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Biosev tem rating de crédito rebaixado pela Fitch Ratings; perspectiva é negativa

Segundo agência de classificação de risco, os principais motivos são o refinanciamento de dívidas e os baixos preços de açúcar e etanol

NovaCana 7 min de leitura

Os efeitos da pandemia de coronavírus na economia, somados a fatores específicos das empresas como as dívidas elevadas, já provocam mudanças nos ratings de créditos das sucroenergéticas.

No final de março, a Fitch Ratings reduziu a nota da Biosev de B+ para B no rating de longo prazo, e de A- para BBB no nacional. Além disso, a perspectiva da agência de classificação de risco, que era estável, foi revisada para negativa. Ou seja, novos rebaixamentos podem ocorrer nos próximos meses.

A perspectiva negativa é justificada pela necessidade de refinanciamento das dívidas da companhia até 2022. “Embora a liquidez deva permanecer satisfatória a curto prazo, devido aos vencimentos administráveis da dívida bancária até março de 2021, a Biosev possui vencimentos significativos de dívida de aproximadamente R$ 2,5 bilhões em 2021 e de R$ 2,5 bilhões em 2022”, detalha. A agência ainda pontua que a taxa de câmbio poderá aumentar este valor.

Além disso, na opinião da Fitch, o atual ambiente de negócios – com preços baixos de açúcar e etanol – pressiona o caixa da Biosev e “acrescenta risco à capacidade da empresa de acessar linhas de crédito de longo prazo”. De acordo com o relatório, a queda nos preços fará com que a geração de fluxo de caixa livre (FCF) seja negativa.

Confira, na versão completa, mais detalhes sobre a análise da Fitch Ratings a respeito da saúde financeira da Biosev.

Os efeitos da pandemia de coronavírus na economia, somados a fatores específicos das empresas como as dívidas elevadas, já provocam mudanças nos ratings de créditos das sucroenergéticas.

No final de março, a Fitch Ratings reduziu a nota da Biosev de B+ para B no rating de longo prazo, e de A- para BBB no nacional. Além disso, a perspectiva da agência de classificação de risco, que era estável, foi revisada para negativa. Ou seja, novos rebaixamentos podem ocorrer nos próximos meses.

A perspectiva negativa é justificada pela necessidade de refinanciamento das dívidas da companhia até 2022. “Embora a liquidez deva permanecer satisfatória a curto prazo, devido aos vencimentos administráveis da dívida bancária até março de 2021, a Biosev possui vencimentos significativos de dívida de aproximadamente R$ 2,5 bilhões em 2021 e de R$ 2,5 bilhões em 2022”, detalha. A agência ainda pontua que a taxa de câmbio poderá aumentar este valor.
Além disso, na opinião da Fitch, o atual ambiente de negócios – com preços baixos de açúcar e etanol – pressiona o caixa da Biosev e “acrescenta risco à capacidade da empresa de acessar linhas de crédito de longo prazo”. De acordo com o relatório, a queda nos preços fará com que a geração de fluxo de caixa livre (FCF) seja negativa.

“A Fitch reconhece os esforços da companhia para reduzir custos de caixa e melhorar a eficiência, que incluíram a venda de duas unidades na região Nordeste”, aponta o documento, que continua: “No entanto, isto não será suficiente para compensar totalmente o impacto dos baixos preços do açúcar e do etanol previstos para os exercícios fiscais de 2021 e 2022”.

Perspectivas para a safra

A agência ainda prevê que a empresa terá uma moagem de 27 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2020 e de 27,2 milhões toneladas em 2021. Os montantes estão dentro da capacidade total das usinas, de 32 milhões de toneladas, mas representam uma taxa de utilização de 85%, ficando abaixo da média da companhia.

“A Fitch não incorporou no cenário de base nenhuma grande interrupção de curto prazo nas operações da Biosev causada pelo coronavírus e espera que as atividades de colheita e venda não sejam afetadas”, destacou, em documento. Até o momento, a companhia registrou apenas uma parada de alguns dias em Rio Brilhante (MS), causada por um decreto municipal que impediu a locomoção dos trabalhadores.

