uma relação de alavancagem de 4,1 vezes o Ebitda ajustado. Em teleconferência com investidores, o diretor financeiro Paulo Prignolato, afirmou que o atual endividamento está fortemente impactado pela estratégia de carregamento de estoques e deve ser reduzida no próximo trimestre.
Houve redução da dívida de curto prazo em R$ 128,9 milhões na comparação com a posição do último trimestre, diminuída para R$ R$ 1,7 bilhão.

A dívida mais recente foi contraída em janeiro, quando a Biosev firmou contrato de financiamento com oito bancos internacionais para a captação de US$318 milhões, na forma de pré-pagamento de exportações.
Amanda SchArr – NovaCana