Companhia amarga R$ 42,2 milhões de prejuízo no segundo trimestre da safra 2014/15
A Biosev, segunda maior processadora de cana-de-açúcar do mundo, com 11 unidades industriais, registrou um prejuízo líquido de R$ 42,2 milhões no segundo semestre da safra 2014/15. E o estrago só não foi pior devido ao precioso auxílio da cogeração que ofereceu uma receita 40% maior do que no mesmo período do ano passado.
Para aproveitar os altos preços da energia a companhia trouxe para suas caldeiras cavaco de madeira, poda de árvores e bagaço de fora das usinas, além de reduzir drasticamente a produção de anidro. Isso “por conta do maior direcionamento de vapor (necessário para a conversão do etanol hidratado em anidro) para as unidades de cogeração”.
Veja mais detalhes sobre:
- o desempenho da cogeração da Biosev
- entenda a estratégia da companhia ao dobrar os estoques de etanol
- os números de produção
- o endividamento e a alavancagem da companhia
A Biosev, segunda maior processadora de cana-de-açúcar do mundo, com 11 unidades industriais, registrou um prejuízo líquido de R$ 42,2 milhões no segundo semestre da safra 2014/15. E o estrago só não foi pior devido ao precioso auxílio da cogeração que ofereceu uma receita 40% maior do que no passado.
Para aproveitar os altos preços da energia a companhia trouxe para suas caldeiras biomassa de fora das usinas – bagaço, cavaco de madeira, poda de árvores – e reduziu drasticamente a produção de anidro.
O menor volume de desidratação foi estratégico para a que a companhia aproveitasse os altos preços da venda de energia no mercado spot. Isso “por conta do maior direcionamento de vapor (necessário para a conversão do etanol hidratado em anidro) para as unidades de cogeração”.
No mesmo período da safra passada quase metade do etanol fabricado era desidratado (48%), mas nesse trimestre apenas 27,4% do biocombustível foi transformado em anidro.
A produtividade na geração de energia também aumentou em 18,4%, passando de 23,6 kWh/ton para 27,9 kWh/ton. Os dois polos com as térmicas mais modernas, Lagoa da Prata e Passa Tempo, contribuíram significativamente para o aumento da cogeração no período.
Assim, as térmicas da Biosev conseguiram um crescimento de 21,4% na cogeração de energia para venda, que foi de 358 GWh. “Este acréscimo é proveniente do aumento da produtividade das unidades de cogeração da companhia e também da geração de energia proveniente da queima de biomassa externa às nossas operações, que foi 41 GWh durante o trimestre, equivalente a 12% do total da produção de energia”, detalhou a empresa em relatório.
No trimestre, a única alta em receita com vendas ficou com a bioeletricidade. O faturamento com cogeração foi de R$ 84,5 milhões, ante R$ 60,3 milhões registrados no mesmo período de 2013. Em termos de participação sobre a receita total, a bioeletricidade passou de 4,5% para 7,6%.
“Do total de vendas do trimestre, 30,9% foi comercializado no mercado spot”, informou a Biosev.
Receita 16,7% menor
A receita total líquida foi de R$ 1,1 bilhão no trimestre, queda de 16,7%, resultado do maior nível dos estoques de açúcar, ampliado em 18%, e de etanol, com quase o dobro do volume estocado.
“Este decréscimo decorre principalmente da redução do volume de vendas, resultado da estratégia comercial da Biosev de maximizar a sua rentabilidade operacional ao longo da safra, o que significou níveis mais elevados de estoques ao final do período”.
As vendas de açúcar foram de R$ 650,5 milhões, 13% menores do que no mesmo trimestre de 2013. Ainda assim a companhia conseguiu realizar um preço de açúcar 27,8% superior no mercado doméstico, de R$979 por tonelada do produto. Também foi ampliada a representatividade do açúcar cristal líquido e do açúcar refinado no percentual da receita, como resultado da estratégia empresarial de ampliar a participação de produtos de maior valor agregado.
A receita com a comercialização de etanol teve baixa de 33,7%, para R$ 274 milhões ante R$ 414 milhões. O brusco revés foi puxado especialmente pela forte redução das exportações de biocombustível que sofreram um abalo de 75%, o que significou R$ 148 milhões a menos.
Em volume de biocombustível comercializado houve uma queda de 30%, enquanto os preços médios foram 3,3% melhores.
A venda de outros produtos como levedura seca, melaço em pó, bagaço cru e hidrolisado, caiu 7,4% em valor, para R$ 101,5 milhões.
Produção
No trimestre foram processados 11,32 milhões de toneladas de cana, volume 9,4% inferior ao registrado em igual período do ano passado.
“O decréscimo da moagem ocorreu principalmente em função da forte seca no estado de São Paulo, com a consequente queda da produtividade”, afirmou a companhia. Os polos agroindustriais de Ribeirão Preto e Leme-Lagoa da Prata “foram severamente impactados pelo clima mais seco observado durante o início da safra 14/15 no estado de São Paulo”.
A moagem de cana foi bem mais voltada para o etanol do que no mesmo período da safra passada. No segundo trimestre de 2013/14 o mix estava 57,4% voltado para a produção de açúcar, enquanto neste ciclo o índice caiu para 49,9%.
No período foram produzidos 485 milhões de litros de etanol, alta de 9,9% na comparação em base anual. No entanto, o percentual de anidro caiu drasticamente, de 48% para 27,4%. Menos anidro foi produzido para reduzir o consumo interno de energia e favorecer a venda de cogeração.
Endividamento
No trimestre a dívida líquida ajustada (incluindo estoques) aumentou 10,8% em relação aos três meses anteriores, para R$ 4 bilhões.
O Ebitda ajustado caiu 31%, para R$ 273 milhões, com isso a alavancagem (relação entre dívida e Ebitda) subiu para 4 vezes, ante 3,2 vezes no trimestre anterior.

Além dos maiores volumes estocados, baixos preços e efeitos adversos do clima, para justificar o prejuízo trimestral a companhia apontou o impacto negativo do “não reconhecimento de créditos de imposto de renda e contribuição social diferidos no montante de R$ 45,1 milhões”.
No período acumulado (seis meses), o prejuízo foi de R$190,8 milhões, uma redução de 22,3% em relação ao ano anterior.
Amanda SchArr – NovaCana