A agência também espera que a estrutura de custos da Biosev possa se beneficiar da presença de 40% de cana de terceiros no mix de originação. Segundo o documento, as projeções consideram um investimento médio de R$ 1,2 bilhão nos canaviais, valor considerado necessário para aumentar o rendimento agrícola.

Com isso, a expectativa é que a companhia reporte um Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 1,8 bilhão em 2021 e de R$ 1,7 bilhão em 2022. Por ora, o Ebitda esperado para 2020 é de R$ 1,8 bilhão. “A eficiente estratégia de hedge da Biosev para o açúcar e sua capacidade de desviar 60% de toda a sacarose para a commodity atenuarão parcialmente a redução no fluxo de caixa dos negócios de etanol nos exercícios fiscais de 2021 e 2022”, detalhou a agência.

A Fitch também espera que, em 2020, a posição de caixa da Biosev feche em R$ 1,1 bilhão e a dívida de curto prazo, em R$ 500 milhões. “Em 31 de dezembro de 2019, quando os estoques das companhias do setor de açúcar e etanol, de modo geral, estavam altos, a Biosev reportou posições de caixa e dívida de curto prazo de R$ 270 milhões e R$ 424 milhões, respectivamente”, afirma.

O custo caixa da empresa, considerando gastos com cuidados do canavial e renovação, atingiu R$ 1.010 por tonelada em 2019 – valor superior aos R$ 1.021/t registrados um ano antes.

Desta forma, a empresa segue desafiada a melhorar a eficiência operacional. Conforme a Fitch, mesmo com um portfólio diversificado de produtos, a Biosev precisaria avançar rapidamente nos principais indicadores operacionais e melhorar o fluxo de caixa livre.

Indicadores financeiros em declínio

A agência de classificação de risco também projeta margens operacionais e fluxos de caixa em queda para a Biosev nos exercícios fiscais de 2021 e 2022, “ainda que a redução seja parcialmente compensada pela combinação de estratégias de hedge eficientes, mix de produtos flexível e pela presença de cana-de-açúcar de terceiros no mix, com 40% do total da originação da matéria-prima”.

Outro ponto que embasa o rebaixamento é a expectativa de alavancagem líquida, que deve ficar em torno de 3,5 vezes nos próximos três anos – um valor acima da projeção feita um ano antes, de 3 vezes. Conforme a análise, a agência espera que a queda de preço das commodities e a forte depreciação do real ante o dólar interrompa a tendência de queda da alavancagem esperada para a empresa.

Por sua vez, a relação entre a dívida líquida ajustada pelo Ebitdar (lucros antes de juros, impostos, depreciação, amortização e reestruturação) deve ser 3,7 vezes no ano fiscal de 2020. O valor, conforme o documento, será afetado principalmente pelo câmbio, tendo um resultado superior ao de 2019, quando foi de 3,4 vezes.

A Fitch ainda espera que a Biosev tenha um fluxo de caixa negativo de R$ 200 milhões em 2021 e 2022, sem nenhuma injeção de capital do grupo controlador, a Louis Dreyfus. “No entanto, a associação com a multinacional melhora a flexibilidade financeira da companhia, com maior acesso às linhas de crédito de longo prazo”, detalha o relatório.

O documento observa que a Louis Dreyfus detém 94% da Biosev, tendo apoiado a empresa operacional e financeiramente nos últimos anos. O principal exemplo disso, segundo a agência, é a injeção de capital de R$ 3,5 bilhões e a extensão de prazos para liquidação de uma dívida de R$ 3,6 bilhões. Ambas as medidas foram tomadas em 2018.

“Esta associação também se traduz na adoção de práticas eficientes de gestão de riscos, que vêm se refletindo positivamente no atrativo patamar de preços de açúcar protegidos por hedge e ajudaram a reduzir o impacto na volatilidade cambial”, complementa o relatório.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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